terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Estou há muito tempo sem escrever, e isso me parece um nó na garganta; o problema é que não consigo, quando penso em escrever sinto um mal estar absurdo, acometo-me de uma grande náusea que parece sem fim, acho que porque fui embora, estou morando em Belém, fugi. É, me tornei aquele final de filme que ninguém nunca espera ou imagina, sabe o mocinho ou a mocinha morrer no final, ou quem sabe descobrirmos que o príncipe é uma farsa? É, tipo isso, ninguém esperava de mim que ao passo dos 23 anos eu resolvesse arriscar e voar do ninho. Claro que fora um choque para mim também, eu não me esperava tomar uma atitudes dessas, mas tomei, tomei de um gole só. O problema maior é que não consigo escrever, recentemente comprei quatro livros, “Poliana Moça” (que já havia lido), “Getúlio uma História Oral”, “Atlântida Civilização Desaparecida” e “Morro das Ilusões”. Os livros não foram comprados aleatoriamente, ou por imbecilmente achar bonita a capa, tampouco por chutar no escuro da sinopse. Foram comprados porque me olharam, esses livros me olharam primeiro, bem antes de eu os olhar; então os olhei de volta, sem disfarce, os olhei. E é simples o fato de tê-los. “Poliana Moça” pelo simples motivo da tentativa de ser feliz, o jogo do contente para quem conhece-o é a base de nossa vida, e até hoje me pergunto como H. Porter conseguiu esse slogan, logan, mandamento de necessidade base da vida. Já “Getúlio uma História...” é devido uma grande paixão - mesmo odiando política - pelo homem dos 15 anos, acho que ele saiu da vida e entrou pro meu coração... Bem, como vivemos na realidade, sempre achei que precisamos mesmo é de uma dose de cólica cética. De uma pitada de dúvida para nos empurrar pra frente, e nada melhor que um mito, nada melhor que todo uma civilização (O livro de Atlântida), e aí ou eu minto, e digo que nunca existiu ou omito para não dizer que é verdade. Por fim, para completar o ciclo da vida, “Morro das Ilusões”, de Zíbia Gasparetto. Não sei se sou espírita, ou se só amo as histórias da Zíbia, contudo, a alma para mim a alma é um algodão molhado de porquês, que ao invés de encontrarmos respostas na religiosidade, encontramos no espírito, na alma. A religião muita das vezes complica e termina em reticência, o espírito te diz, de maneira suave, e bem paragrafada. Os quatro livros não foram escolhidos aleatoriamente, além de trocarmos olhares, são os pilares para uma vida singela e crítica: Alegria, Política, Mito e Espirito. No fim das contas só queria dizer que não estou conseguindo escrever, mas estou lendo, voltei a ler o que me dá vida ou tira pedaço dela, voltei a folhear páginas e empilhar livros, talvez consiga hora ou outra entender essa cidade, esses vizinhos estranhos, esses prédios que não dizem nada, e aí, talvez eu volte a escrever.

Condescendentemente 

- roberta laíne.

Nenhum comentário:

Postar um comentário