domingo, 30 de agosto de 2015

Vai me dizer que você nunca fechou os olhos, imaginou aquela música lenta de fundo, e alguém olhando fixamente dentro dos teus olhos, a pele explodindo em chamas, as palavras não saindo em frase alguma, o erro verbal te açoitando, a música chegando próximo ao refrão, você sentir que a terra rotaciona e translada e ficar tonto, o magnetismo do planeta aproximar vocês, a luz ficar mais amena, engolir em seco fazer parecer um barulho de dois trovões, teu corpo, outro corpo, o refrão da música, a terra rotacionando um beijo de curta metragem, coração acelerado, refrão cantado, riso sem graça, e o resto? O resto só dá pra contar de olhos fechados.

Eu também já me apaixonei...

- roberta laíne.

sábado, 29 de agosto de 2015

Não invada minha privacidade, não invada meu mundo, não entre, as consequências serão sempre amargamente grandes. Então não ouse.

- roberta laíne.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Depressão.

Não encontro mais saída, olho ao meu redor e não vejo ninguém. Grito e ninguém me escuta. Estou morrendo, estou morrendo aos poucos, estou morrendo e ninguém vê, ninguém consegue enxergar. Tudo é escuro, tudo é escuridão na minha vida. Pego meu celular e não tenho pra quem ligar, não tenho com quem trocar uma palavra, não tenho nada. Estou suplicando por alguma palavra, por um gesto, uma ação, uma saída, se é que devo continuar viva estou esperando uma luz, "uma palavra amiga, uma notícia boa" estou esperando qualquer coisa. Qualquer vida. Alguém? Você está me escutando? Por favor, não me deixe morrer. Me ajuda.
- roberta laíne.

domingo, 23 de agosto de 2015

Há momentos que você precisa falar, mas falar só pras paredes mesmo, às vezes você não precisa de respostas, só de perguntas. Saídas? Não. Procure mais entradas, vá entrando, se perca um pouco e caso não lembre o caminho de volta, forje um. Tudo nessa vida é forjado, com exceção é claro de nossas vontades, a fé e o amor. O resto, é mera cópia de tudo, com outros atores, outro roteiro, mas o mesmo filme. Não se iluda. Não controle suas vontades, exagere na fé, e tente não compreender o amor. O resto, forje.

Com vontade, fé, e amor

- roberta laíne.

Às vezes acordo, noutras só recordo...

- roberta laíne.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Assisto 3 filmes por dia, raramente arrumo o cabelo, dificilmente procuro uma roupa diferente pra vestir. Não me olho mais no espelho, tenho medo do que vejo. Como pouco, vivo pouco, pouco é uma palavra que me é muito. Às vezes assisto TV, na verdade ligo a TV e desligo em seguida, a TV ultimamente anda sendo um acúmulo de séries e filmes de terror. Durmo bastante, agora leio pouco, meus remédios me impedem a concentração, e se me concentro logo tenho a ânsia de me desconcentrar. Não vivo na realidade, sou desfocada, deslocada, desolada. Não sou triste, nem feliz, eu apenas sou, mas também não sei definir o quê. Meu peito pesa, o coração bate atrasado e vezes se apressa, sou calma e desesperada, sou mais desesperada que calma, mas sou silêncio, sou calada, não falo, não pronuncio, não balbucio, não puxo conversa nem qualquer tipo de assunto, não que eu não tenha o que falar, é que tenho muito o que dizer. Não gosto da cor rosa, odeio ir ao supermercado, ando de cabeça baixa, falo sozinha ou com meus fones, acredito em Deus, mas em nenhum ser humano. Amo animais, queria ser um passarinho ou uma andorinha, converso com flores, queria ser um ninho. Tenho medo do escuro, durmo de abaju, a porta sempre entreaberta, pois se por acaso algum monstro entrar terei uma brecha pra sair, é uma tática bem esquisita. Às vezes tenho pesadelos e acordo suada no meio da noite, tem noites que nem durmo e tenho pesadelos, tem noites que deito só pra molhar o travesseiro. Não gosto da minha colcha de cama, ela tem um detalhe rosa e como já disse tenho problemas com a cor. Sempre rezo antes de dormir, sempre acordo com a sensação de mais sono, sempre sonho. Às vezes sonho com pessoas que nunca vi, tem vezes que sonho com mundos paralelos, tem sonho que me dá vontade de chorar e o dia começa mal, outros da vontade de sorrir e começa bem. Gosto de idosos, acho pele enrugada bonita, gosto de pessoas de cor negra, não tenho medo de pessoas que a sociedade rotula de "mal encaradas" ou "mal vestidas", o problema do mundo é que ele anda colocando a palavra "mal" antes de tudo, hoje em dia tudo é, mal pago, mal educado, mal humorado, mal criado, mal mal mal. Não gosto de pessoas que se vestem demais, não gosto de meninos mais, não gosto do que estou escrevendo, não gosto de finais. Tenho medo de chuvas, de florestas, morro de medo do mar. Gosto de comprar livros e nunca abri-los, gosto de capas, papel de presente, palito de picolé, tenho medo da água do planeta acabar, gosto de ler Shakespeare, mas isso não me faz intelectual. Ainda penso em Álvares de Azevedo, não gosto de Almeida Garrett, acho fascinante a cara de nojo de Lispector e leio escondida Paulo Coelho. Não sou alguém importante, mas me importo com alguém, tenho vestido mas não uso, parei de tomar café.

Sou sempre consequência e nunca a causa.
- roberta laíne.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Passei tanto tempo da minha vida só - tanto tempo tendo que lidar com a solidão, que, hoje em dia não sei mais ser dois, plural, conjunto, coletiva. Se por exemplo tu fores embora e me deixar em algum lugar, provavelmente eu ainda esteja lá quando voltares, provavelmente eu esteja encolhida em algum canto, para não ocupar muito espaço, não gosto de incomodar. No meu quarto quase nada modificou, sou muito parecida com esses móveis que quase nunca saem do lugar, e, quando saem, se rastejam por uma distância mínima, para desabarem quase no mesmo canto, assim também sou. Algumas, a maioria, quase todas as pessoas, mudam, mudam de endereço, de corte de cabelo, de roupa, de mania, de grupo, de ciclo, mas eu continuo lá, imóvel, velha, com o mesmo endereço, o mesmo corte de cabelo, as mesmas manias, sem grupo, sem ciclo, com um resto desarrumado de vida. Sem perfume, sem batom, sem maquiagem. Às vezes, acho que sou mendiga do meu próprio corpo, noutras vezes, me olho no espelho e não reconheço o reflexo que vejo, parece uma coisa abstrata, sem cor, sem forma, sem nada, parece tão pouco que chego a parecer nada, e nada por nada, não sou, acabou, aqui, em mim, nada enfim.
- roberta laíne.