quinta-feira, 26 de março de 2026

Querido leitor, eu estou bem!

Por mais incrível que possa parecer, estou lidando bem com a retirada do lítio. A primeira semana foi realmente difícil, mas atualmente encontro-me estável. Eu só preciso me vigiar um pouco mais, pois percebi que, sem o medicamento, as minhas emoções estão relativamente mais fortes. Se estou triste, fico muito triste e chorosa. Se estou feliz, fico muito feliz e risonha. Isso é “engraçado”, né? Mas tudo bem, o mais importate é que está dando certo e que, mais na frente, tenho a esperança de que a dosagem do meu antidepressivo também seja diminuída. Todavida, não tenho pressa alguma, pois sei que tudo tem o seu devido tempo e eu esperarei.

Esses dias, retornei com o meu gastro e, dessa vez, decidi ir à consulta sozinha, pois queria experimentar um pouco mais de toda essa liberdade que tenho vivido. A experiência foi interessante. Cheguei, peguei minha senha e fiquei esperando. Logo em seguida, a ansiedade social bateu à porta do meu cérebro, convicta de que iria entrar. Olhei para ela de soslaio e disse: “Não! Por favor, hoje não, estou experimentando algo novo." Incrédula, ela ficou me rondando, esperando a hora que eu cedesse. Rapidamete, olhei às pessoas ao meu redor e disse a mim mesma: "Nada vai acontecer, eles também estão esperando. Você também precisa esperar. Você vai esperar".

Depois de fazer o meu cadastro, fui para uma outra sala de espera, no aguardo de ser chamada. Bem, eu sabia que iria demorar bastante, então comecei a ficar um pouco inquieta. A ansiedade social, que estava à espreita, já quase abrindo a porta e entrando, foi supreendida outra vez. Dei um pulo e decidi: "Bolo!". "É isso!". "Vou à padaria aqui próxima para comer uma fatia de bolo!", e assim fiz. 

Lá, sozinha, enquanto comia a fatia me sentia triunfante. Foi o bolo mais gostoso que comi e ele nem estava gostoso. Não tinha recheio ou algo palatável, mas ele tinha gosto de liberdade. O bolo tinha gosto de primeiro lugar no pódio, com recheio de vitória.

Ao término, voltei à clínica e me encaminhei à sala de espera, para continuar aguardando a minha vez. Lá, em algum momento, comecei a conversar com uma das pessoas que também aguardava. Eu a conhecia “de vista” e começamos a falar sobre doenças, claro. Ela me contou o que havia passado devido a problemas no seu estômago e depois eu comecei a relatar sobre o que enfrentava com o meu intestino. A conversa não se prolongou muito, pois logo ela foi chamada. 

Segundos depois, uma mulher que estava atrás de nós me cutucou e disse que havia ouvido a nossa conversa, e que estava ali porque sua filha também tinha sido diagnosticada com colite. Ela relatou que ainda não fazia um mês desde a primeira vez com o médico e o início do tratamento, mas que se encontravam ali novamente, pois sua filha contiava com crises muito fortes e ela conseguiu um encaixe para retornar com o médico. 

Eu me virei para conversar com elas e contei um pouco de tudo o que passei antes e depois do meu diagnóstico. A moça, sua filha, estava ao lado, mas ela não falava muito, apenas assentia com a cabeça. E quando dei por mim, estava elencando uma série de coisas indispenssáveis sobre o tratamento, como a importância de se fazer os medicamentos direitinho; a dieta que o(a) nutricionista passou; beber bastante água; a importância de se fazer terapia para elaborar melhor essa nova condição; a prática de exercícios e, é claro, o poder da oração. Foi uma conversa muito divertida, eu fiz várias piadas e nós rimos bastante. Aproveitei também para dar forças a moça, pois sua mãe havia dito que ela só pensava em morte e que não iria conseguir vencer a doença. Coloquei-me como exemplo e disse que eu também achava a mesma coisa e que, inicialmente, o meu psicológico estava me matando muito mais rápido. Às vezes ela sorria timidamente, mas eu sentia como se um peso enorme saísse de dentro dela. Parecia que ela sorria esperança. Querido leitor, você também vê as pessoas sorrindo esperança?

Bem, conversa vai, conversa vem, eu não havia percebido a passagem do tempo e logo fui chamada. Antes de me levantar, a mulher pediu que, ao sair da consulta, eu desse o meu número à sua filha, para que pudéssemos marcar uma caminhada e eu incentivasse-a de alguma maneira. Ao sair do consultório, digitei o meu número em seu celular e saí me despedindo muito feliz, deixando claro que ela iria vencer e que tudo daria certo.

Ao chegar em casa, minha mãe e melhor amiga já haviam iniciado o terço que rezamos toda tarde. Bati à porta e pedi para que iniciássemos novamente. No momento dos nossos pedidos, eu comecei a narrar o que havia acontecido, foi quando me dei conta do quanto eu estava iluminada, por isso consegui iluminar aquela mulher e a sua filha. Essa luz... Você sabe, não é, querido leitor? Você também já experimentou dela? Você sabe que eu saí das trevas, não é mesmo? Você lembra? Se eu olho para trás, eu não me reconheço mais. Isso é incrível não é mesmo? As trevas, a luz, não reconhecer-se mais. Tomara que este texto apareça em sua tela todo iluminado.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

segunda-feira, 2 de março de 2026

“Para frente e para o alto”

Querido leitor, hoje iniciei uma nova etapa no meu tratamento: parei de tomar o lítio. E só para deixar claro, não foi por conta própria, mas sim por indicação do meu psiquiatra. 

Confesso que temo quão desafiador será. Hoje mesmo senti uma dor de cabeça horrível, uma grande sensibilidade a sons e luzes e fiquei saindo do ar, como uma estação de rádio com sinal ruim. Meus pensamentos se embaralharam um pouco, mas é assim mesmo. O início de qualquer coisa é sempre difícil… 

Sinto que agora é o melhor momento, pois eu nunca rezei tanto, nunca tive tanta fé como tenho atualmente. Então, esse é o momento certo. Até porque o momento certo é quando decidimos. É quando paramos de ficar buscando que todos os detalhes sejam perfeitos, porque nunca são nem serão.

Enfim, hoje não escreverei muita coisa sobre, pois não estou muito legal. Mas estou confiante. E estou feliz, mesmo com o mal-estar inicial da retirada do medicamento. Estou feliz porque, de um lado, Jesus segura a minha mão; do outro, Maria. 

Com carinho,

- Roberta Laíne.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Querido leitor, estou feliz. 

Depois de muito tempo, voltei a assistir filmes e a ler. Duas coisas que sempre amei, mas que havia abandonado por conta de tudo o que me aconteceu. Agora, estou muito empolgada com os filmes que assisti. Estou muito animada com o fato de ter me reencontrado. Mas, assim, muita coisa mudou, eu não sou mais a mesma Roberta. E isso é ótimo, não é mesmo? Eu particularmente acho incrível quando olhamos para trás e não nos reconhecemos mais. E eu estou bem com o fato de não ser mais a mesma, mas voltar para as coisas que eu amava e que me faziam muito bem. Enquanto escrevo este texto, lembro-me de um dos filmes que assisti em um domingo e passei a obra inteira sorrindo. Eu sorria só pelo fato de estar assistindo ao filme… É meio bobo, eu sei, mas as coisas simples da vida, no final das contas, são as mais importantes. Como comer pipoca do pipoqueiro da praça da igreja. Como comer algodão doce no parque. Querido leitor, qual foi a última vez que você comeu pipoca do pipoqueiro da praça? Você lembra da última vez que comprou algodão doce no parque? Este texto não é sobre filmes e livros, mas sobre as pequenas coisas que fazem enorme diferença em nossas vidas.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Querido leitor, eu sei que a vida é curta demais para não falarmos o que sentimos. O problema é que eu não sei se devo falar.

Há tantas coisas que eu quero dizer, mas não sei se devo dizê-las. Queria te mandar mensagem pedindo desculpas, mas desculpas pelo quê? Por sentir? Por gostar de você? 

Eu odeio o seu silêncio, eu odeio o meu silêncio, eu odeio a nossa última conversa. Sei que fui eu quem disse que deveríamos parar de nos falar, para evitarmos maiores problemas, mas eu me arrependi. Eu não suporto o nosso silêncio. É horrível não falar com você. 


Com carinho, 


- Roberta Laíne. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Querido leitor, há dias que, por maior que seja o seu esforço, você não consegue responder ou interagir com as pessoas. A sua mente está tão tão barulhenta que é quase impossível escutar quem está ao seu redor. É por isso que fico em silêncio. O silêncio significa, antes de tudo, profunda confusão e instabilidade. O silêncio significa, entre tantas coisas, a minha real incapacidade, a minha maior fraqueza. Porque se eu conseguisse falar, se eu conseguisse... eu juro que falaria. Eu diria muito. Eu diria tanto. Mas eu não consigo, é muito mais forte que eu… É ensurdecedor. 

Eu queria pedir desculpas para todas as pessoas que não compreendem o meu silêncio.

Com carinho, 

- Roberta Laíne.
Querido leitor, não estou conseguindo controlar as minhas emoções e sentimentos, estou muito confusa novamente.

Quando você sente medo de fazer besteira…

Com carinho, 

- Roberta Laíne. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Querido leitor, sinto falta dela, mas não tenho coragem de mandar mensagem. Na verdade, acho que é melhor assim, sabe… mas sempre tem aquele maldito “e, se?”. E se ela também estiver sentindo a minha falta? E se ela também frequentemente lembra de mim? E se faz falta às minhas piadas sem graça? Você acha que eu deveria mandar mensagem? Acha que deveria aparecer? O que eu diria? Oi? Desculpa? Posso ficar aqui?

Com carinho, 

- Roberta Laíne.