segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Uma bicicleta - A lembrança da tua voz - E um trevo de 4 folhas...

Sinto vontade de roubar a primeira bicicleta que meus olhos alcançarem, ou quem sabe pedi-la emprestada, e sair as pressas dizendo que: "vou ali e pretendo não mais voltar" 
- chegar em sua casa, bater três ou quatro palmas, e rezar que você me atenda. Sei que no mínimo me olharias com aqueles olhos cabisbaixos e sem ponto fixo em mim, e, provavelmente se assustaria com minha presença, ou, talvez, minha capacidade de levar os teus "Nãos" e ainda topar em tua casa... 
Obviamente, ao te ver, meus olhos também não teriam ponto fixo, provavelmente eu os teria perdido ou deixados por entre as ruas que passei até chegar a você. Sei também, que você não diria uma sequer palavra, muito menos se manifestaria em abrir a porta para me recepcionar, você nunca me recepcionaria em sua casa, em sua alma, em sua vida; mas tudo bem para mim quanto a isso, eu apenas diria ternamente: "Não precisa abrir a porta, não quero atrapalhar". Talvez você me perguntasse de quem seria aquela bicicleta e como consegui chegar até sua casa sem que no mínimo ninguém me atropelasse ou eu a alguém, se surpreenderia ao me ver chegar intacta, pois bem conhece o meu atrapalho com as coisas; eu apenas sorriria e mentiria pela primeira vez a você, diria então que a bicicleta era minha, afinal, se soubesses que era roubada me acharia mais imprudente que o normal. 
Da porta, você possivelmente me sondaria, e perceberia ao mencionar que achara bonito o trevo de quatro folhas que eu carregava na cesta de "minha" forjada bicicleta, e, pela segunda vez eu mentiria para você, diria que o trevo era para me dá sorte, mas na verdade ele fora a única rosa que em meados do caminho encontrei para ti levar, mas eu não diria, pois, mais uma vez você me acharia mais imprudente que o normal. Por conseguinte você me perguntaria o que eu fazia ali, e eu mentiria pela terceira vez para você, e diria que estava passando por perto e resolvi parar apenas para dizer um "oi". Eu jamais diria que a bicicleta era roubada, que o trevo era pra você, e muito menos que eu havia ido com destino certo, a tua casa, a tua vida, para ao menos escutar um "oi", ou um "até nunca mais", ou quem sabe o de sempre, "desiste por favor", para mim qualquer um tanto faz, contanto que saia de teus lábios, eu só queria mesmo te escutar, escutar o timbre afinado de tua voz, mas eu não diria isso - Apenas me despediria depois de seu "oi", pegaria a "minha" bicicleta roubada e voltaria para casa... 
Na volta, lembraria-me do que disse para o dono de minha bicicleta "Vou ali e pretendo não mais voltar", mas eu voltaria, como voltei em 30 minutos  e devolvi a bicicleta, ficando apenas com o que me pertencia: 
A lembrança da tua voz e o trevo de 4 folhas...

- roberta laíne.

2 comentários:

  1. O que você faria se eu fosse na sua casa dizer um "oi"?

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  2. Depende, tenho "ois" maiúsculos e minúsculos e também tenho a ausência de um "oi" ... Quem és afinal?

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