quinta-feira, 17 de maio de 2018

Paz ou agonia,
eu quero viver
de poesia.

Roberta Laíne.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Aquele momento particular na vida que a gente para e pensa: bem que eu poderia morrer bem aqui...

Roberta Laíne.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Combustível de poeta é a tristeza, poeta lá gosta de ser feliz, poeta que é poeta gosta mesmo é de tristeza, mas não uma tristeza triste, se é que você entende, muito provável que não! Mas poeta que se preze gosta mesmo é de tristeza.

Roberta Laíne.
Meu amor, ela precisa entranhar em mim... Depois que ela entranha, ah meu amor, ela não sai, não sai não. Ela percorre todo o meu corpo e fica enviando sais minerais pelas minhas veias, ela não sai não, é pro resto da vida. Vai se instalando na parede dos meus órgãos, vai se envergando para os meus músculos, vai virando tecido, pele, corpo, roupa. Ah, meu amor, depois que ela entranha em mim, ela não sai mais não, mais nunca.

Roberta Laíne.

domingo, 15 de abril de 2018

Quando eu era criança descobri - por um grande acaso - na sala de casa, uma caixa preta que era ligada a uma antena, ao qual era ligada a inúmeros satélites espalhados pelo espaço, chamavam-na de televisão, ainda chamam-na, na verdade. Sempre que alguém estava ocupado demais para prestar atenção a mim, colocavam-me de frente com aquele planeta esquisito que me chamava atenção. Aí fui crescendo, e fui tentando entender o planeta. Ficava assistindo, e simultaneamente procurando por detrás dela, eu realmente não entendia como aquelas pessoas cabiam ali dentro, no meu pensamento se elas estavam passando por aquela tela era por que moravam ali, no interior daquela caixa preta. Por várias vezes olhei ao redor dela, sondava minuciosamente como eles cabiam ali. Aí fui crescendo, cresci e entendi a televisão, então passei a desconfiar de outra coisa, passava horas olhando para o céu e procurando em seus arredores, procurando um limite ou uma janela, uma porta, uma brecha, uma fissura, foi quando lembrei da televisão, e comecei a sorrir por saber que algum dia eu também irei descobrir o que realmente tem por detrás do céu, obviamente acredito em Deus, mas isso não tem a ver com fé, tem a ver com ciência, tem a ver com a descoberta de onde realmente moram os atores dessa peça teatral chamada vida. Então percebi que essa descoberta tem tudo a ver comigo, tem tudo a ver com você.

Para Jackson Oswaldo

Roberta L.

sábado, 10 de março de 2018

Escrevo porque vivo engasgada, é um nó na garganta, uma falta de ar, uma ânsia de vomitar palavras, parece-me que a todo momento eu preciso dizer, como uma espécie de prece contínua e fiel, parece-me uma espécie de fotossíntese. Aí, quando eu escrevo, quando eu enfim vomito, sinto aquele alívio de quem escapou da morte, como se eu me rasgasse e me costurasse. Parece-me que quando enfim despejo as palavras, o meu corpo se aquieta em uma prece derradeira, como se eu pudesse morrer tão tranquila que nem sentiria a ceifada da morte! É aí que me sinto viva, é aí que sinto uma paz danada de morrer. Parece-me mesmo que escrever é mais morte do que vida.

-Roberta Laíne.