quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Eu sabia que isso iria acontecer, sabia que Deus iria escutar os meus pedidos e agora estou aqui, com uma bactéria resistente, sentindo-me horrível tanto fisicamente quanto emocional e espiritualmente. Eu estou exaurida, só tive forças para ir ao hospital para receber o diagnóstico que já sabia e voltar para casa me sentindo mais derrotada, sem forças para absolutamente nada. E, desta vez, eu não irei comprar o medicamento, desta vez não irei tentar combater a sua resistência, desta vez, a única coisa que continuarei a fazer é corrigir minhas provas, até o momento em que meu corpo aguentar, pois tenho um compromisso com os meus alunos e, enquanto eu estiver respirando, irei cumpri-lo. Quando o meu corpo não mais resistir, vou deitar e ficar calada, deixando ele sentir tudo o que a bactéria tem para fazer, deixando com que ela domine tudo o que seja necessário, deixando-me esvair… Dizem que a morte só procura uma desculpa, então desta vez irei ceder, depois de tanto tempo resistindo-a, agora, será a vez de seu triunfo, ela há de reinar sobre a terra-pele que sou e viver enfim sua glória, não há medo, não há discordância, entrego, pois, enfim, o que tanto almeja, de modo terno e sereno, sem nenhum tipo de resistência.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Todas vez que eu sentir vontade de procurar alguém, 
para pedir ajuda, 
eu vou me trancar no meu quarto,
pegar meu estilete 
e me cortar tão fundo, mais tão fundo, 
que irei acessar o rio mais profundo do planeta, 
até conseguir desaguar nele, 
todas as minhas tristezas, 
gota por gota…

É um texto sobre o mar vermelho

- Roberta Laíne.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

domingo, 25 de setembro de 2022

Obrigada por ter me acolhido ontem, eu estava tão perdida, minha cabeça estava dando voltas e mais voltas, e aquelas várias vozes que me perseguem não silenciavam, estavam aumentando absurdamente a intensidade e me deixando surda, eu estava zonza, e os últimos acontecimentos de minha vida faziam a minha cabeça pesar, envergando o meu corpo. Eu me encontrava em uma espiral de pensamentos torturantes, aos quais me davam náuseas, fazendo o meu corpo sucumbir. E, por incrível que pareça, eu não queria fazer besteira, eu não queria me mutilar e nem cometer suicídio, porque ainda não era a hora. O dia em que eu morrer será muito claro, não será noite, e fará um sol escaldante, com raios translúcidos vindos do céu, flores de ipê rosa cobrirão o chão e a tarde terá cheiro de café que acabou de ser passado. Ninguém ficará triste, não haverá sombras, apenas luz. Foi o que disse a ela ontem, deitada em sua cama. E senti quando suas lágrimas molharam meu peito, pois, no final das contas, ela sabe que ninguém pode fazer absolutamente nada a respeito disso. Na verdade, só o fato dela não ter se negado a estar em minha presença, é muito, é grandioso, pois eu precisava ir a algum lugar/pessoa/abraço que me acolhesse e fizesse eu me sentir segura, aceita e protegida. Eu não precisava ser julgada naquele momento. E sei que é obrigação minha lidar sozinha com os meus problemas, afinal, foi eu quem os busquei, mas eu precisava de alguém, eu precisava de ajuda e por mais que minha presença também fosse motivo de dor, por saber que eu não sou mais inteiramente dela, eu precisava de Ivane, pois naquele momento eu "era apenas o frágil, feio e aflito Flicts."

- Roberta Laíne. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Esta é uma das poucas vezes em que me desligo de uma pessoa e não me sinto culpada ou com a sensação de que eu poderia ter feito mais, pois, tudo o que fiz foi o que estava ao meu alcance. Inclusive, cheguei a ir, surpreendentemente, além, e estou orgulhosa de mim. Eu me esforcei muito, e lutei bravamente contra todos os monstros e vozes da minha cabeça. E não me arrependo de nada, exceto… Exceto de ter dedicado a minha poesia a uma pessoa que se mostrou, nestes últimos dias, fria e rasa, qualidades totalmente opostas ao que eu esperava. Ter dedicado o que há de mais puro, divino e sacro em mim, a quem não poderia receber, é a minha maior tristeza, pois escrever é única coisa que sei fazer e que sei que Deus me deu para que eu pudesse me sentir importante, no mundo. Mas quando alguém não sabe nos ler, a gente acaba se sentindo insignificante e perdida, como me senti esses dias. Sei que daqui a algum tempo vou me apaixonar novamente, sei que cometerei, talvez, os mesmos erros, porém, desta vez, farei de tudo para que, a próxima pessoa, não receba minha poesia, sem merecer.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA.

Nunca, em hipótese alguma, retorne a um lugar ou pessoa que tem vergonha de estar com você.

- Roberta Laíne.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Diário de uma suicída

Tenho certeza que o dia mais feliz da minha vida será quando eu morrer.

Minha mente não vai mais trabalhar e eu enfim vou descansar. Enfim vou descansar.

- Roberta Laíne.