sábado, 12 de março de 2011

Fumando Amores e Tragando Desilusões

                     

                                                                         

                        Com o auxílio de fósforos, outrora se fazia com o atrito de duas pedras, obtenho a chama, chama que acende a nicotina concreta, mas que me faz refletir um amor abstrato.

            Inspiro fortemente uma brasa intensa que pouco a pouco vai queimando o papel juntamente com as inúmeras químicas que compõe o cigarro, interiorizadas no mais profundo de sua essência, formando assim a fumaça, que após percorrer todo interior de minha boca parte para duas saídas, questão de escolha, logo após exalo para fora de meu corpo à união de um amor fantasias tico com resquícios de desilusões.
            Assim também como a fugacidade da vida o cigarro acaba rapidamente e advêm de um ciclo composto de início, meio e fim, como uma vela, como a vida, a diferença é que a vida é uma só, já o cigarro, ah... Esses são vários, pois me tenho uma infinidade de amores idealizados e frustrações para tragar; e ao término do ciclo de um meu cérebro diz fume o outro, no entanto meu sistema respiratório não concorda e meus pulmões se contraem ao receber pela segunda vez o início de um novo ciclo recoberto de nicotina, minha boca já convencia convida o vício a apropriar-se de mim, mas meu coração imediatamente diz PÁRE! Senti vontade de perguntar para ele o porquê de tamanha preocupação, e envergonhado disse-me que apesar de muito machucado, bate continuamente todos os dias por detrás de meu peito, bate por dois principais motivos: o primeiro, consiste no dom da vida; já o segundo é relativo ao amor indescritível que meu coração sente pelo meu pulmão, e é por ele que me suplica incessantemente, pare de fumar essas tristes desilusões, que não passam de distrações momentâneas que te tendem a aprisionar-te eternamente em meio a uma fumaça letal e obscura, de tristes marcas de amor... PÁRE, pois eu amo seu pulmão e sem ele não sei suportarei bater, PÁRE ou PARO eu de bater!



Roberta Laíne , !

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