sábado, 20 de novembro de 2021

Sexualmente falando, eu tenho a necessidade de ser dominadora. De comprimir a pessoa entre espaço e tempo e dizer: "Quem manda aqui sou eu!". E em meus braços, eu preciso que você me diga que te faço mulher, que te faço se sentir uma parte surreal da galáxia. "Quem vai te foder sou eu!". Eu preciso que você precise sentir a necessidade inexplicável de que eu te foda. "Porque eu vou te foder!". O mais interessante disso tudo é o que eu vou te contar daqui para frente, pois, o fato de eu me sentir dominadora, e comandar a coisa toda, em nenhum momento faz com que eu me sinta superior. Muito pelo contrário! Se eu te domino, se eu comando a ordem das coisas, significa que eu estou absolutamente entregue, vulnerável e escrava de ti. É interessante observar a palavra "domínio" ou a sentença "Quem manda aqui sou eu" e achá-las narcisistas, mas, no final das contas, eu é quem estou sendo dominada, eu é quem estou sob o teu efeito e tuas vontades, eu é que me doei. Eu sei que isso é muito paradoxal, e eu não espero que você me compreenda, caro leitor(a), na verdade, eu só queria expurgar o que sinto e me livrar destas palavras que me perturbam até formarem uma frase, um texto, um todo significativo. Talvez eu realmente não queira nada ou talvez eu queira sim, tudo, e te faças, ao me ler, com que tu se abras a mim, sinta um pouco do meu ardor e queira que eu te foda, te foda lentamente, por meio destas e de outras tantas palavras e sentenças, e sabe-se lá o que, nem o porquê, como muito na vida.

- Roberta Laíne.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Se eu escrevo, é por que há murmúrios dentro de mim.

- Roberta Laíne.

sábado, 30 de outubro de 2021

"Há um passado no meu presente"

Há poucos dias, fui para mais uma sessão de terapia que iniciei recentemente, e o tema do encontro foi Cássia. Acho que, passe o tempo que passar, sempre será difícil falar sobre ela. Inclusive, fiquei meio mal depois, mexer nessa zona é sempre bem desconfortante para mim. Narrei o que pude, mas sempre com a sensação de que poderia mais, muito mais. No meio da coisa toda, algo chamou a minha atenção. No final da sessão, já com a visão turva por conta das lágrimas, escutando em segundo plano a terapeuta falar que não foi culpa minha, que havia sido uma escolha dela e, ao contrário do que eu achava, eu havia feito parte de momentos felizes da sua vida... Quando de repente uma sentença vazia e incolor saiu de minha boca: “Eu queria não tê-la conhecido”. Até agora isso está ressoando aqui dentro do meu peito, está batendo em minha caixa torácica, conforme a pulsação do meu coração. “Eu queria não tê-la conhecido” foi muito áspero, severo, sem brilho. Isso me machucou, machucou muito. Querer não tê-la conhecido é muito dolorido, e o mais engraçado de tudo é que, eu não falei isso por egoísmo, ou pelo fato de querer abster-me de toda a dor e sofrimento que permeou a sua morte. Não, não é nada disso. Na verdade, eu não queria tê-la conhecido pelo severo sentimento de culpa, pela claustrofobia que é pensar que tive influência sobre sua escolha, que se, caso ela estivesse com outra pessoa, que não fosse eu, poderia estar viva e feliz. Eu queria tanto que ela estivesse viva... Eu queria tanto que ela estivesse viva e feliz. Eu queria tanto que ela estivesse. Não como ela estava, Cássia não era feliz, por isso queria que estivesse viva e diferente do que era, como nunca a vi. Queria ela tivesse vontade de viver, com determinação para correr atrás de seus sonhos, queria que Cássia tivesse sonhos. Queria que ela soubesse lidar com as dificuldades que estavam à sua volta. Que seus problemas familiares e tantos outros, como traumas e feridas mal curadas, tivessem menos poder sobre ela, e que conseguisse conseguir. Mesmo morrendo de ciúmes, eu preferiria um zilhão de vezes que ela estivesse, nesse exato momento, feliz nos braços de outra pessoa, e sobretudo viva. Não só respirando, queria que ela estivesse viva, respirar todo mundo respira, respirar ela também respirava, mas não estava mais viva, por isso eu queria muito que ela tivesse recuperado a capacidade de viver, não por ninguém, mas por si, por acreditar na alma esplêndida e foda que era. Infelizmente nem tudo o que queremos depende só de nós, mas, se dependesse de mim, eu gostaria de que ela estivesse aqui, em paz, feliz, e sobretudo viva.

Com carinho, 

Roberta Laíne.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Se você tem pena de si, o que você espera que as pessoas tenham de você?

Há algumas semanas, tive uma atitude bonita ao meu respeito: voltei a fazer terapia.

Há tempos eu não estava bem, e viver tinha voltado a ser um fardo. Foi então que comecei a movimentar-me ao meu favor e busquei ajuda. Primeiro procurei um psiquiatra que, na primeira consulta, não mostrou nenhum tipo argumento convincente a respeito do meu testemunho. Um senhor desatento e que só falava em duas coisas: exercícios físicos e Deus. Não que eu tenha algo contra, mas acredito que anos de medicina, somados aos de sua especialização em psiquiatria, deveria revelar àquela pessoa, um arsenal muito mais vasto. Enfim, saí de lá chateadíssima e nunca mais voltei, pois parecia mais que era ele quem precisava de um psiquiatra. Foi então que resolvi voltar à terapia. À priori, estava resistente, não queria, pensei no quão seria enfadonho contar toda a minha narrativa a alguém que eu não conhecia. Mas, como eu sabia que precisava, fui. E agora sinto-me melhor, a terapeuta consegue fazer perguntas interessantes a mim, as quais me fazem refletir a respeito de algumas posturas e atitudes, e isto é, por si só, excepcional, pois dificilmente as pessoas ao meu redor me fazem refletir. É meio que raro eu escrever coisas felizes a cá, mas acho que o que narro agora é feliz, porque eu busquei ajuda e só queria deixar registrado o quão é importante para nós, seres humanos, refletirmos sobre o mundo aqui dentro, mergulhar no eu, protagonizar, ser, um, uno, Roberta.

- Roberta Laíne.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Talvez eu não demore mais tanto

Eu não aguento mais morar com a mamãe. É simplesmente infernal! Eu não posso respirar, tudo o que faço é errado, somente a ação dos outros é que é a correta e isso está me deixando sem ar, estou morrendo sufocada e ninguém vê. Mamãe me adoeceu há muitos anos e tudo o que posso fazer é silenciar.

Diretamente do inferno,

Roberta Laíne.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Ultimamente tenho me sentindo muito abaixo de tudo e todo mundo. É uma sensação esquisita, incômoda e desconfortante. Simplesmente sinto que não deveria olhar para mais ninguém, falar com mais ninguém, e não estar mais perto de ninguém, porque minha existência incomoda. Eu sinto que incomoda. É como se o fato de eu respirar fosse uma grande ofensa para as pessoas. E isso me deixa tão triste, mais tão triste, que me encolho na cama o máximo possível, para vê se diminuo o espaço que ocupo no mundo, para vê se comprimindo o meu corpo ele some, pra vê se eu paro de sentir o que sinto, essa dor fina e claustrofóbica que é existir.

- Roberta Laíne.

sábado, 4 de setembro de 2021

"Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste, viva"

Caro leitor, hei de emanar uma proposição mais que verdadeira: você irá morrer.  

Há alguns anos, depois que me tornei uma colecionadora de perdas irreparáveis, parei de deixar as coisas para uma ocasião especial. Comecei a comer a pizza do final de semana em plena segunda-feira; passei a vestir a calça nova, que havia comprado para ocasiões específicas, na terça, para ir à padaria; comecei a comer a parte mais gostosa do bolo primeiro, não deixando nada de empolgante para o final. Depois que percebi que não somos para sempre, parei de guardar as coisas para um dia futuro. Resolvi cortar o meu cabelo da maneira mais diferente possível e comecei a testar mais possibilidades em mim, não deixando nada para o fim do semestre, da semana ou do dia. Perceber que vamos morrer não é o fim do mundo, e, sim, uma dádiva, imagina só ficar aqui, para sempre, nesse mundo caótico e cheio de injustiças? Deus nos livre! Bem, o que eu queria te dizer com tudo isso, além do fato de que somos instantes, é que está tudo bem sentir medo, inclusive, grande parte das coisas que faço é com medo, porém, o que você não pode é deixar de fazê-las, por que meu amigo, se há algo no mundo que eu posso te afirmar é: você vai morrer, então seja, apenas.

- Roberta Laíne.