segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Essa coisa de espírito anda mexendo comigo, ando lembrando de pessoas que nunca vi, ouvindo lembranças que não são minhas, memórias que nunca registrei, fotografias de sorrisos que nunca dei e de abraços que nunca abracei. Gente grande, gente pequena, gente. Gente que eu nunca vi. Músicas minhas misturadas com músicas de outrem, não entendo a sinfonia, não consigo harmonizar uma nota. São muitos pensamentos, pensamentos anteriores a 1992 quando eu ainda nem era um fato, quanto mais um feto. Apago a luz e deito-me, tenho muito para escrever, mas nada se organiza sintaticamente em minha cabeça. Tudo gira, não alcanço as palavras, um suor foragido banha meus cabelos, desce sobre em meu peito e se perde entre a blusa e minha pele. Um cigarro. Sempre almejo um cigarro, mas há tempos parei de fumar. Não sei mais manusear, minhas mãos tremem, a direita dança sobre as coisas, perdi um pouco de movimento depois de tantos remédios, tantos desaforos, tantos "até logo" que viraram "nunca mais", tantas despedidas, e eu tão perdida tendo que lidar com a morte, eu nunca soube lidar com a morte, sempre a vi, mas viro o olhar... Prefiro as flores! Por que desde pequena é assim? Sempre me sentindo estranha, sozinha, negativamente diferente! Por que eu? Por que essas percepções tomam conta de mim? Eu não poderia apenas olhar uma montanha russa e sentir vontade imensa de andar? Por que eu tenho medo dos trilhos partirem e ela seguir o rumo lacrimoso da vida? Por que essa vontade absurda de me conectar com a natureza, de entrar dentro de capelas e ficar olhando as imagens e subtrair tudo em luz e música? Por que eu sempre vou embora? Por que não tenho amigos? Por que tenho tantas sensações e por ora me sinto vazia? O que faz de minha mente esse assassinato de minha infância e juventude? Por que meus pais me deram? Por que eu odeio o natal? A vida é colorida lá fora, mas minha retina reproduz tudo de cabeça pra baixo e cinzento. Rosa é cinza, azul é cinza, branco é mais cinza ainda, e preto é preto. Preto não é cinza. Minha mente consegue atribuir duas cores triste para os contornos e preenchimentos de tudo o que vejo; então o céu é cinza e as nuvens são mais, bem mais cinza ainda.

- roberta laíne.
Não sabe receber afeto,
Não sabe dar afeto,
Não sabe porra nenhuma sobre afeto,
Mas afeta todo dia alguém na vida.

- roberta laíne.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Gosto do cheiro de natal... Cheiro suave, terno, doce e por vezes triste como a chuva que cai. Mas vale a ressalva de que todo lugar tem seu cheiro específico de natal. Tem lugar ao qual já fui que cheirava todo e completamente a vinho; já passei por um lugar que o natal só cheirava a chuva, terra molhada e cheiro de barro e casinha alagada no ar; uma vez vi na tv que havia um lugar que o natal só cheirava a panetone, acho que era aí pra fora dos Brasil... Bonito mesmo é o cheiro do natal das crianças, cheira a vermelho, laço, embrulho de presente e papai noel.
Teve um natal em minha vida que eu me lembro que só cheirava a fogos de artifício, parecia mais até cheiro de ano novo, e não de natal. Teve um natal que eu era pequena que cheirava a inocência; lembro-me perfeitamente que ao acordar senti o cheiro de café da manhã que se espremia no coador, sai da cama como um foguete rumo a lua quando me esbarrei em mamãe e perguntei se ela tinha visto papai noel entrar, Mamãe disse que sim coando o café e mandou-me ir olhar de baixo de minha cama. Nesse momento o mesmo foguete rumo a lua que se chocou com o asteroide mamãe fez uma curva arriscada e manobrou de volta ao meu quarto, pernas finas dobradas, cabelos cacheados cobrindo meus grandes olhos, estava lá, o presente de papai noel... Se a memória trouxesse exatamente sentimentos que nos inundam em determinadas ocasiões, esse, eu não ousaria pôr em palavras...
São tantos cheiros de natal, cada lugar tem seu cheiro específico, e espero que o meu esse ano tenha cheiro de pipoca e filme, acompanhado de uma boa xícara de chocolate e algumas risadas, com cheiro de pause, pois cheiros como esses dificilmente gostaríamos de deixar evadir, cheiro de pause, pra nunca mais passar e se perder de vista...

- roberta laíne.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Estou há muito tempo sem escrever, e isso me parece um nó na garganta; o problema é que não consigo, quando penso em escrever sinto um mal estar absurdo, acometo-me de uma grande náusea que parece sem fim, acho que porque fui embora, estou morando em Belém, fugi. É, me tornei aquele final de filme que ninguém nunca espera ou imagina, sabe o mocinho ou a mocinha morrer no final, ou quem sabe descobrirmos que o príncipe é uma farsa? É, tipo isso, ninguém esperava de mim que ao passo dos 23 anos eu resolvesse arriscar e voar do ninho. Claro que fora um choque para mim também, eu não me esperava tomar uma atitudes dessas, mas tomei, tomei de um gole só. O problema maior é que não consigo escrever, recentemente comprei quatro livros, “Poliana Moça” (que já havia lido), “Getúlio uma História Oral”, “Atlântida Civilização Desaparecida” e “Morro das Ilusões”. Os livros não foram comprados aleatoriamente, ou por imbecilmente achar bonita a capa, tampouco por chutar no escuro da sinopse. Foram comprados porque me olharam, esses livros me olharam primeiro, bem antes de eu os olhar; então os olhei de volta, sem disfarce, os olhei. E é simples o fato de tê-los. “Poliana Moça” pelo simples motivo da tentativa de ser feliz, o jogo do contente para quem conhece-o é a base de nossa vida, e até hoje me pergunto como H. Porter conseguiu esse slogan, logan, mandamento de necessidade base da vida. Já “Getúlio uma História...” é devido uma grande paixão - mesmo odiando política - pelo homem dos 15 anos, acho que ele saiu da vida e entrou pro meu coração... Bem, como vivemos na realidade, sempre achei que precisamos mesmo é de uma dose de cólica cética. De uma pitada de dúvida para nos empurrar pra frente, e nada melhor que um mito, nada melhor que todo uma civilização (O livro de Atlântida), e aí ou eu minto, e digo que nunca existiu ou omito para não dizer que é verdade. Por fim, para completar o ciclo da vida, “Morro das Ilusões”, de Zíbia Gasparetto. Não sei se sou espírita, ou se só amo as histórias da Zíbia, contudo, a alma para mim a alma é um algodão molhado de porquês, que ao invés de encontrarmos respostas na religiosidade, encontramos no espírito, na alma. A religião muita das vezes complica e termina em reticência, o espírito te diz, de maneira suave, e bem paragrafada. Os quatro livros não foram escolhidos aleatoriamente, além de trocarmos olhares, são os pilares para uma vida singela e crítica: Alegria, Política, Mito e Espirito. No fim das contas só queria dizer que não estou conseguindo escrever, mas estou lendo, voltei a ler o que me dá vida ou tira pedaço dela, voltei a folhear páginas e empilhar livros, talvez consiga hora ou outra entender essa cidade, esses vizinhos estranhos, esses prédios que não dizem nada, e aí, talvez eu volte a escrever.

Condescendentemente 

- roberta laíne.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sou confusa, magra, cabisbaixa, sempre ando olhando para o nada ou para o chão, o movimento das minhas mãos são desconsertantes, tenho dificuldades ao sair na rua, são muitas pessoas, minha cabeça fica confusa, eu percebo a terra girar e fico tonta, muito tonta, a claridade me engana, fico mais tonta e confusa, preciso voltar para casa, bom dia.

roberta laíne.

sábado, 21 de novembro de 2015

Acho que o bonita da vida, são esses quadros que penduramos na parede com pessoas ao nosso lado sorrindo ou fazendo cara de sérias por sorrirem assim, pinturas dessas viagens que fazemos e até das que não fazemos, mas temos a absurda vontade de ir, eu por exemplo tenho uma fotografia do Iraque no meu quarto, é meio deserto, mas eu tenho uma vontade danada de conhecer, tipo eu e o Japão, eita Deus do céu do outro lado do mundo! O importante da vida meu caro se resume aos quadros, aos quadros que penduramos de viagens que fizemos e das que não fizemos, em nossa parede..

- roberta laíne.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Eu não posso escrever sobre você.
Não eu não posso!

- roberta.
Você acha que agimos conforme nossos instintos, desejos, malícias, ou conforme o que a sociedade poliu e decidiu há três dinossauros atrás como certo ou errado?

- roberta.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Bem, hoje é um dia bastante especial para mim, pois porei aqui o esboço de como está ficando o meu segundo livro, esse agora totalmente autônomo, sem editora, e somente sobre papai. É bem certo que eu não venda nenhum exemplar, e que ele não consiga chegar até as pessoas, mas, sobretudo, e sobre tudo isso, a realização consta aqui, nesse momento de deixar aqui algo para ele, mesmo que ninguém leia, é dele!
A capa ainda está em processo de construção e ajustes, e a sequência do livro ainda será avaliada, então, eu estou aqui pulando de contente do outro lado desta tela só para dizer, aqui está saindo uma prévia de " Novembro Não Existe "

Grande abraço a todos,

Roberta.


P.s.: a apresentação está em gif para que se possa ver as 3 primeiras páginas. Como o gif diminui a qualidade da imagem o tamanho para página do blog ficou pequeno, indico que clique em cima do gif e o veja em tela preta.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Algumas pessoas necessitam de saneamento básico em suas mentes, acho que a prefeitura deveria disponibilizar garis e responsáveis pelo limpeza de lixo, para uma varredura em algumas mentes, ou então o governo investir pesadamente em um censo para levantar dados e retirar das ruas mentes vazias oferecendo devido apoio para seu tratamento e possível ressocialização do indivíduo. Não sei muito bem como isso se instalou e espalhou-se, mas estou cansada de andar nas ruas ou até mesmo dentro de casa e vê a poeira que se alastra, e os lixos que se acumulam.

Prezadamente,

- roberta laíne.

sábado, 31 de outubro de 2015

Estava cá aqui pensando em algumas pessoas que vejo quando vou ao banco, a feira, na padaria - na verdade quando sou um pouco normal e "socializo". A verdade é que todas às vezes que saio é assim, mergulho meu olhar em algumas retinas e depois fico pensando naqueles rostos que nunca vi, pensando especificamente naqueles rostos que emanam algum tipo de sofrimento. Meus olhos de alguma maneira são programados para captar sofrimento. E o mais estanho é que não sei como consigo decora-los e ficar imagimando-os no decorrer do dia, e, as vezes, dos dias. É estranho, mas fico imaginando o que tem lhes causado a dor? O que pode ser feito para amenizar? Tem cura? Será que eu poderia de alguma maneira intervir? Eu sempre digo a frase de um de meus livros favoritos "os seres humanos me assombram" e até mesmo contesto a péssima e dispensável existência dos seres humanos. Mas alguns humanos não me assombram, os mesmos me deixam feliz em existir - o problema maior é que eu não os conheço. Nunca os vi em toda minha parca existência! Obviamente isso tem todas as chances existenciais num todo de possibilidades de que o que estou escrevendo aqui é o maior acúmulo de besteira que um ser humano pode escrever. Mas caso não venha a ser eu estava falando sobre transeuntes, sobre pensar neles, sobre querer fazer algo, sobre uma tal de humanidade que vi no jornal, mas não vi na reportagem que falava de guerras e acordos políticos. E antes que você pense que quero apontar altruísmo de minha parte e benevolência para se auto promover, ponto 1 - ninguém lê isso. Ponto 2 - ninguém ler mesmo. Ponto 3 - talvez com muitas probabilidades de chances eu nunca mais verei esses rostos novamente, o que automaticamente dá total descredibilidade para minha possível "benevolência" que no ponto 4 - eu não fiz absolutamente nada. Desse modo, com exceção dos transeuntes que perturbam a minha cabeça, os seres humanos continuam a me assombrar, e eu tenho medo do que possa ser atualmente a palavra Humanidade...

- roberta laíne.
Um filme em castanho claro passa em minha mente quando ouço tua voz. Uma xícara de café para você, chá para mim - um beijo de boa noite. Te amo.

 - roberta laíne.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Saudade é um preenchimento ou uma falta? 

-roberta laíne.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Nunca me compare a ninguém, nunca.

- roberta laíne.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Olhos baixos, sem rumo nem mira, cabeça inclinada para baixo, sorriso sem graça, sou eu. Eu sempre me senti estranha, quando eu era pequena eu era magrela, desengonçada, vestia blusas que cabiam mais três braços meus só de um lado, tinha um corte de cabelo estranho e gostava de coisas estranhas. Tipo minha mania de guardar as coisas, pedra, embalagens de mentas, trechos de revistas, recortes de jornal e moedas de um real, quem nunca teve um cofre! Eu olhava para o céu e me achava meio estrela, meio brilhante e menos feia. Me sentia agrupada nas três Marias mesmo eu sendo Roberta e ficando estranho, mas eu também me encaichava no Cruzeiro do Sul, sempre consegui me encaixar no céu, e em nenhum lugar da terra. Às vezes, nas raras vezes que um avião passava aqui na minha cidade eu corria em silêncio para olhar, até hoje acho essa coisa de chegar mais perto das estrelas incrível, mas tenho medo, não ouso, gosto de vê aqui de baixo e se der eu vou a pé - se não der fico em casa. Sempre tive um sonho esquisito que se repete ainda hoje em vezes bem largas. Um avião imenso cai na minha rua, é noite, mamãe e eu na rua e os vizinhos na hora de ir até o grande dinossauro sem asas Buh! Já é manhã e eu acordo. Nunca entendi esse sonho, e para bom medroso eu não viajo de avião. Mas continuo olhando para cima, agora crescida não mudei muita coisa, as pernas são finas e os braços também, o cabelo é sempre despenteado e a pele é cor de nada, tenho uma pele sem graça. Os olhos grandes, parecem dois binóculos quando olho pro céu, nunca me senti em casa estando em casa, mas me sinto em alguma parte do todo quando olho para cima. Desde pequenina eu pensava em ser astronauta, quem sabe lá eu encontro um pedaço de casa, casa minha.

- roberta laíne.
Bem, quero falar sobre um causo que me acontece há algum tempo, estou há um ano e cinco meses apaixonada pela mesma Brenda, o mesmo amor, o mesmo corpo, o mesmo cheiro, o mesmo.
Bem, quero lhe falar sobre um causo que anda me acontecendo, eu tenho amor, eu dou amor, eu sou amor, eu faço amor, amor..


"Espero que você não se vá, mesmo se eu não tiver mais nada para te contar"


- roberta laíne.

domingo, 18 de outubro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Odeio festas, aniversários, comemorações, risos descontraídos, abraços enrolados, consentimento despreocupado. Não gosto de bolo, velas, aglomerações e pessoas em volta de algo. Não gosto de pessoas, gente, muita gente, população. Gosto de um, pouco, parco, pequeno, invisível, não notável. E antes que você venha com mais um diagnóstico sobre mim, NÃO! Eu não preciso, já tenho vários e vários é uma palavra que eu não gosto.

- roberta laíne.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Não me entenda, eu não faço sentido, não faço sentido.

- roberta laíne.

domingo, 4 de outubro de 2015

Acho lindo a escuridão, vejo uma luz onde as coisas se apagam...
Há um malabarismo na tristeza, ela rotaciona de cabeça em cabeça e fica girando até apunhalar o mais vulnerável. O lado bom de tomar antidepressivos é que você não precisa usar cocaína, heroína ou craque para ter alucinações. O lado ruim de tomar antidepressivos é que você também não precisa usar nenhuma delas para entrar numa bad, a pior bad, antidepressivos contraditoriamente causam depressão. Isso não faz muito sentido, mas, o que ultimamente anda fazendo sentido no mundo? A internet? A democracia? A globalização?
Olha, se algum ser de outro planeta um dia ler isso, quero que saiba que a terra está invivível, e não tente procurar no dicionário, pois se trata de um neologismo, mas procure neologismo que talvez invivível faça mais sentido. E para piorar não consigo vê saída, há anos venho dizendo que a terra está doente, mas ninguém me escuta, ninguém lê esse blog, não sou presidente, não sou alguém que as pessoas conheçam, não sou da capital, nunca viajei para fora do Estado ou do País, minha voz é calada, só falo através de palavras escritas então vou informar ao menos para os seres das outras dimensão que pesadamente a terra está com câncer, em metástase, quase 7 bilhões de células espalhadas por todo seu corpo - está com febre, está quente, está perdendo cabelo sem ter começado a quimio, sua visão está turva, mesmo contudo caro seres, estamos aqui, nos tornamos inquilinos que há anos não pagamos mais aluguel, uns pagam, outros não, e a gente vai invivendo aqui dentro e ela se arrastando, e é por isso que acho lindo a escuridão, vejo sempre uma luz onde as coisas se apagam.

As outras dimensões

- roberta laíne, terra, 23 anos, século XXI.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Era uma noite translúcida de sol, você chovia em mim, teus cabelos emitiam o castanho de teus olhos, teu sorriso se confundia com minha boca. Estava nevando calorosamente, meus pensamentos caminhavam como um trem, eu freava-os como navio, ancorava mais uma vez tua imagem que fugia em ficar. No meu sonho eu era a praia e você a areia. Rolavamos bruscamente na suavidade das ondas. Eu me confundia, me achava e me perdia, eu não sabia onde você começava e eu terminaria...

- roberta laíne.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Acordo antes que você..

Acordo antes que você para acariciar teus cabelos, e ouvir o som da tua respiração em descanso, acordo antes que você pra vê se está tudo sob controle, se o mundo tá girando, acordo antes de você pra arrumar o quarto, tirar a bagunça que eu mesmo faço antes de dormir, acordo antes que você pra sentir o cheiro do teu corpo, e brincar com tua pele que ainda dorme, acordo antes de você pra ficar te olhando, esperando a hora mais alegre do dia: só pra vê você abrir os olhos.

- roberta laíne.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mais uma carta para papai

Pai, eu tô com dor papai. Eles me furaram de novo pai. Levaram meu sangue, levaram a última gota de dignidade que eu tinha. Levaram nada, pois eu não sou nada pai. Os remédios não fazem mais efeito, eu tô com tanto medo. Por que pai? Por que tudo se tornou tão difícil. Me diz, me diz onde eu errei, me diz onde falhei? Me diz onde não fui uma boa filha? Me perdoa por qualquer coisa, mas não deixa eles me furarem mais pai. Não dói na pele ou na veia, dói na alma. Me abraça pai. Eu sinto saudades. São tantas agulhadas, são tantos comprimidos, são tantos risos e chacotas, são tantas incompreensões, é por isso que não tenho mais amigos pai, ninguém quer ser amigo de alguém que passa mais tempo no hospital do que em casa, sem contar que não sou descolada, não posso beber por causa dos medicamentos, e por causa do gosto também, tem gosto ruim pai. Tem gosto de desespero, tem o mesmo gosto de clonazepam em gostas de 2,5 ml.

- roberta laíne.

domingo, 30 de agosto de 2015

Vai me dizer que você nunca fechou os olhos, imaginou aquela música lenta de fundo, e alguém olhando fixamente dentro dos teus olhos, a pele explodindo em chamas, as palavras não saindo em frase alguma, o erro verbal te açoitando, a música chegando próximo ao refrão, você sentir que a terra rotaciona e translada e ficar tonto, o magnetismo do planeta aproximar vocês, a luz ficar mais amena, engolir em seco fazer parecer um barulho de dois trovões, teu corpo, outro corpo, o refrão da música, a terra rotacionando um beijo de curta metragem, perfeiro, coração acelerado, refrão cantado, riso sem graça, e o resto? O resto só dá pra contar de olhos fechados.


Eu também já me apaixonei..

- roberta laíne.

sábado, 29 de agosto de 2015

Não invada minha privacidade, não invada meu mundo, não entre, as consequências serão sempre amargamente grandes. Então não ouse.

- roberta laíne.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Depressão.

Não encontro mais saída, olho ao meu redor e não vejo ninguém. Grito e ninguém me escuta. Estou morrendo, estou morrendo aos poucos, estou morrendo e ninguém vê, ninguém consegue enxergar. Tudo é escuro, tudo é escuridão na minha vida. Pego meu celular e não tenho pra quem ligar, não tenho com quem trocar uma palavra, não tenho nada. Estou suplicando por alguma palavra, por um gesto, uma ação, uma saída, se é que devo continuar viva estou esperando uma luz, uma "palavra amiga, uma notícia boa" estou esperando qualquer coisa. Qualquer vida. Alguém? Você está me escutando? Por favor, não me deixe morrer. Me ajuda.

- roberta laíne.

domingo, 23 de agosto de 2015

Há momentos que você precisa falar, mas falar só pras paredes mesmo, às vezes você não precisa de respostas, só de perguntas.
Saídas? Não. Procure mais entradas, vá entrando, se perca um pouco e caso não lembre o caminho de volta, forje um. Tudo nessa vida é forjado, com exceção é claro de nossas vontades, a fé e o amor. O resto, é mera cópia de tudo, com outros atores, outro roteiro, mas o mesmo filme. Não se iluda.
Não controle suas vontades, aumente em exagero na fé, e tente não compreender o amor. O resto, forje.

Com vontade, fé, e amor

- roberta l.

Às vezes acordo, noutras só recordo...

- roberta laíne.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Assisto 3 filmes por dia, raramente arrumo o cabelo, dificilmente procuro uma roupa diferente pra vestir. Não me olho mais no espelho, tenho medo do que vejo. Como pouco, vivo pouco, pouco é uma palavra que me é muito. Às vezes assisto TV, na verdade ligo a TV e desligo em seguida, a TV ultimamente anda sendo um acúmulo de séries e filmes de terror. Durmo bastante, agora leio pouco, meus remédios me impedem a concentração, e se me concentro logo tenho a ânsia de me desconcertar. Não vivo na realidade, sou desfocada, deslocada, desolada. Não sou triste, nem feliz, eu apenas sou, mas também não sei definir o quê. Meu peito pesa, o coração bate atrasado e vezes se apressa, sou calma e desesperada, sou mais desesperada que calma, mas sou silêncio, sou calada, não falo, não pronuncio, não balbucio, não puxo conversa nem qualquer tipo de assunto, não que eu não tenha o que falar, é que tenho muito o que dizer. Não gosto da cor rosa, odeio ir ao supermercado, ando de cabeça baixa, falo sozinha ou com meus fones, acredito em Deus, mas em nenhum ser humano. Amo animais, queria ser um passarinho ou uma andorinha, converso com flores, queria ser um ninho. Tenho medo do escuro, durmo de abaju, a porta sempre entreaberta pois se por acaso algum monstro entrar terei uma brecha pra sair, é uma tática bem esquisita. Às vezes tenho pesadelos e acordo suada no meio da noite, tem noites que nem durmo e tenho pesadelos, tenho noites que deito só pra molhar o travesseiro. Não gosto da minha colcha de cama, ela tem um detalhe rosa e como já disse tenho problemas com a cor. Sempre rezo antes de dormir, sempre acordo com a sensação de mais sono, sempre sonho. Às vezes sonho com pessoas que nunca vi, tem vezes que sonho com mundos paralelos, tem sonho que me dá vontade de chorar e o dia começa mal outros da vontade de sorrir e começa bem. Gosto de idosos, acho pele enrrugada bonita, gosto de pessoas de cor negra, não gosto de índio, e nem tenho medo de pessoas que a sociedade rótula de "mal encaradas" ou "mal vestidas" o problema do mundo é que ele anda colocando a palavra "mal" antes de tudo, veja hoje em dia tudo é, mal pago, mal educado, mal humorado, mal criado, mal mal mal. Não gosto de pessoas que se vestem demais, não gosto de meninos mais, não gosto do que estou escrevendo, não gosto de finais. Tenho medo de chuvas, de florestas, morro de medo do mar. Gosto de comprar livros e nunca abri-los, gosto de capas, papel de presente, palito de picolé, tenho medo da água do planeta acabar, gosto de ler Shakespeare, mas isso não me faz intelectual. Ainda penso em Álvares de Azevedo, tenho nojo de Almeida Garrett, acho fascinante a cara de nojo de Lispector e leio escondida Paulo Coelho. Não sou alguém importante, mas me importo com alguém, tenho vestido mas não uso, parei de tomar café.

Sou sempre consequência e nunca a causa.

- roberta laíne.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Passei tanto tempo da minha vida só - tanto tempo tendo que lidar com a solidão, que hoje em dia não sei mais ser dois, plural, conjunto, comunicativa, coletiva. Se por exemplo tu fores embora e me deixar em algum lugar, provavelmente eu ainda esteja lá, provavelmente eu esteja encolhida em algum canto, e se tiver saído, provavelmente, muito provavelmente tenha deixado um bilhete recente. No meu quarto quase nada modificou; sou muito parecida com esses móveis que não saem de lugar, e quando saem se rastejam três quarto pra desabar quase no mesmo canto, assim também sou. Algumas, a maioria, quase todas as pessoas mudam, mudam de endereço, de corte de cabelo, de roupa, de mania, de grupo, de ciclo, mas eu lá, imóvel, velha, com o mesmo endereço, o mesmo cabelo, as mesmas manias, sem grupo, sem ciclo, com um resto desarrumado de vida, sem perfume, sem batom, sem maquiagem, às vezes acho que sou mendiga do meu próprio corpo, às vezes me olho no espelho e não reconheço o reflexo que vejo, parece uma coisa abstrata, sem cor, sem forma, sem nada, parece tão pouco que chego a parecer nada, e nada por nada, não sou, acabou, aqui, em mim, nada.

- roberta laíne.
Nossa memória é forte - principalmente para coisas ruins - se quiser viver bem engane-a.

- roberta laíne.
Resolvi colocar uma vírgula no nosso ponto final, a decisão é minha, ponto sozinha.

- roberta laíne.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Estou envelhecendo, ando ranzinza, velha, louca e chata. Ando não andando muito, reclamando do mundo. Com reumatismo e tiques estranhos, com o mesmo livro empoeirado que minha memória não me deixa terminar de ler, nunca sei a página donde parei. Nunca sei onde estão meus óculos, nunca sei onde te deixei. Num verso? Numa música?  Numa poesia? Onde será que te guardei?

-roberta laíne.
A vida é só uma não deixe-a esfriar, tome-a, engula, use-a.

-roberta laíne.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ontem foi um dia demasiado nostálgico, várias imagens de papai passavam em minha mente, áudios de suas músicas favoritas em meus ouvidos, de sua fala, de suas falas para mim, todas em fragmentos sem uma ordem lógica "Oi, peteca" "Peteca" "Peteca, cadê tua mãe?" "Peteca vou alí e já volto" "Será que vai chover hoje peteca?" "Peteca, corre, o arco-íris"... Sim papai o arco-íris nunca mais veio, e no dia em que veio alguém chamou-me para vê-lo, mas não era tua voz, nem ao menos ousaram fraudá-la, nem ao menos me chamaram de "peteca" então não quis vê-lo papai; mas, prometo que no próximo arco-íris verei. Entretanto, o que me angustia agora não são as cores do céu e sim esses flashes de ti, porque são muitos, são demasiados, me pesam a cabeça, às vezes sento-me na cama e fico zonza, todos de uma só vez, flashes dos programas de tv que o senhor mais assistia, noticiários de jornal de 2001, copa do mundo de 2002, acho que algumas imagens não são mais minhas, acho que são lembranças sua, suponho. Não sei, no momento não sei muito bem de algumas coisas, de muitas coisas, mas de uma coisa eu sei, quando o arco-íris voltar terei de vê-lo...

Papai era aquele tipo de pai que não parecia pai, tinha mais cara de mãe do que de pai.  

Com carinho,

Peteca.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Já faz tempo que venho carregando uma cruz chamada "família"

- roberta laíne.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Somos incompletos! Não adianta correr contra o tempo, ou contra o que quer que seja, somos incompletos! Incompletos na fala, nos gestos, no andar, no dormir, no acordar, no passado, no presente, no agora, no depois, na vida. A incompletude é uma rede velha que nos deitamos de segunda a segunda e que nos embala no decorrer dessa via perigosa chamada vida, e digo mais, ninguém, digo ser humano e com "qualidades" humanas, consegue ser completo, no mínimo que seja sempre vai faltar uma pitada de sal, uma colher de açúcar, dois dedos d'água, uma xícara de café, meia tigela de trigo, uma conta de luz para pagar, uma barba por fazer, um cabelo pra cortar, uma bobagem de se dizer. Tipo isso que escrevi, que possivelmente você vai estar distraído demais para está lendo, ou ocupado demais para estar se dispersando. Tanto faz, sempre falta algo mesmo,

Uma xícara de chá

- roberta laíne.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

E essa chuva, desde o mês passado, desde quando tu fostes embora, nunca mais voltou, nunca mais passou...

- roberta laíne.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A saudade deveria sempre bater a porta errada.

- roberta laíne.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Olha, olha e veja bem, eu vou te contar uma coisa. Cê sabe aquelas pessoas que um dia disseram "conta comigo" e depois foram embora? Ou que tal, permaneceram, mas sempre inventam uma desculpa para não está presente? Olha, olha e veja bem, o mundo gira bem devagarinho, e as vezes quem tá em cima cai e se machuca e quem tá em baixo sobe sem saber, e sabe aquele lugar que você ocupava, aquele lugar tipo gris, meio muito solitário, que o sol não batia? Pois esse lugar pode ser ocupado justo por aquela pessoa que você um dia gritou ajuda e que te negou. Mas olha, olha e veja bem, pois, quando tu estiveres por cima, olhe para baixo, e ao invés de dizer: "quando eu precisei você não veio"; melhore essa frase e diga: "estou ao seu dispor", porque o mundo, esse mundo ele gira bem devagarinho, mais tão devagarinho que você tem que aprender a lidar com o lado de baixo e o de cima, e te digo os dois são bons, mas particularmente o de baixo da pra vê quem tá em cima e nunca olha pra baixo e um dia precisa, assim também como o de baixo tem como background as estrelas...

Então olha, veja bem e olha.

- roberta laíne.

domingo, 2 de agosto de 2015

Dificilmente vou me adequar a alguém, a alguma teoria ou ponto de vista. Não por que eu seja, em mim, a suma de todas as coisas. Com efeito e defeito, em mim, na verdade, sou o todo de nada e é esse nada que me faz ser só, para mim, sou singular, aposto, vocativo, oração coordenada, verbo indefinido. E essa coisa toda de se amparar numa teoria, numa filosofia ou política me dá um sono danado, como disse eu sou para mim, um, singular, só, si, eu.

- roberta laíne.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Algumas pessoas vem, outras voltam, há aquelas que vem e voltam e infelizmente há ainda aquelas que nunca vem, ou nunca voltam...

- roberta laíne.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Você me proporcionou coisas que eu só via em fotografias, telenovelas, discos estrangeiros, rimas ricas.

- roberta laíne.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Disse-me que ia voltar, mas não voltou...
Tudo bem, não sou um quadro admirável, nem uma fotografia das mais aprazíveis, mas tu dissestes que ia voltar, e não voltou!
Teu café esfriou, teus lençóis viraram convite para o mofo, teus livros alimentos pras traças e eu pareço mais um trapo, usando a mesma roupa desde tua partida, porque tu disses que voltaria?
O disco do Chico Buarque furou, aquele pé de maçã que tu plantestes morreu, e a nossa fotografia mais recente borrou, deformou meu rosto, agora só resta você, você onde não está! Sempre achei admirável essa capacidade do ser humano de dizer que vai estar onde não vai estar, "onde" de lugar mesmo, tipo num bar, num lar, numa praça, numa taça, numa canção. Tu dissestes que ia voltar, mas não.

- roberta laíne.

sábado, 27 de junho de 2015

Como havia prometido, aqui estão as postagens das criações dos grupos formados em sala de aula, encarregados de fazerem um construto que melhor representasse a segunda geração Romântica, ou Ultrarromantismo.

Escola D. João VI, grupo 1:

No som do silêncio de uma madrugada, mergulho profundo em mar de lágrimas, e lembrando do teu lado sensível, quebram os silêncios os soluços de meu choro, teu lado maldoso me deixou sem opção, e mergulharei mais profundo que os limites, e de olhos fechados para nunca mais abrirem meu sufocarei em meus gemidos, e encontrarei paz, onde não há mais amigos.

Escola D. João VI, grupo 2:

Eu te amo

Queria eu ter tempo de dizer que te amo
Mas minha morte está próxima
E eu temo que o vazio que me abraça será a morte se aproximando
Oh! Meu querido meu fim está próximo
Temo que as minhas últimas palavras sejam...

Eu te amo.


Escola Padre Sales, grupo 1:

No lugar onde eu estou apenas sinto a dor, amor não me restou.
A alegria que em mim havia em um piscar se esvazia.
O que vejo aqui é uma escuridão, um mundo sem compaixão.
Onde minha única vontade de amar em um rosto voa pelo ar.
E então o que quero para hoje é que a morte ame e que para ela me chame.

Escola Padre Sales, grupo 2:

A Vida

Quanto tempo de vida tenho não sei!
Só sei que aqui estou e certamente daqui irei.
Quando não sei, mas sei que um dia morrerei.
Para os que ficarem digo não chorem,
Pois verei o futuro através dos seus olhos.

Escola Padre Sales, grupo 3:

A minha esperança é de tudo aqui mudar.
Não sou daqui nem sou de lá.
Sou viajante do tempo.
Vivo a bailar.
De onde venho não trago flores e nem trago velas,
Apenas trago no olhar uma esperança de ver o mundo mudar.
Pois a mim, quero apenas um futuro melhor,
Para que nessa viajem deixem a esperança de uma vida melhor.

Nota:

Gostaria de agradecer grandemente a todos os alunos que colaboraram nessa atividade, o intuito maior era mostrar a vocês, grande parte esquecidos, do tamanho do potencial de todos, pois, releiam o que escreverem, e vejam que estão na página dos meus poemas de quarto, podem ter a absoluta certeza que vocês estão agora fazendo parte dos meus poemas de quarto porque muito tem a contribuir a si próprios e ao mundo! Querido alunos, nunca deixem que alguém os desestimule em qualquer das hipóteses, e como principal, não desestimulem a si próprios! Nas aulas escutei em algumas turmas que literatura era "chata", "não servia para nada" ou "coisa de quem não tem o que fazer" bem, aos que insistem com essa ideia, apenas tenho a lamentar o que estão perdendo, pois é através da literatura que viajamos, conhecemos, nos perdemos, nos encontramos, é através da literatura que embarcamos "num sonho dantesco"  e desembarcamos no porto das lembranças, da saudade. É através da literatura que pus esses construtos acima, belos por sinais, de escolas públicas, que tem uma carência enorme, mas um sonho absurdo de ser mais, de ver mais, de vencer mais! Estou mais que satisfeitas por ver e tocar nos pequenos papéis que vocês me deram para eu guardar na minha caixa de "Sonhos Realizados"; Obrigada a todos os alunos que acreditaram, que escrever, não importa as condições, é a melhor saída,

Grande abraço,

Profª Roberta Laíne.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Nem rosas nem margaridas,
Estou aqui sentada em meu quarto, embargada com esse muito de mim que sempre carrego, não sei para onde vou, não tenho para onde ir, mas já tive. Já tive lares, peitos, ombros, lençóis que me cobriam, hoje não tenho nem rosas nem margaridas. Meu jardim murchou, o que plantei quase brotou, mas logo viera a praga e o partiu em pedaços, o quadro que agora vejo tem uma pintura de uma época longe de mim, tão longe de mim que o vejo embaçado. Acho que vou ficar eternamente sentada nessa cadeira esperando a estrada, mas eu também não sei qual estrada, também não sei dizer se vou a pé ou de carona, a única coisa que tenho certeza é que antes de ir tenho que trocar a água das orquídeas, pois agora nem rosas nem margaridas....

- roberta laíne.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Você sabe o mundo? Pois é, ele nunca teve tempo para mim, não, nunca. 

- roberta laíne.
Estava olhando-me no espelho e percebi que a parte mais perceptível de meu rosto são meus olhos. Não são azuis nem verdes, são pretos, normais. Normais entretanto, pois percebi que eles emanam uma tristeza profunda. Continuei a olha-los e quanto mais via mais tão profunda ficava, até que ao perceber que estava caindo num abismo de tristeza de meus próprios olhos na mesma hora abaixei o espelho e pus minhas mãos na testa, estava com a respiração ofegante e assustada questionando-me em pensamento: por que? Respirei fundo e voltei a olha-los, mais uma vez deparei-me com aquela tristeza tremenda, eu não entendia por que eles eram tão tristes! Resolvi mergulhar dentro de mim para olha-me no espelho aos 7 anos, e lá estava eu com os mesmos olhos tristes... Voltei pra 2015 e continuei a fita-los, quando percebi um brilho confundido com lágrimas sair deles, pareciam raios de sol, aqueles raios que vemos na tv quando estamos assistindo algum filme que o personagem está no campo e no alto de uma montanha para ver o sol mascer. Foi um fulgor estranho, tão estranho quanto a tristeza que emanava, parei de olhar-me e fiquei pensando como algumas coisas são estranhas, e brilhantes também...

My eyes,

- roberta laíne.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Quando o assunto for 
você, 
não me ponha mais um 
eu.

-roberta laíne.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O dia mais feliz da minha vida - Super Nintendo.

Não que a plataforma da Nitendo precise saber, mas, o dia mais feliz da minha vida foi o dia do Nintendo... Ah! Um super nintendo! Mas antes do grande dia eu tive muitos dias de janela! Você não sabe o que são dias de janela? Bem, para mim dias de janela é aquele dia que cê fica olhando, as vezes contemplando, noutras esperando chegar, e meu dia de janela servia para ambos, pois era de uma janela que eu levantava meus pés ainda 32-33, para vê o super Nitendo reproduzir na tela do vizinho aquele sonho que saía num áudio rouco dizendo: "International, superstar soccer deluxe"!!! Deus do céu! O som daquilo era como a porta de um sonho para mim, era tudo tão colorido, e era de um colorido tão forte e de um som tão ecooso, ecooso, taí uma palavra que não existe mas naquele meu mundo de pés 32-33 existia, e como existia! Só era doloroso mesmo duas coisas: ver meu vizinho escolher sempre o Brasil, ora, eu queria escutar aquele narrador de luxo narrar o nome dos outros jogadores também! Eu era pequena, mas não era besta. E também doía quando eu só escutava o narrador e a droga da janela estava fechada, o idiota do meu vizinho estava jogando na área vip e de portas fechadas! Mas tudo bem, sempre há um amanhã e sempre havia a manhã seguinte, e bem, é um tanto quanto vergonhoso, mas eu já sabia as horas que ele ligaria aquele portal para o céu. Acho que aprendi a dirigir com o super nintendo, quando viajava vendo-o jogar "top gear" era meu segundo cartucho favorito sem nem ser meu, ah como era gostoso pilotar na pista a noite, e com chuva ainda, que máximo! Eu sentia aquela chuva pingar em mim, afinal, eu não estava dentro da casa então fingia estar assistindo a corrida na chuva. Que era chato mesmo era que meu vizinho só escolhia o carro vermelho, ora, eu era criança mas não era babaca, eu queria saber também como seria correr no carro preto ou no cinza, mas ele nunca escolhia, acho que o vermelho corria mais, gastava menos gasolina ou tinha mais nitro, não sei, nunca entendemos mesmo vizinhos, muito menos quando ele trocava o cartucho de "top gear" por "street fighter"... Sei lá sabe, eu nunca gostei de pancada, e aquele cartucho só era aquilo e ainda era ruim, ele tinha que perder o pulmão ali assoprando até a fita pegar, quando pegava. De fato era chato, eu saia da janela e ficava esperando a sexta-feira! Cê não sabe o que significava a sexta-feira? Sexta feira era o dia do cartucho do MÁRIO! SUPER MARIO WORLD! Ah, era um delírio só - ganhar vidas consegui cogumelo pegar pena conseguir um yoshi voltar para a fase e poder voar! Ufa! Até que enfim parei de falar sem vírgulas, o ar me faltava também em dia de sexta-feira! Uma vez fiquei assistindo na chuva, o vizinho estava tão distraído que esquecera de fechar a janela e eu de ir pra casa, ele estava tão perto, ele já ía zerar, faltava tão pouco, era só mais um chefão e o Mário salvaria para sempre aquela linda princesa e o fantástico mundo de Mário ficaria colorido, todo colorido e diferente, taí diferente, eu gostava dessa palavra, acho que por isso que gostava mais do Luigi, mesmo meu vizinho escolhendo sempre o Mário. Acho que não preciso mais contar sobre como quando eu ganhei o meu super Nitendo, perderia a graça, afinal eu jogava com os pés agora já 33-34 descansados, sempre na minha hora predileta, qualquer hora!

A plataforma da Nintendo não precisa saber, mas com amor,

-  roberta laíne. (aos 11)
De dia, sou sol, sou brilho, sou luz intensa,
De noite, sou lua, sou prata, sou nua,
De dia, sou clarão, sou imensidão que emana um grande fulgor,
De noite, sou serena, mansa e pequena, luz que apaga sem fervor.

De dia, sou raios de sol,
De noite, sou raios com chuva,
De dia clareio,
De noite apago,

De dia De noite, me estardalhaço!

- roberta laíne.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Nossos filhos.
Eu e você.
Nossa pequena e simplória casa.
Meu pouco salário.
A pequena televisão de tubo que comprarei para assistirmos em tempos de copa o jogo do Brasil.
O resto do meu pouco salário, sorvete de abacaxi.
Luzes acesas no fundo da casa, uma pilha de livros ao qual possivelmente estarei mergulhada.
Luz baixa, nós fazendo amor.
Luz clara, o dia nascendo.
Luz alguma, esqueci de pagar a luz.
Luz de velas.
Um rádio a pilha tocando "A noite - tiê"
Algumas brigas, muitas brigas, tantas brigas que terminam em luz baixa, nós fazendo amor.
Luz alta, me olho no turvo espelho e vejo, meu Deus, tenho 30 anos, cresci!

- roberta laíne.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Você deveria ser linda quando criança.


Desde a primeira vez que ti vi, não fiquei imaginando como era o seu presente, muito menos como seria seu futuro, pois pensei no passado, fiquei imaginando como você deveria ser quando criança... Olhando uma fotografia, vi que tinha razão, eu estava recoberta de uma linda razão: você era linda quando criança! O teu sorriso cortava uma pureza tão grande que ainda não consigo e nem conseguirei descrever com os verbos da língua portuguesa. E os teus olhos grandes como a lua cheia, emanavam abraços, aconchegantes abraços de quem acolhe o pecador que de joelhos pede desculpas, como você era linda quando criança! Penso eu que se pudesse voltar no tempo e tocar em tuas pequeninas mãos poderia ser curada da depressão do mundo aqui dentro da terra, totalmente desprotegida de tua infância, que estranho as pessoas não terem observado isso em talvez 1994, que estranho você só se revelar a mim nesse tempo tão descabido, tua infância. Será que vejo coisas? Se vejo, então eu te digo, eu vejo, eu vejo como você era linda, era linda quando criança...

Com ternura, 
- roberta laíne.

Homes moon.


Não consegui escrever hoje, mas eu precisava explodir, então pintei uma lua gigante que acabara de aterrisar nos restos da terra do ano de 3035.
Só Deus sabe por que a lua pousara por aqui..

Aos meus queridos tripulantes,

- roberta laíne.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Deitei na minha cama embriagada de culpa, com um peso tão absurdo que até agora olhando para os lados não sei como não a arrebentei. Cama nenhuma suportaria tanto peso, mas a minha como eu suportou. Acho que nosso quarto e as coisas que nele pomos são como uma extensão do nosso corpo, pois no rádio tocava "dois" tiê, tocava dois justo quando eu era um, justo no momento em que eu mais estava sendo um, e carregando esse peso de um sozinha. Acho que a solidão que me perseguia nos meus escritos passados, nunca deixou de me procurar quando eu a distraia, e sempre preparou-me armadilhas, para na primeira esquina errada que eu viesse a dobrar caísse nela. Tanto faz, já estou com ela agora, estamos juntas olhando esse meu quarto parado, esses vinis que não tocam mais, esse violão mudo que há muito está servindo de enfeite, essas caixas de som que nunca mais brandaram uma nota de minha guitarra, faz tempo que a encapei e não pretendo tirar, está tudo tão parado, esses quadros não se mexem mais, acertei o prego em um lugar e nunca mais tirei, eu odeio essa música "dois" ninguém quer levar minha bagagem, ninguém quer saber de meus planos, muito menos me acompanhar, pois não há mais caminho, ninguém tem alguma coisa pra me dar ou deixar eu entrar num espaço de sobra de seu coração.

-roberta laíne.
Sinto falta de algumas faltas ..

- roberta laíne.
Desde pequena, eu tinha uma vontade absurda de tocar o impossível...

- roberta laíne.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Esse tempo fechado, esse céu nublado, meio cinza escuro forte me faz lembrar meus 16 anos, me faz lembrar Paulo Coelho, e como era bom 16 anos e Paulo Coelho. Deu-me até vontade de acender uma vela e manter a luz apagada para ler... Ah! como era bom ler Onze minutos, Veronika decide morrer, Na margem do rio piedra eu sentei e chorei, como era bom saber que aquilo não era bom, e como era bom saber que minha figura se prostrava diante de leituras e sonhava com as virgens lívidas de Álvares de Azevedo - com um amor impossível só pra mim, todo meu e de mais nenhum tolo. Como era bom! Que mocidade inocente, crédula em inacreditáveis, como foi bom traçar minhas mãos pelas páginas de um Aurélio surrado e procurar a palavra orgasmo, como é bom lembrar de minha sobrancelha levantada e meu cenho comprimido com ar de enigma e não completude do entendimento. Ora orgasmo num dicionário! Como pode isso? Como pode algumas palavras não caberem dentro de outras... me fez lembrar Paulo coelho, me faz lembrar meus 16 anos, me faz lembrar a inocência do que era bom e passado...


- roberta laíne.
Entretanto,
Entre tantos,
Entre, a porta está aberta, e não tem tantos ..

- roberta laíne.
Você sabia que é possível construir frases sem sujeitos?
Interprete da melhor maneira possível ...

- roberta laíne.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Uma coisa sobre mim: 
raramente digo para alguém sobre o que estou de fato pensando.

- roberta laíne.
É certo que em minha mente se sente coisas extremamente estranhas e se sente demais. É certo que é de certo onde mora o erro, é na impossibilidade humana de minha insanidade segura de si que eu capto uma visão do mundo que ninguém vê, não que eu seja especial, ou eminente, muito pelo contrário, sou anônima e pequena, mas tenho dois olhos grandes que captam nas entranhas estranhas que brotam do grande glóbulo terra a água suja e contaminada, e eu me banho dessa água, mas eu sei que ela é suja, e me torno suja, lixo, sou estranha porque vejo isso e além disso, não faço absolutamente nada a não ser saber e olhar e construir, esses construtos sem sentido para ti(s). 

- roberta laíne.  
Se tem uma coisa que eu aprendi na vida, é que a vida é assim.

- roberta laíne.
Que teus olhos voam, eu sei!
Que tua retina brinca com quem se atreve a cruzá-la é que eles não sabem.
Que os teus olhos voam, eu sei!
Que tu fazes eles de tolos é que não sabem, mas eu, retida e compenetrada em apenas te ver, eu sei!
Que tolos! Que crédulos doentes!
Que tristes amantes de um mar profundo que esvoaça na corrente!
Que eu sei, que só eu sei, que teus olhos voam...

- roberta laíne.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Veja eu, 
de tão interior fui parar dentro de mim ...

-roberta laíne.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A arte dança em mim,
faz fantasias com meus pensamentos,
se entrelaça com minhas palavras e
embebeda-se de minha pobre alma.

-roberta laíne.

domingo, 26 de abril de 2015

Parei, e observei por uns 5 minutos, 
vi que havia vida, 
vi que gritava e continha vida, 
talvez a dela, 
talvez a minha, 
mas gritava vida 
nos olhos castanhos dela...

-roberta laíne.

terça-feira, 21 de abril de 2015

sábado, 11 de abril de 2015

Quando alguém disser que te ama, sente-se. Reflita, reivindique, conteste, questione, ponha em dúvida, levante-se da cadeira e corra, dilacere-se, pule, estremeça, depois aquiete-se, volte ao ponto inicial, sorria, e procure olhar para o céu, o amor é mesmo uma bagunça terrena que encontra seu real sentido no brilho azularado que tem o céu e que morremos de vontade quando criança achar a porta que abre e dá pra passar para o outro lado.

- roberta laíne.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Mais moradora de rua que a Lua, 
só ela própria, nua ..

-roberta laíne.

domingo, 29 de março de 2015

Caros leitores, se é que tenho leitores, não importa, eis que vim para lhes contar uma história, estritamente de um palhaço e uma bailarina; entretanto, você já deve ter lido por aí muitas histórias sobre palhaços, ou, sobre bailarinas, ou talvez até mesmo sobre palhaços e bailarinas na mesma frase, eu particularmente nunca li histórias sobre palhaços e bailarinas, mas deva ter, espero que tenha, não quero o título de ineditismo cá nessa história, na verdade, não quero ineditismo em nada, quero particularidades, busco mostrar esse meu mar tormentoso de letras sob minha pobre perspectiva, mas sem delongas, pois já devo está deixando a história que ainda nem começou, chata!
Pois bem, certa vez um palhaço que chamarei de R, saiu ao término de mais uma de suas apresentações do circo "Dreams come true" triste como de costume, e um tanto quanto tonto com tantos risos em seus ouvidos e nenhum em seus lábios... O palhaço, fora apenas para mais uma de suas voltas vazias pelos becos da pequena cidade onde o circo se apresentava; R andava sem destino a procura de nada, só queria mesmo esvaziar-se daquele vazio que o enchia, e, passando pelas esquinas da cidade, ouviu um som suave em pranto morno sair pelas enormes frestas de uma janela quebrada, aproximou-se do som, mas não conseguiu identificá-lo com nenhum armazenado na sua biblioteca auditiva que trazia na cabeça, então deduziu que poderia ser um clássico, quem sabe Beethoven ou Chopin, nomes que ouviu sair da boca do responsável pelo sistema de som do circo, que certa vez mencionou tais nomes para iniciar ou impactar o início de certa apresentação de uma das contorcionistas. Mas R mesmo não conhecia esses nomes não, nem nunca escutara, e se escutara, não sabia que eles eram eles, e de fato, o som que saiu pela degradação daquela velha janela eram preludes de Chopin, saídos de um baldwin muito bem tocado. Pela janela, o palhaço vislumbrou uma bailarina que ora rodopiava rapidamente ora lentamente conforme o apertar das teclas do piano. R ficara cego de tanto brilho que a bailarina emitira ao fazer tais movimentos, e como velho e bom palhaço acabou por atrapalhar a apresentação, quando se recostou em uma parte da janela que caiu estardalhaçando o restante da pouca vidraça. A bailarina e o piano pararam de súbito os movimentos, enquanto R olhava assustado para si e para a bailarina, não sabendo o que dizer e/ou expressar, então resolveu sair correndo dali em busca de um beco escuro que lhe desse saída, e assim o fez, em passos apressados quase saltos sumiu do lugar e chegou a um beco ao qual notara que um leve corte devido a caída da vidraça, lhe fazia escorrer um fino sangue entre os dedos da mão, sentou-se no chão do beco e amarrou-lhe na mão um trapo encarochado que guardava no bolso. E ali, pôs-se a lamentar-se pelo atrapalho que fizera, mas lembrou-se também dos movimentos da bailarina e começou a sorrir sozinho para solidão. Agora já não mais estava tonto com os sorrisos da plateia em seu par de ouvidos e nenhum em seus lábios, agora seus ouvidos nada escutavam o que os lábios sorriam... De repente, uma sombra fez a penumbra que se encontrava ficar mais intensa, ao erguer os olhos, o palhaço vira a bailarina que em passos suaves sentara-se ao seu lado, dizendo:

― Oi? Meu nome é B e o seu?

Atordoado, o palhaço R não sabia o que responder, muito menos acreditava na presença da bailarina sentada ao seu lado, e no meio do turbilhão de pensamentos, se questionou por que seu nome seria B? Será que de bailarina? Depois lembrou-se do seu, que nem monossilábico era, pertencia apenas a uma das últimas letras do alfabeto, R.

― Prazer, meu nome é R, sou palhaço e acho que você bem percebeu meu ofício depois do que fiz com a janela...

A bailarina sorriu e disse:

― Na verdade, eu pensei que você fosse algum bandido ou forasteiro que errara de janela.

O palhaço R sorriu verdadeiramente pela segunda vez naquela mesma noite, e olhara para a bailarina com uma ternura que jamais sonhava em realizar na vida real. Ficaram os dois ali, sentados, conversando sobre seus mundos, e rindo das mais incríveis giro-palhaçadas. Será que preciso dizer que ali nascera um amor? Assim conforme ia nascendo o dia e ambos sentados um de palhaço e outro de bailarina... Ao perceberem o nascer o dia, assustaram-se com o que houve desde o estardalhaçar do vidro, entreolharam-se e perceberam que era hora da partida, um a um trailer do circo outra a casa da tia por detrás do teatro das artes. A despedida é a visitante mais inconveniente que existe. E então rumaram cada um para o seu lado, mas o palhaço R não era o mesmo muito menos a bailarina B da mesma forma.
Na noite que sucedera o acontecido, depois de um espetáculo, o palhaço agora saía com rumo, procurava algo, era tipo quase tudo, e ia sorrindo pelas ruas vazias e becos da cidade, voltou para o lugar onde quebrara a vidraça da janela que por sinal muito lhe tinha servido, pois via com mais amplitude a bailarina B em seus ensaios. Ficara ali parado, quase sem respirar e sorridente esperando que B notasse sua presença o que não demorara muito, pois logo em meio a um rodopio acenou-lhe com a mão direita. Após o término ambos se uniram para uma caminhada, na verdade não era bem uma caminhada, e não venha me dizer que você estava esperando um encontro, um jantar em algum restaurante ou coisa do tipo, pois se estava, sua decepção pousa agora, pois ambos marcaram de ir para o beco, o mesmo beco e ficarem sentados no mesmo lugar que na noite anterior e assim o fizeram, entretanto mal sentaram e o palhaço R dissera de supetão:

― Quer namorar comigo?

A bailarina nunca esperara aquela pergunta tão frequente por aí afora e agora sendo perguntada ali, para si, de supetão, como se a NASA tivesse acabado de fazer uma contagem regressiva e lançasse mais um foguete ao espaço. Atônita a bailarina não disse sim nem não, mas disse que a espera iria lhe trazer uma resposta. O palhaço não desanimara, ficaram ali mais uma noite sentados, rindo de inesperadas e surpreendentes giro-palhaçadas. Até que no quarto dia a bailarina virou-se para ele e dissera:
           
― Sim, eu já tenho uma resposta para seu pedido.

O palhaço assustado engoliu em seco e perguntou temerosamente qual seria, e ela disse:

― Já respondi seu pedido, quando pronunciei a primeira palavra ao dizer que tinha uma resposta.

Suado de alegria, R lembrara-se como não poderia esquecer que a primeira palavra pronunciada fora Sim, e sorriu como se o mundo estivesse aplaudindo-o, levantou-a e em gestos cavalheirescos dançaram como se fogos de artifícios estivessem estralando o céu daquela noite, depois do beijo em que lhe dera.
Não vou narrar sobre os fatos felizes que se sucederam depois dos fogos de artifícios, mas posso afirmar-lhes que desde aquele dia, B rodopiava todas as noites para R , e R engatilhava os mais lindos sorrisos... E assim viveram o resto de suas vidas em giro-palhaçadas. 

- roberta laíne.


quarta-feira, 25 de março de 2015

Uns vêem o sol, 
eu vejo a Lua, 
até de dia .. 

-roberta laíne.

terça-feira, 17 de março de 2015

Chorar, é apenas pôr para fora o que o corpo rejeita ..

- roberta laíne.

segunda-feira, 16 de março de 2015

No momento, há várias coisas espalhadas em meu quarto: um livro de contos de Milton Hatoum (A cidade ilhada) que acabei de ler para meu tcc, em cima dele o próximo (A menina sem palavra) de Mia Couto, possivelmente também para meu tcc, e abaixo dos dois o meu livro guia, linguagens e códigos de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. E confesso que, para onde vou levo esse livro, minha bíblia. Nem precisa se indagar o porquê - nele, habita a literatura e a linguística; tudo o que eu preciso para sobreviver. E outros livros espalhados pelo quarto bem como meus remédios e as letras de uns poemas que nunca me dei o trabalho de terminar, uma bagunça de letras que me fez lembrar que, ao sair de uma sala e tentar uma maneira mais fácil de mostrar para meus alunos o lexa-prem, característica do paralelismo presente nas cantigas de amigo, fiquei atordoada, irritada com aquelas estrofes narcisistas, e aquelas repetições vazias e estruturantes dos poemas. Sai me questionando em voz alta: tem coisa mais difícil que ensinar literatura? Um dos funcionários da instituição escutou-me e respondeu: que tal uma cirurgia no coração? Ou quem sabe no cérebro? Confesso que assustei-me com a resposta, mas logo irritei-me e disse: bem, depende. Cada uma tem suas dificuldades, e são cortes vitais; mas ele argumentou com os olhos algo calado e cínico do tipo a medicina é mais difícil que tuas letras e literatura e eu mais cinicamente respondi, um corte no coração pode significar muito, a vida por exemplo, mas um corte errado nas palavras além de significar a vida, pode para sempre danificar a alma... Sorri, e saí dizendo: lexa-prem, trovadorismo, ondas do mar de Vigo, as palavras tem poder ...

-roberta laíne.

domingo, 15 de março de 2015

Às vezes, sinto umas saudades esquisitas, meio que do nada - que sufoca o peito, amarra a alma e dá vontade de sair correndo urgente para um hospital, contar tudo para algum médico da emergência e pedir um medicamento, uma receita ou um tratamento, ao menos um paliativo para aquele momento em que você está tendo tremores, sufocamento no peito, dor no corpo inteiro, e medo de morrer, morrer de medo, morrer de saudade, morrer ali sem ter matado quem estava te matando, morrer de saudade. 

-roberta laíne.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Não vivo noites fodas,
Vivo noites fodidas ...

-roberta laíne.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Infinity - the xx

Estou vivendo a felicidade em seu pleno contorno, com curvas castanhas e em preto claro como luz de sol de praia; parece mentira, mas a verossimilhança se encontra aqui, bem aqui, nestas palavras, Como quando olho para cima e só enxergo embarcações a flutuar no azul do céu mar, ou como quando olho para baixo e vejo aviões decolando suavemente ao chão...

- roberta laíne.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Tem dias que são dias
Tem dias que são meses 
Tem dias que são horas 

Tem dia todo dia,
Tic-tac tic-tac todo dia, 

Tem dia que amanhece de dia
Tem dia que amanhece de noite
Tem dia que nem é dia
Tem dia que é noite.

Tem dia todo dia
Tic-tac tic-tac todo dia,

-roberta laíne
Algumas pessoas estão dentro, outras estão fora, outras nem dentro nem fora, não estão em lugar nenhum...

-Roberta laíne.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O que te apavora é também o que te emerge, não é mesmo?

- Roberta Laíne.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Preconceito

Quase morro de nojo quando vi um homem e uma mulher se beijando, que pouca vergonha na frente de todo mundo! Que ridículo essa tal de heterossexualidade! Que ao menos façam escondido, e não na frente de todo mundo, pois nem todo mundo é obrigada a ver isso... Que vergonha, heterossexualidade.

-roberta laíne.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Tarde cinza,
Vento frio,
Lua de cachicol,
Parei num banco vazio:
Poeta escreve pros outros, mas quem escreve pra nós?

Chuva lá fora,
Vento cortante,
Lua de sombrinha,
Parei de baixo de uma sombra sozinha:
Ninguém escreve pra poeta, poeta é carente de escrita.

-roberta laíne.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Eu não tenho amigos, namorado ou namorada, eu não tenho ninguém, sou simplesmente a ponta do Iceberg que destruiu o Titanic; nunca houve pessoa que me entendesse e/ou me ajudasse a entender por que que eu existo, qual a finalidade de minha vida, e o que tenho que fazer aqui. Mas nem sempre fora assim, já tive amigos, já tive namorados e namoradas, e já tive a esperança que uma dessas pessoas me entendesse, até vaidosamente cheguei a acreditar que estava enfim descobrindo respostas as minhas perguntas, ou então estava ficando próxima de tais resposta, entretanto, mas uma vez eu era ceifada pela vida, destino, ocasião, como queira chamar; pois fora desse modo que fui perdendo, e perdendo e perdendo até chegar onde estou, num  quarto, empoeirado, repleto de tristezas e tempestades, na parede uns vinis de quem eu não sei, um quadro que não demorarei a quebrar, um poster e alguns livros empilhados, entretanto tudo está morto, tudo o que habita em mim e em meu quarto está morto, com exceção é claro de meu aquário, que ainda há peixes que nadam tentando quebrar esse vidro de existência como eu, ou não, talvez são como a maioria, nadam nadam e nadam e nadam tem a saber... Enquanto isso a terra gira, translada e rotaciona, o mundo corre, pisa, esmaga, inspira e expira, respira, vive, enquanto alguns, morrem. Quantos morreram nesse meio tempo que eu escrevi isso? E se fosse eu? E se fosse minha vez, pois sei que estamos na fila e quando chega nossa vez é inevitável. Você já parou para pensar que nesse exato momento alguém se foi, e que poderia ter sido você? E se fosse você...

Eu já não sei.

- roberta laíne.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Perdoa-me folha seca, eu não sou primavera...

- roberta laíne.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Eu realmente lamento minha existência...

Perdão a todos,

Boa noite,

- roberta laíne.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Você acha que sou feita de lágrimas?
Quase isso! 

Tem dores e lamentos
Gritos e sussurros,

Preces, delírios, tormentos

Pedidos de socorro em silêncio,
e "ai's" em murmúrios. 

-roberta laíne. 
E se a gravida fosse 0 na terra? 
O dinheiro iria voar e todos os tolos iriam tartarugar para agarrá-lo.

-roberta laíne. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vou chamá-la de G,
Entretanto seu nome não é o principal adorno do episódio, e, sim, seus braços...
Estávamos no saguão do mesmo aeroporto quando a vi entrar e sentar-se a alguns metros de mim, eu estava lendo um jornal da cidade e tomando meu café preguiçoso de todas as manhãs na expectativa de observar detalhes; entretanto, naquele dia, tudo parecia comum aos meus olhos, mesmo os transeuntes que nunca havia visto, pareciam normal, eram normais, nenhuma mancha para eu me aperceber e notar, gosto de notar e anotar as coisas...
Mas, quando a moça que havia sentado a alguns metros de mim, levantou-se e tirou seu casaco deixando despido seu par de braços, vi uma mancha, era uma espécie de rabiscos em seu braço esquerdo, era uma tatuagem, e, bem, não sei explicar ao certo porque uma/e sua tatuagem chamou-me atenção, já que no meio dos transeuntes que tinham passado por mim haviam tatuados, eu observei seus desenhos rapidamente, mas nada chamou-me atenção em seus riscos e traçadas, entretanto o dela sim, o dela continha algo peculiar, que devido minha miopia turvar meus olhos não pude decifrar; dancei minha mão rapidamente no bolso singelo de minha camisa de algodão barato em busca de meus óculos para observar o que lá estava escrito:

"Keep calm and carry on"

Depois que li fiquei mais intrigada ainda, o trecho "keep calm" se tornou modinha em dois mil e tantos anos, mas aquela moça não parecia seguir modinha, não, não era do feitio dela modinhas, aquele casaco, aqueles óculos, aqueles olhos e andado; ela combinava mais com blues e vinho, combinava mais com as luzes amenas de meu quarto secreto enquanto taça por taça eu a desenhava, ela ria, e eu desenhava; então pus-me a imaginar a segunda opção, que seria o fato dela ter tatuado a frase devido sua história na segunda guerra mundial, o tal cartaz feito por um desconhecido no Reino Unido caso a Alemanha viesse a invadir a Inglaterra. "Keep Calm"... E se eu fosse até lá e perguntasse sobre a tatuagem só para saber como seria o timbre de sua voz pronunciando-a? E se eu dissesse para ela que aquilo tudo me convidou para pedir uma dançar e depois, eu tentaria beijá-la e ela diria: "keep calm" e daria um tapa em minha face e eu nunca mais a veria, mas e se ao invés disso ela fizesse amor comigo escutando o tilintar de sua lareira e um blues grunhindo de seu vinil que banhava toda a sua sala... E se? Eu poderia tatuar agora em meu braço esquerdo em sua homenagem "And if" e não seria uma tatuagem com uma história clichê ou sem história alguma, muito menos por modinha, seria o eterno rabisco do meu corpo da continuidade da sua.
Ela levantou-se para ir embora, quando assustei-me inundada de pensamentos e corri até perto e disse: “Oi? Qual seu nome?”
Ela olhou-me assustada e respondeu,
...
Eu nunca mais a vi.
Keep Calm and Carry On,
And If,

- roberta laíne.

sábado, 3 de janeiro de 2015

[...]

Costumo sentir saudades,
de quem nunca esteve presente...

- roberta laíne.