Deixe suas roupas a cá, pendure-as ali, e leia de fato, o que tanto falo, que faltas me faltam, que verbos me embalam, eis os meus Poemas de Quarto... (Roberta Laíne)
terça-feira, 28 de abril de 2026
segunda-feira, 27 de abril de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Querida G,
tenho
observado atentamente a rosa que me deste e tem sido detestável acompanhar a
sua degradação.
Como
pode algo tão importante para mim não resistir à passagem do tempo?
Como pode algo que me deste chegar ao fim?
Escrevo-te
sobre a minha indignação às 19 horas e desimportantes minutos.
Escrevo-te
numa noite de um dia qualquer, na tentativa desesperadora de eternizar a rosa
que me deste.
No
meu peito, nutro um sentimento confuso: TUDO FINDA.
Isto te apavora ou te ilumina?
Com
carinho,
Roberta
Laíne.
terça-feira, 21 de abril de 2026
Querido leitor, alguma vez você já sentiu algo por alguém que, em hipótese alguma, poderia sentir? É difícil, né? Acho que este texto é sobre sentimentos bonitos e difíceis ao mesmo tempo...
Eu não sei ao certo como descrever o que sinto, mas é mais ou menos assim: quando eu começo a conversar com ela, sinto que o mundo gira devagar, como na letra da canção "Equalize", da Pitty, e tudo o que quero é conversar mais e mais. E eu sinceramente não sei de onde vem esse desejo, e acho isso bobo da minha parte. Principalmente porque sei que ela não sente o mesmo a meu respeito; deve sentir, no máximo, uma admiração. E eu não entendo, sabe? Fico me perguntando por que eu só me afeiçoo a pessoas que não sentem o mesmo por mim. O que há de errado comigo? Será que tem a ver com os livros de poesia que eu já li? De qualquer forma, resposta nenhuma mudaria algo. A única coisa que posso fazer é sentir e escrever. Escrever até que passe. Escrever até te que se transforme em lembrança. Escrever até eu esquecer.
Eu nunca te contaria isso, eu juro.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Querido leitor, esses últimos dois dias tenho sentido uma vontade imensa de sumir para sempre. Sem deixar rastro, nem pista e muito menos saudade, pois sei que ninguém sentiria. No final das contas, talvez este seja um grande favor que eu deveria fazer às pessoas.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
terça-feira, 31 de março de 2026
— Primeiro acolhemos, cuidamos e damos novas vestes.
— E depois? A gente julga?
— Não, Carlos. A gente perdoa.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
quinta-feira, 26 de março de 2026
Querido leitor, eu estou bem!
Por mais incrível que possa parecer, estou lidando bem com a retirada do lítio. A primeira semana foi realmente difícil, mas atualmente encontro-me estável. Eu só preciso me vigiar um pouco mais, pois percebi que, sem o medicamento, as minhas emoções estão relativamente mais fortes. Se estou triste, fico muito triste e chorosa. Se estou feliz, fico muito feliz e risonha. Isso é “engraçado”, né? Mas tudo bem, o mais importate é que está dando certo e que, mais na frente, tenho a esperança de que a dosagem do meu antidepressivo também seja diminuída. Todavida, não tenho pressa alguma, pois sei que tudo tem o seu devido tempo e eu esperarei.
Esses dias, retornei com o meu gastro e, dessa vez, decidi ir à consulta sozinha, pois queria experimentar um pouco mais de toda essa liberdade que tenho vivido. A experiência foi interessante. Cheguei, peguei minha senha e fiquei esperando. Logo em seguida, a ansiedade social bateu à porta do meu cérebro, convicta de que iria entrar. Olhei para ela de soslaio e disse: “Não! Por favor, hoje não, estou experimentando algo novo." Incrédula, ela ficou me rondando, esperando a hora que eu cedesse. Rapidamete, olhei às pessoas ao meu redor e disse a mim mesma: "Nada vai acontecer, eles também estão esperando. Você também precisa esperar. Você vai esperar".
Depois de fazer o meu cadastro, fui para uma outra sala de espera, no aguardo de ser chamada. Bem, eu sabia que iria demorar bastante, então comecei a ficar um pouco inquieta. A ansiedade social, que estava à espreita, já quase abrindo a porta e entrando, foi supreendida outra vez. Dei um pulo e decidi: "Bolo!". "É isso!". "Vou à padaria aqui próxima para comer uma fatia de bolo!", e assim fiz.
Lá, sozinha, enquanto comia a fatia me sentia triunfante. Foi o bolo mais gostoso que comi e ele nem estava gostoso. Não tinha recheio ou algo palatável, mas ele tinha gosto de liberdade. O bolo tinha gosto de primeiro lugar no pódio, com recheio de vitória.
Ao término, voltei à clínica e me encaminhei à sala de espera, para continuar aguardando a minha vez. Lá, em algum momento, comecei a conversar com uma das pessoas que também aguardava. Eu a conhecia “de vista” e começamos a falar sobre doenças, claro. Ela me contou o que havia passado devido a problemas no seu estômago e depois eu comecei a relatar sobre o que enfrentava com o meu intestino. A conversa não se prolongou muito, pois logo ela foi chamada.
Segundos depois, uma mulher que estava atrás de nós me cutucou e disse que havia ouvido a nossa conversa, e que estava ali porque sua filha também tinha sido diagnosticada com colite. Ela relatou que ainda não fazia um mês desde a primeira vez com o médico e o início do tratamento, mas que se encontravam ali novamente, pois sua filha contiava com crises muito fortes e ela conseguiu um encaixe para retornar com o médico.
Eu me virei para conversar com elas e contei um pouco de tudo o que passei antes e depois do meu diagnóstico. A moça, sua filha, estava ao lado, mas ela não falava muito, apenas assentia com a cabeça. E quando dei por mim, estava elencando uma série de coisas indispensáveis sobre o tratamento, como a importância de se fazer os medicamentos direitinho; a dieta que o(a) nutricionista passou; beber bastante água; a importância de se fazer terapia para elaborar melhor essa nova condição; a prática de exercícios e, é claro, o poder da oração. Foi uma conversa muito divertida, eu fiz várias piadas e nós rimos bastante. Aproveitei também para dar forças a moça, pois sua mãe havia dito que ela só pensava em morte e que não iria conseguir vencer a doença. Coloquei-me como exemplo e disse que eu também achava a mesma coisa e que, inicialmente, o meu psicológico estava me matando muito mais rápido. Às vezes ela sorria timidamente, mas eu sentia como se um peso enorme saísse de dentro dela. Parecia que ela sorria esperança. Querido leitor, você também vê as pessoas sorrindo esperança?
Bem, conversa vai, conversa vem, eu não havia percebido a passagem do tempo e logo fui chamada. Antes de me levantar, a mulher pediu que, ao sair da consulta, eu desse o meu número à sua filha, para que pudéssemos marcar uma caminhada e eu incentivasse-a de alguma maneira. Ao sair do consultório, digitei o meu número em seu celular e saí me despedindo muito feliz, deixando claro que ela iria vencer e que tudo daria certo.
Ao chegar em casa, minha mãe e melhor amiga já haviam iniciado o terço que rezamos toda tarde. Bati à porta e pedi para que iniciássemos novamente. No momento dos nossos pedidos, eu comecei a narrar o que havia acontecido, foi quando me dei conta do quanto eu estava iluminada, por isso consegui iluminar aquela mulher e a sua filha. Essa luz... Você sabe, não é, querido leitor? Você também já experimentou dela? Você sabe que eu saí das trevas, não é mesmo? Você lembra? Se eu olho para trás, eu não me reconheço mais. Isso é incrível não é mesmo? As trevas, a luz, não reconhecer-se mais. Tomara que este texto apareça em sua tela todo iluminado.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
segunda-feira, 2 de março de 2026
“Para frente e para o alto”
Querido leitor, hoje iniciei uma nova etapa no meu tratamento: parei de tomar o lítio. E só para deixar claro, não foi por conta própria, mas sim por indicação do meu psiquiatra.
Confesso que temo quão desafiador será. Hoje mesmo senti uma dor de cabeça horrível, uma grande sensibilidade a sons e luzes e fiquei saindo do ar, como uma estação de rádio com sinal ruim. Meus pensamentos se embaralharam um pouco, mas é assim mesmo. O início de qualquer coisa é sempre difícil…
Sinto que agora é o melhor momento, pois eu nunca rezei tanto, nunca tive tanta fé como tenho atualmente. Então, esse é o momento certo. Até porque o momento certo é quando decidimos. É quando paramos de ficar buscando que todos os detalhes sejam perfeitos, porque nunca são nem serão.
Enfim, hoje não escreverei muita coisa sobre, pois não estou muito legal. Mas estou confiante. E estou feliz, mesmo com o mal-estar inicial da retirada do medicamento. Estou feliz porque, de um lado, Jesus segura a minha mão; do outro, Maria.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Querido leitor, eu sei que a vida é curta demais para não falarmos o que sentimos. O problema é que eu não sei se devo falar.
Há tantas coisas que eu quero dizer, mas não sei se devo dizê-las. Queria te mandar mensagem pedindo desculpas, mas desculpas pelo quê? Por sentir? Por gostar de você?
Eu odeio o seu silêncio, eu odeio o meu silêncio, eu odeio a nossa última conversa. Sei que fui eu quem disse que deveríamos parar de nos falar, para evitarmos maiores problemas, mas eu me arrependi. Eu não suporto o nosso silêncio. É horrível não falar com você.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Querido leitor, sinto falta dela, mas não tenho coragem de mandar mensagem. Na verdade, acho que é melhor assim, sabe… mas sempre tem aquele maldito “e, se?”. E se ela também estiver sentindo a minha falta? E se ela também frequentemente lembra de mim? E se faz falta às minhas piadas sem graça? Você acha que eu deveria mandar mensagem? Acha que deveria aparecer? O que eu diria? Oi? Desculpa? Posso ficar aqui?
Com carinho,
- Roberta Laíne.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Eu queria ser especial
Querido leitor, faz uns três dias que eu não consigo dormir direito. Não sei o que está acontecendo. Eu deito, fecho os meus olhos, mas não consigo dormir. Minha cabeça fica pensando um milhão de coisas ao mesmo tempo e dando voltas e mais voltas. É como se eu fosse a vários lugares e no final das contas a lugar algum. Isso me dá náuseas e deixa o meu peito pesado. Eu não quero voltar a tomar quetiapina. Puxa, deu um trabalhão conseguir dormir sem ela, e eu não quero ceder assim tão fácil. Sei que sou forte, mas às vezes eu sinto vontade de correr até o quarto da mamãe e me deitar no colo dela. Queria que ela me envolvesse com seus braços e eu sentisse que nada, e nenhum pensamento, tivesse o poder de me maltratar. Meu Deus, por que eu penso tanto? Por que, Senhor, eu nasci quebrada? Por que eu sinto demais? Eu só queria ser como as pessoas ao meu redor. Eu só queria um colo para me ninar…
Quando você sente falta do colo de sua mãe, mas dizem que já é adulta demais para isso.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
O nome dela é escrito com S, TH e acento agudo no I e provavelmente ela nunca lerá esse texto.
Querido diário, preciso compartilhar algo extremamente impactante: o sorriso dela. Meu Deus, toda vez que ela sorri, sinto como se Deus gostasse um pouco mais de mim do que das outras pessoas. É como se Ele me presenteasse com um pôr do sol laranja, muito laranja e todinho para mim, sabe? Não que ele de fato seja para mim, mas aqui, na minha poesia, é. Na minha poesia ela sorri para mim. E acho que no fundo ela saber... Ela saber que quando sorri tem o poder de iluminar pessoas, coisas e até seres de outras dimensões e planetas. Ela sabe. Se não sabe espero, do fundo do meu coração, que algum dia alguém diga a verdade, por descuido ou saudade, que ela tem o sorriso mais lindo de todas as dimensões.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
sábado, 10 de janeiro de 2026
Querido leitor, eu sabia que a pessoa certa não era ela, porque ao invés de me sentir segura e firme, eu sempre me senti insegura e vulnerável. Ao invés de confiar e de ter certezas, sempre fui tomada por grandes desconfianças e dúvidas, como se, de alguma maneira, não fosse eu a pessoa que deveria estar ali, ao seu lado. Eu sabia que ela não era a pessoa certa, porque ao invés de me tirar vários sorrisos, ela me trouxe lágrimas. E não, ela não é a pior pessoa desse mundo. Ela só não é a pessoa certa e, por incrível que pareça, está tudo bem.
Quando a gente pouco sabe sobre o amor, mas tem ciência da pessoa certa.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
domingo, 4 de janeiro de 2026
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Com carinho,
- Roberta Laíne.