sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Querido diário, trago notícias boas.

Semana passada, vivi dias festivos na escola, pois estávamos na semana dos jogos, e é sempre um período muito animador. Eu, em particular, e por ser uma colecionadora de coisas raras, abracei muito os meus alunos e me diverti bastante com eles. Em segredo, confesso que sou apaixonada em vê-los felizes. Cada sorriso, cada pulo de alegria, cada gesto de euforia. Não sei explicar muito bem, mas é como se uma onda gigante tomasse conta de mim e eu me afogasse em um mar de sentimentos bons, submersa na felicidade deles. Eles não sabem, mas cada abraço que dou, demoro alguns segundos a mais, que é para que a sensação fique por mais tempo em mim. Quando decidi me tornar uma colecionadora de coisas raras, não sabia que estava envolta de tanto afeto e que deixar guardado os sorrisos, os pulos, os abraços e os gritos festivos dos meus alunos me faria alguém absurdamente rica. Sou simplesmente uma milionária de tudo aquilo que o dinheiro não compra, o mundo não corrompe, e o mal não destrói.

Com muito carinho,

Roberta Laíne.    

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Quando você é judiada e mesmo assim insiste (em viver)

Querido diário, 

acabo de sair de uma crise horrível de ansiedade. 

HORRÍVEL!

BEM HORRÍVEL!

Não sei ao certo o que a desencadeou, mas acredito que tenha sido a junção de algumas coisas. Tenho me cobrado um pouco mais que o normal ultimamente e eu meio que já sabia que hora ou outra o meu corpo iria me enviar sinais como uma forma de protesto. É. E o dia escolhido foi hoje. Passei o final da tarde tentando contornar a crise, obviamente, usando todo o arsenal que criei para lidar com estas situações, afinal, são 12 anos lutando contra a depressão e a ansiedade. Mas hoje, em especial, tive muita dificuldade para conseguir sair, então fui bem judiada pela dupla dinâmica. Enfim, das minhas tentativas, comecei tomando um banho, pois é algo que sempre me acalma. Depois disso, fiz um chá e tomei-o, mas a crise permanecia ali, altiva. Resolvi então deitar-me para ouvir, no YouTube, um vídeo que sempre me ajuda a diminuir o eixo de ativação da minha ansiedade, através de uma prática de mindfulness. Mas também não deu certo, o que começou a me deixar agitada. Foi bem desesperador. 

E para piorar, eu não sou boa em pedir ajuda às pessoas, pois como eu já estou acostumada a lidar com as crises sozinha, nunca mando mensagem ou ligo para alguém. Contudo, hoje foi diferente. Meus pensamentos estavam absurdamente acelerados, várias e várias e várias imagens começaram a passar pela minha cabeça. Meu coração não ficou para trás e, depois que disparou, comecei a ficar muito confusa e perdida, parecia que a sirene de uma ambulância estava tocando dentro do meu ouvido, e várias luzes vermelhas estavam piscando, era ensurdecedor e ofuscante. Senti vontade de correr, correr muito, correr como o Forrest Gump. Senti vontade de chorar, chorar muito, mas não consegui. Foi aí que decidi ligar para a minha vizinha e dizer o que estava acontecendo. Infelizmente ela não estava em casa, mas ficou no telefone comigo e me disse muitas coisas. Eu não consegui assimilar todas, pois minha cabeça estava girando muito, muito rapidamente, mas consegui diminuir o fluxo dos meus pensamentos. Depois que ela desligou, fui tomar meu remédio e deitei, acabada, destruída, cansada. Meu coração parecia com um batuque de uma escola de samba, em dia de desfile. Meu corpo doía, e os meus olhos estavam baixos, mortos, mórbidos, exaustos. Foi bem horrível e por mais que eu esteja exausta, vim escrever esse texto para dizer que, mesmo judiada, eu insisto (em viver).

Com carinho, 

- Roberta Laíne. 

terça-feira, 13 de agosto de 2024

É importante nunca descartar absolutamente nada de nossas vidas.

Hoje eu sou pura, mas, amanhã, se eu bem quiser, posso ser puta.

Com carinho,

Roberta Laíne. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Querido diário,

Acho melhor eu não dizer nada sobre o que estou pensando e sentindo. Espero apenas que os dragões sejam, de fato, moinhos de vento.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Querido diário, 

gosto de saber que sempre escrevi cartas. 

Quando eu era criança e a minha irmã viajava, eu escrevia cartas a ela pedindo que voltasse. Era engraçado, fofo e encantador. Às vezes, eu também brincava de escrever cartas para pessoas desconhecidas e, depois de prontas, eu as colocava dentro da minha mochila favorita e saía na minha bicicleta para entregá-las. É claro que eu nunca as entregava, mas quando voltava para casa, eu era tomada pela sensação de missão cumprida, como se as cartas tivessem sido entregues. Lembro-me até da rua que eu descia. Em minha memória, tudo aparece em verde musgo, com cheiro de Pipoca Pantera. Depois que cresci, continuei a fazer cartas, só que essas eu já entregava. Se criança fui intensa, adolescente fui mais ainda. Contudo, eu acreditava que quando me tornasse adulta não iria mais escrevê-las, que elas ficariam no passado. Porém, elas permaneceram, continuo a fazer cartas. E no final das contas talvez elas sejam a forma mais eficaz, serena e voraz de dizer o que sinto. Talvez estas cartas sejam o documento mais genuíno de minha passagem pela terra. Talvez eu só saiba escrever cartas e não poesias. Talvez dê para guardar o mundo inteiro dentro de um envelope. Talvez eu não precise de endereços, mas sim continuar a escrever as minhas cartas, colocá-las em uma mochila e sair para entregá-las, mesmo voltando com ela cheia.

Com carinho,

- Roberta Laíne.  

domingo, 14 de julho de 2024

Querido diário, 

Eu acho o domingo um dia formidável para escrever. Não sei explicar, mas parece-me que sempre soa confortável rabiscar/digitar algo no dia de hoje. E, bem, sendo bem honesta não tenho absolutamente nada de relevante para falar. Acho que só queria vir por aqui, sem pretensão, no meu lugar favorito. É bom saber que eu sempre venho para cá, desde a minha adolescência. Pois há uma porção de lugares que eu poderia ir, mas nenhum seria como este. É tipo o meu esconderijo. 
Querido leitor, você também tem um esconderijo? Para onde você vai quando tudo fica horrível? Ou bom demais? Ou ameno? 
Não sou muito boa com relações interpessoais, mas sou boa em estar aqui...

Com carinho,

- Roberta Laíne.