Sofria calada
Depois…
Pegava todas as palavras que engolia
e fazia poesia.
Não sou eu, eu juro.
Roberta Laíne.
Deixe suas roupas a cá, pendure-as ali, e leia de fato, o que tanto falo, que faltas me faltam, que verbos me embalam, eis os meus Poemas de Quarto... (Roberta Laíne)
Sofria calada
Depois…
Pegava todas as palavras que engolia
e fazia poesia.
Não sou eu, eu juro.
Roberta Laíne.
Aos meus queridos alunos do cursinho.
Redijo esta carta no
dia 07 de novembro de 2025, está fazendo uma linda manhã de sol e tudo o que
pretendo emanar por meio dela é luz. Na noite de terça-feira, no final da minha
aula, contei aos meus alunos um pouco sobre as minhas lutas e tudo o que venho
enfrentando. Em resumo: no final do ano de 2024, entrei em um grande deserto,
pois os meus medicamentos contra depressão e ansiedade, doenças que enfrento há
mais de 10 anos, pararam de fazer efeito e a partir de então foram longos dias,
semanas e meses de profunda escuridão. Minha vida virou de cabeça para baixo, fui
afastada da escola que trabalhava, não saía, não comia, não dormia, passava
basicamente o dia inteiro sob crises de pânico e ansiedade, foi quando o medo e
o desespero se instalaram em minha vida e eu não tinha mais perspectivas. No
início deste ano, as coisas ficaram ainda mais obscuras, pois descobri duas
doenças no meu intestino, as quais começaram a me maltratar ainda mais. O poço
que já era fundo ficou muito abaixo do solo, era difícil, para quem estava na
superfície, conseguir me enxergar. E assim os meus dias foram recobertos de
várias consultas, exames, diagnósticos, medicamentos, sessões de terapia e
dieta. Perdi 10 quilos, a vontade de viver, e me perdi. Certo dia, enquanto
estava na sala de espera para uma consulta, uma vizinha começou a conversar
comigo e pediu o meu número, disse que queria me apresentar um missionário da
igreja católica que vem ajudando muitas pessoas a se reerguerem, por meio de
suas lives. Passei o contato e pouco tempo depois ela me enviou alguns links.
Cliquei, por curiosidade, mas não esperava grande coisa. No início, eu não
entendia muito bem como funcionava e achava que passávamos muito tempo rezando na
frente da TV, pois ele entrava quatro vezes ao dia, mas passei a fazer. Havia
dias em que eu não conseguia rezar direito, pois estava sob fortes crises;
noutros, eu chorava muito. Contudo, os dias foram passando e eu não conseguia
mais parar de assistir as lives. Os terços a São Miguel Arcanjo e ao Sagrado
Coração de Jesus foram preenchendo o meu dia e foi assim que os meus novos medicamentos
começaram a fazer efeito... Eu já conseguia dormir, havia voltado a comer,
mesmo que pouco, ensaiava as minhas primeiras saídas de casa, e foi aí que
percebi que eu estava começando a escalar o fundo do poço do qual me encontrava.
Nesse período, uma amiga veio me visitar e perguntou como eu estava. Como ainda
era incipiente a minha melhora, respondi que estava, aos poucos, ficando bem.
Foi quando ela questionou se eu não tinha interesse em dar aula em um cursinho,
para que eu pudesse retornar aos poucos à sala de aula. A minha resposta foi
forte e vibrante: NÃO. Eu não quero. Pouco tempo depois estava eu, em uma
sexta-feira à noite, pela primeira vez, dentro da sala de aula que eu disse que
não entraria. Mas, antes, tive longas conversas com Deus, e sempre dizia a ele:
Mas, Senhor, eu não vou conseguir, olha como eu estou. Magra, triste, abatida,
fraca. Porém, Ele sempre respondia: “Dê o passo que eu dou o jeito”. Confesso
que ficava chateada, queria mesmo era ficar no meu quarto, curtindo a minha
dor. Mas, como a palavra final é sempre a Dele, voltei a estudar, voltei a
acessar os arquivos no meu notebook com as minhas aulas, e comecei a lembrar de
todos os lugares que já passei, de todas as aulas já que preparei e ministrei,
de todos os dias de muitas pesquisas, leituras, estudos... Foi quando comecei a
ir me reconhecendo naquelas apostilas, slides, documentos do Word, vídeo-aulas,
e assim fui mergulhando novamente naquilo que eu mais amava fazer: dar aula. Depois
de conhecer a turma, senti uma necessidade ainda maior de dar o meu melhor,
então passei a atualizar os meus materiais e a estudar mais, e entregar o meu
máximo, mesmo, às vezes, sob fortes crises. Não sei explicar ao certo, mas
quanto mais eu conhecia a turma, mais eu era convencida do quanto eles
precisavam e mereciam o meu melhor e assim fiz. Cada sexta-feira era uma grande
oportunidade de conhecê-los mais e mais e de me resgatar também... E foi assim
que a turma se tornou a segunda melhor coisa que aconteceu no meu ano de 2025.
A primeira, vocês devam imaginar, foi o missionário Geraldinho Correia, o das
lives de todos os dias. Ele me reapresentou Deus. E, graças a Ele, aqui
estamos. Essa carta só existe porque, mesmo com medo, eu disse sim a Deus. Eu
disse sim a missão que ele havia me encarregado. Essa carta só é possível
porque vocês existem e me mostraram, sem perceber, que viver é incrível, mesmo
com todos os percalços e dificuldades. Lembro-me que eu clamava a Deus, em
lágrimas, para que ele me desse um motivo para continuar lutando pela minha
vida e ele me deu uma turma inteira. UMA TURMA INTEIRA. É Incrível, mas Deus
nunca faz pelo menos, ele sempre faz pelo mais. E encerro está carta te dizendo
que sim, você foi chamado para viver grandes coisas e você as viverá! Todos
somos um projeto lindo de Deus para dar certo. E eu sei que vocês estão com
muito medo desta prova, mas coragem! Quando Deus está no barco não importa o
tamanho das ondas. Não olhem para a tempestade, olhem para Deus.
“Sede fortes e corajosos; não temais, nem vos atemorizeis; porque o Senhor vosso Deus é quem vai convosco. Não vos deixará, nem vos desamparará.” Deuteronômio 31:6
Com profunda gratidão e carinho,
Professora Roberta
Laíne.
Esquizofrenia
Transformo
As vozes
Da minha cabeça
Em poesia.
CID-10 F20
Com carinho,
Roberta Laíne.
Capanema, em 30 de junho de 2025.
Querido leitor, trago novas péssimas notícias: o meu irmão está afundado em dívidas, e os valores são muito altos. Essa situação, como boa parte dos nossos problemas, não surgiu da noite para o dia, ela já vinha se arrastando há algum tempo, mas somente no mês passado veio à toda para toda família. E, agora, descobrimos que o problema possui uma dimensão muito maior do que a que imaginávamos. Meu irmão deve para agiotas, muitos agiotas e também para vários cartões, vários mesmo. No início da semana, ele veio ter comigo e me contou tudo. A priori, eu fiquei anestesiada, como quando tomamos um susto, um baita susto! A diferença é que até hoje estou assustada, sem entender como isso chegou na proporção em que hoje se encontra. Toda a nossa família foi afetada e estamos bem desolados. Agora, estamos pensando em soluções rápidas para poder ajudá-lo, uma vez que tudo corre juros e nada espera. E, sim, eu tenho muito medo de que algo de ruim possa acontecer com o meu irmão, que alguém faça mal a ele ou que ele próprio possa vir a fazer. Foi horrível lidar com toda esta situação, principalmente ter que contar para o meu pai biológico e vê-lo tão vulnerável, nervoso e desorientado. Às vezes, minha cabeça dá um milhão de voltas e não chega a lugar algum, sinto-me impotente diante da situação. Eu sinto muita pena da minha mãe biológica, muita mesmo, pois ela não merece estar passando por tudo isso, vivendo sob o medo, a dor e o desespero. Contudo, acredito que tudo isto está acontecendo por um motivo que foge a nossa compreensão humana. Hoje, vejo a dor como uma professora incrível, que nos ensina como viver melhor. E é verdade, meu querido leitor, quanto maior a dor, maior o aprendizado.
Com carinho,
Roberta Laíne.
Querido leitor, toda vez que rezamos pelo bem das pessoas ao nosso redor, clamando pela felicidade, saúde, proteção e prosperidade delas, é como se enchêssemos o nosso próprio caminho de rosas. Ser feliz com a felicidade alheia, liberar perdão a todos aqueles que nos fizeram mal, não é sobre o outro, é sobre você, é sobre a sua capacidade de ir além, de acessar a cura dentro de si próprio…
é construir uma ponte segura, em nossa trajetória, com acesso direto ao céu.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
Querido leitor, eu amo o barulho de cachorro latindo ao longe. E, por favor, não ria. Sei que isso é absurdamente específico e esquisito, mas eu amo. E, no final das contas, acho que são essas coisas que fazem de nós únicos e encantadores (e bizarros, talvez). E como a maioria das nossas estranhices, não sei muito bem de onde isso surgiu e muito menos o momento exato em que começou. Porém, tenho uma boa referência cinematográfica, o documentário "Retratos Fantasmas", do Kleber Mendonça Filho, por meio do qual conheci o registrado latido de Nico, o cachorro do vizinho. Certa vez, Kleber começou a escutar o latido de Nico, que já havia falecido, e ficou sem entender o porquê de estar escutando-o novamente. A resposta é simples, naquela noite, o seu filme "O som ao redor" estava passando na Globo, e foi de lá que veio o som dos latidos do cachorro, agora eternizado em mais uma de suas obras. Sinceramente, eu acho que você deveria assistir aos filmes de Kleber Mendonça Filho, tanto pela sensibilidade do diretor quanto pelo Nico, o cachorro do vizinho. Enfim, não sei muito bem qual mensagem esse texto quer transmitir, talvez não seja nada muito importante, coisas como os latidos de um cachorro ou quem sabe algo mais elaborado, como a persistência da memória.
Com carinho,
Roberta Laíne.