terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vou chamá-la de G,
Entretanto seu nome não é o principal adorno do episódio, e, sim, seus braços...
Estávamos no saguão do mesmo aeroporto quando a vi entrar e sentar-se a alguns metros de mim, eu estava lendo um jornal da cidade e tomando meu café preguiçoso de todas as manhãs na expectativa de observar detalhes; entretanto, naquele dia, tudo parecia comum aos meus olhos, mesmo os transeuntes que nunca havia visto, pareciam normal, eram normais, nenhuma mancha para eu me aperceber e notar, gosto de notar e anotar as coisas...
Mas, quando a moça que havia sentado a alguns metros de mim, levantou-se e tirou seu casaco deixando despido seu par de braços, vi uma mancha, era uma espécie de rabiscos em seu braço esquerdo, era uma tatuagem, e, bem, não sei explicar ao certo porque uma/e sua tatuagem chamou-me atenção, já que no meio dos transeuntes que tinham passado por mim haviam tatuados, eu observei seus desenhos rapidamente, mas nada chamou-me atenção em seus riscos e traçadas, entretanto o dela sim, o dela continha algo peculiar, que devido minha miopia turvar meus olhos não pude decifrar; dancei minha mão rapidamente no bolso singelo de minha camisa de algodão barato em busca de meus óculos para observar o que lá estava escrito:

"Keep calm and carry on"

Depois que li fiquei mais intrigada ainda, o trecho "keep calm" se tornou modinha em dois mil e tantos anos, mas aquela moça não parecia seguir modinha, não, não era do feitio dela modinhas, aquele casaco, aqueles óculos, aqueles olhos e andado; ela combinava mais com blues e vinho, combinava mais com as luzes amenas de meu quarto secreto enquanto taça por taça eu a desenhava, ela ria, e eu desenhava; então pus-me a imaginar a segunda opção, que seria o fato dela ter tatuado a frase devido sua história na segunda guerra mundial, o tal cartaz feito por um desconhecido no Reino Unido caso a Alemanha viesse a invadir a Inglaterra. "Keep Calm"... E se eu fosse até lá e perguntasse sobre a tatuagem só para saber como seria o timbre de sua voz pronunciando-a? E se eu dissesse para ela que aquilo tudo me convidou para pedir uma dançar e depois, eu tentaria beijá-la e ela diria: "keep calm" e daria um tapa em minha face e eu nunca mais a veria, mas e se ao invés disso ela fizesse amor comigo escutando o tilintar de sua lareira e um blues grunhindo de seu vinil que banhava toda a sua sala... E se? Eu poderia tatuar agora em meu braço esquerdo em sua homenagem "And if" e não seria uma tatuagem com uma história clichê ou sem história alguma, muito menos por modinha, seria o eterno rabisco do meu corpo da continuidade da sua.
Ela levantou-se para ir embora, quando assustei-me inundada de pensamentos e corri até perto e disse: “Oi? Qual seu nome?”
Ela olhou-me assustada e respondeu,
...
Eu nunca mais a vi.
Keep Calm and Carry On,
And If,

- roberta laíne.

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