sexta-feira, 3 de junho de 2022

Desde o dia em que Ivane entrou na minha vida eu tenho sido uma pessoa mais feliz. Ivane cuida de mim como ninguém, e me ensina todos os dias, a visualizar a vida com mais leveza e a procurar saídas e não prisões para os meus problemas. Ao seu lado eu me sinto segura e mais forte, pois sei que ela não me deixaria sozinha e nem desistiria de mim. Ela não tem medo da minha depressão, ansiedade, pânico ou das paranoias de minha cabeça, muito pelo contrário, ela enfrenta todas elas junto comigo e me dá forças para não desistir e continuar. Há dias em que tudo está de cabeça para baixo em minha vida, então penso nela, penso que a tenho, ou melhor, que temos uma a outra, e que posso sair correndo de onde quer que eu esteja para o seu colo, abraço-abrigo-e-casa, então uma sensação de alívio invade o meu corpo e perpassa suavemente a minha alma. Inclusive, é por mim, por ela, e por sua crença absurda em nós, que tenho me esforçado todo os dias, que tenho ido à terapia em busca de remexer em meus vazios e prisões para achar saídas. Eu nunca conheci alguém tão resiliente quanto Ivane, nunca havia visto tanta bondade, generosidade e luz, sair somente de um ser, e sei que nada do que eu escreva conseguirá transmitir a gratidão que sinto por tê-la em minha vida. Espero somente que ela seja feliz, porque quando a gente ama alguém de modo genuíno, queremos verdadeiramente que essa pessoa desfrute da felicidade, em doses grandes, em excesso, em demasia, porque é isso o que pessoas boas devem receber do universo. Obrigada por tanto, por se esforçar tanto, obrigada por tudo, obrigada por ser você.

Eu te amo, ontem, hoje, amanhã e em todas as outras dimensões em que eu esteja, sob um coração bobo que a ti emana amor.

Com ternura,

Roberta Laíne.

domingo, 8 de maio de 2022

A recompensa...

Depois da avalanche que passei no dia anterior, ontem foi um dia mais ameno, com menos crises de ansiedade e pânico, menos pensamentos intrusivos, e com toda aquela agonia vibrando em uma frequência mais baixa, sem me perturbar tanto. Então, pela parte da tarde, resolvi ir à missa com a mamãe, inclusive, fui movida por três motivos: 1. sempre sinto a necessidade de ir à igreja. 2. porque gosto de agradá-la e sei que ela fica muito feliz quando vou. 3. hoje é dia das mães e senti a necessidade de acompanhá-la e, por meio de orações, agradecer por sua vida. No final das contas gostei muito de ter ido à missa, fez bem à minha alma inquieta. Um dos primeiros sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior. Bem, há alguns dias, eu havia prometido à Ivane que iria tentar dormir em sua casa, no sábado, para assistirmos a algum filme, comermos, e dormirmos juntas. Assim, logo pela manhã, havia dito à mamãe que não iria dormir em casa, pois sairia e só voltaria na manhã do dia seguinte, nesse momento me surpreendi muito com a sua resposta, pois, ao invés de ficar chateada e/ou fazer algum tipo de comentário do qual ela achasse que me atingiria, mamãe simplesmente disse que seria bom, pois iria aproveitar para lavar as coisas da minha cama. Confesso que fiquei bem espantada com a sua resposta, e mais surpresa ainda por saber que ela não falou aquilo forçado, ela simplesmente disse, e ficou tranquila com aquilo. Um dos segundos sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior. À noite, já na casa de Ivane, eu estava serena; pedimos um lanche que eu queria que ela experimentasse e, após comermos, fomos olhar a lua; ficamos de mãos dadas olhando-a, enquanto comíamos fini e eu bebia coca-cola, ouvindo algumas músicas que selecionei; eu estava em paz, estava terna e amena. Um dos terceiros sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior. Eu não sabia que poderia ser recompensada pelo dia anterior de merda que tive, eu não lembrava como era almejar a vida, pois sem a depressão, o pânico e a ansiedade, meu corpo e minha mente conseguiam conversar, sem o meu coração fazendo barulhos assombrosos, era possível viver e gostar de estar viva, era possível continuar e ter a consciência disso foi um dos quartos sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior.

- Roberta Laíne.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Essa semana tem sido preenchida de dias muito difíceis para mim. Eu estou cansada, estou muito cansada. Na verdade, estou exausta! Exausta de adoecer, de ir ao hospital, e de ser a fraca, desde criança. Um dos meus maiores cansaços é o dos meus remédios e das minhas idas ao hospital. Quando você luta contra a depressão e ansiedade há 10 anos, chega um momento em que você fica exausta de tudo, de absolutamente tudo e todos, da sua família, de médicos, de psiquiatras, de terapeutas, diagnósticos, enfermeiros, exames, remédios, clínicas, hospitais. Você começa a ir a esses lugares se sentindo uma fracassada, um lixo, um barco cheio de buracos. Inclusive, é assim que me sinto em grande parte da minha vida, um barco cheia de buracos, que está enchendo de água a cada dia que passa, naufragando dia após dia. 

Eu estou mudando muito nestes últimos tempos, mudando para pior. Estou a cada dia mais irritadiça, estressada, ansiosa, oscilando de humor com muita facilidade e, sobretudo, deixando a ideia de suicídio entrar em minha mente como uma real possibilidade, e isso me assusta, pois eu nunca pensei em suicídio, mesmo depois de uma grande amiga ter se matado na adolescência; mesmo depois de minha namorada ter tirado a própria vida na idade adulta; mesmo depois de assistir a inúmeros outros suicídios; eu nunca quis, nunca me imaginei, porém, ultimamente, as coisas têm mudado muito em minha cabeça e tudo tem ficado confuso e desorganizado. É engraçado, nessas horas eu nunca consigo pensar em ninguém, são momentos de puro egoísmo, em que eu só consigo pensar em minha dor e não meço a dos outros, a dos que iriam ficar. Logo em seguida, minha visão fica turva, tudo fica lento, e a morte com seu hálito metálico começa a baforar em meus ouvidos convites tentadores, é incrível, é incrível como tenho ficado inebriada e cega. Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo dessa vez, não sei o que está conseguindo me atordoar tanto, não sei por que estou regredindo absurdamente e numa velocidade espantosa, logo agora que tenho trabalho, tenho a Maria, tenho namorada, e voltei desde o final do ano passado à terapia, mas nada está surtindo efeito, eu não sei o que falta. O que falta? Que vazio é esse? Ele tem nome? Por que eu estou tão exausta? Por que está tudo tão escuro? Quem esqueceu de ligar as luzes? Dá para ligá-las novamente?. Em seu leito de morte Goethe disse: “Luz, mais luz!” e agora eu imploro: Luz, mais luz, mais luz, por favor!

- Roberta Laíne.


sábado, 23 de abril de 2022

Hoje pensei em morrer, eu quis muito morrer, meus pensamentos estavam tão desorganizados que tudo o que eu queria era pôr um fim em minha vida, no entanto, o rosto de Maria surgiu em minha cabeça, foi nesse momento que uma frase voraz sussurrou em meus ouvidos: “É por ela, você precisa conseguir por ela, você vai conquistar tudo por ela! 

É  

P    o     r      e     l     a ”


- Roberta Laíne. 


quinta-feira, 24 de março de 2022

Só leia este texto se você estiver fodidx

Quantas vezes já não tive pena de mim, ao me ver em um canto do quarto, encolhida, jogada às traças, com a alma debulhada em lágrimas... Pergunto a Deus, todos os dias, se serei absolvida do maior pecado que cometo, o de maltratar tanto a mim mesma, com a alma debulhada em lágrimas. Vejo a vida passar em recortes pequenos, como o bater de asas de uma borboleta, enquanto um filme triste passa por minha cabeça, ao fundo uma trilha sonora melancólica, é o som da minha alma debulhando-se em lágrimas. Vejo o sol se pondo, enquanto os pássaros vão em busca de abrigo, vejo as pessoas retornando para suas casas, e a cidade se aninhar inteira, repousando para o próximo dia, mas, e eu? Para onde vou? Onde repouso? Onde está a minha casa? É aí que me encolho num canto escuro, na sargeta da minha vida, e escuto, a noite inteira, o debulhar de minha alma em lágrimas.

- Roberta Laíne.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Aquele que tem o teu nome, Ivane.

Eu queria escrever um pouco sobre a Ivane, pois ela tem sido, ultimamente, peça fundamental em minha vida. Primeiro de tudo queria dizer que ela me dá nos nervos por ser demasiadamente grudenta. Meu Deus, ela enche o meu saco com essa coisa de me agarrar e me encher de beijos, fazendo aquela vozinha melosa que eu odeio, um saco! No entanto eu a amo, e tem sido esse amor uma das partes mais leves de minha vida. A propósito, somos duas pessoas totalmente diferentes, somos muito diferentes, muito diferentes mesmo! De todas as namoradas que tive, Ivane é a mais diferente de mim, obviamente isso tende a suscitar conflitos e faíscas, mas ao mesmo tempo talvez seja o que nutre o que sentimos uma pela outra. Ivane me ajuda muito a driblar a minha cabeça, não sei o tanto de vezes que já cheguei ou saí perturbada de sua casa, com corpo e alma em total desequilíbrio, mas, depois de muitas tentativas de diálogo, ela conseguiu me ajudar a achar a saída, por mais dispendioso de tempo e paciência que isso possa ter custado a ela. Inclusive, Ivane nunca esteve cega à minha depressão, ansiedade e traumas, muito pelo contrário, ela aceita que eu tenho limitações, e me oferece a mão para que eu possa transpor essas barreiras. É difícil encontrar alguém que queira te ajudar, principalmente quando você é uma bola de problemas, por isso sei do sou grande valor em minha vida. Eu sempre tive muita sorte em encontrar pessoas simplesmente incríveis, não por me ajudarem, mas, por eu perceber o quão elas são realmente fodas, como a Ivane é, carregando qualidades que me hipnotizam: um coração gigantesco, e uma resiliência tremenda. Obrigada por suportar a larva, antes que ela se torne borboleta. Amo você.

- Roberta Laíne. 

sábado, 22 de janeiro de 2022

"Happiness is a butterfly"

Ontem dormimos juntas pela primeira vez e isso foi muito importante para mim, principalmente porque, no meio da madrugada, eu acordei muito mal, com uma crise de pânico e ansiedade severa. Eu estava gelada, com o coração a mil e uma sensação horrível. Nessa hora, lembrei da mamãe e do meu quarto, desejando estar em casa, sem entender o porquê de essas crises terem reaparecido. Decidi acordá-la e avisar o que estava acontecendo e recebi em troca compreensão e colo. Eu tinha certo medo de ser julgada, passei tantos anos escutando o quão minhas crises eram besteiras, que acabei por sentir medo de que todos assim as achassem, mas ela não. Inclusive, perguntou-me se eu não queria que ela lesse para mim e eu disse que sim. Então, buscou seu celular e abriu um aplicativo que possuía vários livros, nessa hora meus olhos brilharam e dei um sorriso meio sem graça, pois outra onda de pânico estava se formando em meu corpo. Agarrada a mim, pediu-me para escolher um título e eu respondi quase que simultaneamente: "O pequeno príncipe". Não sei ao certo o porquê da escolha, e de ter sido o único livro que veio à minha mente naquele momento em que ela estava altamente bagunçada. Talvez pelo fato de eu sempre ter achado a obra doce, um livro ameno que, inclusive, trata de coisas amargas e difíceis. Talvez eu quisesse voltar a dormir e só conseguisse se me distanciasse da maldade das crises e da prisão que é o medo de senti-las novamente. Agarrei-me ao seu braço e repousei minha cabeça sobre o seu peito enquanto ela lia, naquele momento eu estava totalmente vulnerável, mas não tive medo de que ela soubesse disso, não tive medo de demostrar que estava precisando muito de sua ajuda e do pequeno príncipe também. Após a terceira crise cessar, enquanto ela lia, meu corpo foi se acalmando, o pânico e a ansiedade perceberam que, por mais que continuassem, agora eu não estava mais com medo e sozinha, agora estava abrigada e terna, foi aí que dormi novamente, enquanto o alívio tomava conta de todo o meu corpo e eu percebi que a felicidade é uma borboleta...

- Roberta Laíne.