quinta-feira, 24 de abril de 2014

Talvez ninguém leia isso, mas se, algum dia alguém ler, e pude fazer o que não consegui, por favor o faça. Tenho 22 dois anos e sou dependente química dos medicamentos Oxalato de Escitalopram e Clonazepam, desde que esses dois medicamentos adentraram em minha vida, não tive mais vida. Estou pouco a pouco perdendo a pigmentação e a palidez toma conta de mim, infelizmente não tenho mais muitas expressões em meu rosto, a não ser a de dor e cansaço estampada todos os dias. Acredito em Deus, e me apego a ele praticamente todos os dias, sei que ele me escuta e não tem culpa de meu sofrer. Sei também que ele quer que eu faça algo, quer que eu exponha meu maior sonho:
quero a existência de uma clínica de reabilitação para pessoas que por erro médico, ou por necessidade fisiológica ou por qualquer outro motivo, são dependentes de medicamentos para depressão, transtorno do pânico, fobia social, toque, esquizofrenia e dentre outras patologias psíquicas QUE SÃO REAIS. Na verdade, mais reais que psíquicas, pois um dia com o meu medicamento é um dia ganho, porém perdido na contagem da vida, a cada dia que tomamos uma pílula ou gotas desses fortíssimos medicamentos estamos garantindo o agora e perdendo o amanhã, assim como acontece comigo.
A indústria farmacêutica precisa urgentemente parar de criar novos medicamentos para circularem dentre os hospitais e farmácias movendo uma quantidade gigantesca da pior doença da humanidade: o capitalismo.
Medicamentos que atendem aos números do capitalismo, pois cada remédio vendido é um ponto a mais na escala do dinheiro, mas não atendem a escala que maior deveriam, a escala dos seres humanos.
Para mim não há diferença entre o Escitalopram para a Heroína e do Clonazepam para a Cocaína, um dia sem eles é um dia sem dia, é um dia sem dormir, é um dia de alucinações e suor frio, de taquicardia e sufocamento, são dias de dores, profundas dores... No tórax, no peito, na alma, na vida.
Um dia sem eles é um dia de vômitos, ou de vontade de vomitar, porém não sei discernir se a vontade é de pôr para fora a comida, ou a vida.
Um dia sem eles é um dia de morte, as mãos e os pés são gélidos, somos cadáveres vivos, somos cadáveres que ao invés de ir para as urnas e caixões vamos para filas de esperas em emergências e posteriormente  para camas. Temos tudo, mãos que tremem a todo instante, por conseguinte nosso corpo inteiro que vem a tremer, tudo treme, tudo se move, menos as pessoas que estão ao nosso redor e não fazem nada, absolutamente nada para reverter nossos quadros.
Sei que alguns viciados em heroína e cocaína tentam largá-las, mas eles não aguentam as dores no corpo, os vômitos e a porcaria que é não conseguir controlar nem suas fezes e fazê-las nas calças. Os que tomam Escitalopram, Clonazepam e qualquer outra medicação de origem parecida, também tentam sair, mas não aguentam serem cagados todos os dias pela sociedade com a bendita frase: VOCÊS NÃO TEM NADA! 
Bem, antes que minhas mãos comecem a tremer novamente e o taquicardia com o frio cortante me peguem, eu só queria que alguém lesse isso e fizesse o que eu não pude fazer:
Salvar a própria e outras, VIDAS.

esperançosamente

- roberta laíne.

P.S.: Os piores médicos são aqueles que cuidam de órgãos, e não de pessoas, e os piores monstros não são os imaginários, e sim aqueles que passam por nós, e não fazem absolutamente nada. (Roberta l.)


2 comentários: