segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Essa coisa de espírito anda mexendo comigo, ando lembrando de pessoas que nunca vi, ouvindo lembranças que não são minhas, memórias que nunca registrei, fotografias de sorrisos que nunca dei e de abraços que nunca abracei. Gente grande, gente pequena, gente. Gente que eu nunca vi. Músicas minhas misturadas com músicas de outrem, não entendo a sinfonia, não consigo harmonizar uma nota. São muitos pensamentos, pensamentos anteriores a 1992 quando eu ainda nem era um fato, quanto mais um feto. Apago a luz e deito-me, tenho muito para escrever, mas nada se organiza sintaticamente em minha cabeça. Tudo gira, não alcanço as palavras, um suor foragido banha meus cabelos, desce sobre em meu peito e se perde entre a blusa e minha pele. Um cigarro. Sempre almejo um cigarro, mas há tempos parei de fumar. Não sei mais manusear, minhas mãos tremem, a direita dança sobre as coisas, perdi um pouco de movimento depois de tantos remédios, tantos desaforos, tantos "até logo" que viraram "nunca mais", tantas despedidas, e eu tão perdida tendo que lidar com a morte, eu nunca soube lidar com a morte, sempre a vi, mas viro o olhar... Prefiro as flores! Por que desde pequena é assim? Sempre me sentindo estranha, sozinha, negativamente diferente! Por que eu? Por que essas percepções tomam conta de mim? Eu não poderia apenas olhar uma montanha russa e sentir vontade imensa de andar? Por que eu tenho medo dos trilhos partirem e ela seguir o rumo lacrimoso da vida? Por que essa vontade absurda de me conectar com a natureza, de entrar dentro de capelas e ficar olhando as imagens e subtrair tudo em luz e música? Por que eu sempre vou embora? Por que não tenho amigos? Por que tenho tantas sensações e por ora me sinto vazia? O que faz de minha mente esse assassinato de minha infância e juventude? Por que meus pais me deram? Por que eu odeio o natal? A vida é colorida lá fora, mas minha retina reproduz tudo de cabeça pra baixo e cinzento. Rosa é cinza, azul é cinza, branco é mais cinza ainda, e preto é preto. Preto não é cinza. Minha mente consegue atribuir duas cores triste para os contornos e preenchimentos de tudo o que vejo; então o céu é cinza e as nuvens são mais, bem mais cinza ainda.

- roberta laíne.

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