sábado, 26 de março de 2011

Bebês industrializados, fim dos tempos, o domínio da tecnologia, a morte da vida.



            
                Minha retina indica-me que lá pros 2000 e tantos anos a infância acabará e junto com ela estará exaurida o dom de inocentemente brincar.
                Quando nascer mais uma vida, o parto será industrializado, os bebes serão montados através da nanotecnologia, se forem perfeitos serão clonados, os imperfeitos ainda não sei onde fica. Ao invés de um coração, baterá um relógio, com a vida útil já predestinada, que poderá ser prolongada a partir de alto capital, coisa de gente fina e formal, da capital.
                E perder-se a essência da infância, pois essas crianças não mais saberão o que é brincar, dói só de cogitar o que vem pelo futuro, hipérboles de um mundo que deixou de sonhar, e pensa apenas em lucrar, lucrar e lucrar.
               Após nascerem, essas novas crianças industrializadas serão amamentados de alimentos transgênicos, para logo irem sentindo o gosto de tamanha tecnologia. Nos seus três/quatro anos não mais ganharão uma bola ou um pião, diga se lá petecas, serão presenteados com mp16 ou mp24, sabe-se lá em que numeração estarão, é tanta evolução; o pior de tudo é saber que essas crianças não mais escutarão contos de fadas, serão entregue a elas ipod, tablet, nooteboks e aparelhos de utilíssima geração e tecnologia, o que me agonia. Nos seus cinco/seis anos não irão para as ruas brincar de esconde-esconde ou soltar pipas, pois o céu que antes era imensidão estarão com escassez de espaço, onde recobertos de estradas aéreas e de edifícios de intermináveis andares, comportarão carros voadores por entre aves.
                 Os brinquedos mais simples serão excluídos de suas memórias, nunca saberão o que fora fura-bucho nem como se brincava, mas para que saber? Se nas ruas de suas casas só existirá uma mancha preta chamada de asfalto, fura-bucho perfura areia e não mancha preta.
                 Na adolescência se tornarão sedentários e acomodados, pois toda e qualquer locomoção se dará através de futurísticos carros. Não saberão o que são bosques para piqueniques fazerem, pois onde bosques havia, foram substituídos por um amontoado de incessantes indústrias e maquinários que se acendem e não se apagam; e assim crescerão jovens mórbidos e apáticos, sem vida e sem cores, o cinza fará parte de suas texturas e de seus monótonos dias sem amores.
                Perdeu-se a infância, culpa da ignorância de quem cala-se quando deve falar.
                Perdeu-se os sábios e só restaram os espertos  que de olhos extremamente abertos o mundo irão dominar.
                Perdeu-se a última esperança, que estava na inocência de uma criança, para o futuro mudar.

Roberta Laíne , !

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