segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ontem foi um dia demasiado nostálgico, várias imagens de papai passavam em minha mente, áudios de suas músicas favoritas em meus ouvidos, de sua fala, de suas falas para mim, todas em fragmentos sem uma ordem lógica "Oi, peteca" "Peteca" "Peteca, cadê tua mãe?" "Peteca vou alí e já volto" "Será que vai chover hoje peteca?" "Peteca, corre, o arco-íris"... Sim papai o arco-íris nunca mais veio, e no dia em que veio alguém chamou-me para vê-lo, mas não era tua voz, nem ao menos ousaram fraudá-la, nem ao menos me chamaram de "peteca" então não quis vê-lo papai; mas, prometo que no próximo arco-íris verei. Entretanto, o que me angustia agora não são as cores do céu e sim esses flashes de ti, porque são muitos, são demasiados, me pesam a cabeça, às vezes sento-me na cama e fico zonza, todos de uma só vez, flashes dos programas de tv que o senhor mais assistia, noticiários de jornal de 2001, copa do mundo de 2002, acho que algumas imagens não são mais minhas, acho que são lembranças sua, suponho. Não sei, no momento não sei muito bem de algumas coisas, de muitas coisas, mas de uma coisa eu sei, quando o arco-íris voltar terei de vê-lo...

Papai era aquele tipo de pai que não parecia pai, tinha mais cara de mãe do que de pai.  

Com carinho,

Peteca.

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