terça-feira, 6 de maio de 2014

Cansada das críticas nunca retrucadas, abaixei meus óculos, e ajustei o cruzamento das pernas. Resolvi convocar todas as sombras das pessoas que me criticam por eu levar em consideração o seu passado, pois, lembrei-me que elas nunca pararam para me perguntar o porquê que eu o levo em consideração. Então convoquei-as e delicadamente pedi licença para falar:

Queridas sombras,
Vejam bem,
Se eu esquecer o passado de vocês, e olha-las a partir de agora,
Que nome vocês se dariam?

[todas as sobras começaram a entrar em alvoroço e zombar de mim] 

Vejam bem, por favor, estipulem seu começo, vocês são como uma página em branco novamente, então ponham como título o seu nome...

[as sombras se entreolharam com ar de desdem, porém, atenciosas]

Apercebam que, esquecido ou apagado o passado, eu não sei nada sobre vocês,
não sei seus nomes,
suas primeiras falas ainda não foram balbuciadas,
apagado o passado vocês ainda não falaram nada! 

[as sombras unissonante disseram: Que loucura Roberta!] 

Roberta?
Como vocês sabem meu nome?
Se nem os seus tens ainda?
Já nos fomos apresentados? 

[incrédulas, as sombras atentamente me observavam]

É impossível apagar o passado de uma pessoa, o presente por si só é fálido nele mesmo, acaba no momento em que se inicia. Contem, por exemplo, de 1 a 10... Antes de chegarem no 5 o 1 já é passado. 
Na verdade, o que muitas pessoas querem apagar são certos momentos aos quais consideram como conturbados, e não apagar o passado.
Apagar o passado é apagar a sua vinda a cá na terra, é apagar as fotografias da infância, os sorrisos dos aniversários, o primeiro beijo mal dado, acompanhado de nojo por não ser como na TV. É esquecer o jeito certo de encaixar a gaveta quebrada do antigo armário...
Mas, as sombras que, um dia conseguirem apagar seus passados, por favor me procurem e digam: 
muito prazer eu me chamo, Otário. 
(com letra maiúscula, pois é nome de pessoa)

Com carinho,

- roberta laíne.

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