quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Talvez, tudo tenha que dar errado para dar certo. 

Querido diário, se me pedissem para descrever como é uma crise de ansiedade, eu diria que é tipo quando alguém está tocando bateria, só que muito mal, alto e descompassado. Não é um som, é um barulho. Um barulho alto. Muito, muito alto. A ansiedade é uma descanção.

Com carinho,

- Roberta Laíne. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Querido diário, há tantas coisas acontecendo na minha vida, que eu não sei nem por onde começar. Mas vamos lá: voltei a ter crises. E, dessa vez, elas estão absurdamente fortes, como nunca estiveram, e isso tem me assustado bastante. O medo de enlouquecer ou surtar e ter que ir amarrada para uma clínica psiquiátrica tem me rondado. Penso na minha família, e no quão seria muito doloroso a eles me verem nesta situação. E o pior é que essas crises estão começando a tomar conta de todo o meu dia, ficando mais severas no final da tarde. Minha família já não sabe mais o que fazer e eu muito menos. No sábado, fui a um terreiro de umbanda, sendo recebida pela mãe Maria que, certa vez, há muitos anos atrás, havia me recebido. Em sua casa, ao me tocar, ela reagiu tristemente, indagando-me com tom de piedade: “meu Deus, minha filha, por que tanta tristeza? Por que tanto sofrimento?”. Eu olhei para ela e fiz com as mãos um gesto que demonstrava um “também não sei” e depois baixei a cabeça. Após dar outra volta por mim, ela se assustou, ficando gelada, pois havia sentido um espírito frio que me acompanhava, de um amor que já morreu… Sem rodeios, disse a ela que era a Cássia, e fiquei um pouco mais triste. Parecia que toda a tristeza do mundo estava dentro de mim, e eu a carregava sozinha nas minhas costas. Bem, na sequência, dona Maria deixou claro que sou médium (e das fortes) e que demorei muito tempo para procurá-los. Deixou claro também que a minha mediunidade é somente para coisas boas, curas e o bem. Ela disse que o meu coração era muito bonito e bondoso e só via coisas boas saindo dele. Que eu era meiga e doce. Fiquei feliz ao ouvir isso, pois lembrei de papai, do meu doce papai, e, nesse momento, um pouco de toda a tristeza do mundo saiu das minhas costas. 
Queria que tudo o que estou narrando tivesse acontecido de modo sereno, como parece, mas não foi bem assim, tudo aconteceu enquanto meu corpo se tremia de medo, meu coração estava disparado e minhas mãos estavam geladas. Acho que é o medo do novo/desconhecido para mim, ligado ao fato de eu ter sido criada dentro da igreja católica e sempre ouvir coisas ruins sobre religiões de matriz africana. Porém, eu não tenho absolutamente nenhum tipo de preconceito. Acredito que bem e mal se faz dentro de qualquer religião e fora delas. Mas também sei que preciso enfrentar os meus medos. Não há mais nada que a ciência possa fazer por mim, estou tomando vários medicamentos, fazendo terapia e etc. No final das contas eu sei que o meu problema é espiritual e que preciso enfrentar tudo isso com muita garra e força. Todavia, questiono-me se tenho toda essa garra e força, questiono-me que tipo de pessoa sou. Todos os dias tenho lutado contra seres invisíveis, contra a minha própria mente, contra eu mesma, com as ferramentas que tenho por perto: um terço, muito medo, e minha família. Espero que eu vença, porque eu sei, mais do que ninguém, o quanto mereço ser feliz. Eu mereço muito. É ardente e violento o quão mereço ser feliz.

Com carinho,

- Roberta Laíne. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Querido diário, eu não venci a depressão. Eu venço, todos os dias.

Com carinho,

Roberta Laíne.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Meu bem, é mais ou menos nesse horário, no domingo à noite, que você mente para todo mundo, inclusive para si. Porque, meu bem, você sabe, longe de mim cultivar vaidades, mas pelo bem da verdade, era comigo que você queria estar, era aqui. 

Quando o eu-lírico fala a verdade

Com carinho,

- Roberta Laíne. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

É que nós, seres humanos, somos meio ruins com o óbvio. Achamos, na maioria dos casos, ruim de enxergá-lo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Querido leitor, sou apaixonada por tudo aquilo que o dinheiro não compra. Você sabe...

sorrisos
abraços
olhares
a brisa do vento batendo no rosto
o barulho da chuva
o nascer e o pôr do sol
o brilho das estrelas e da lua
o burburinho da correnteza no rio
o som que faz a quebra de uma onda no mar

Você me acusará de sonhadora, eu sei. Ré confessa afirmo que, sim, é verdade.

Você me achará uma tola e idealista. Então confessarei: tola, idealista e poeta.
Acrescenta poeta, por favor.

Com carinho,

Roberta Laíne.