Deixe suas roupas a cá, pendure-as ali, e leia de fato, o que tanto falo, que faltas me faltam, que verbos me embalam, eis os meus Poemas de Quarto... (Roberta Laíne)
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
Como quando fodemos e fazemos amor ao mesmo tempo...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Ora, não precisava se matar...
Romeu e Julieta não tiveram tempo para se conhecerem, pois, se tivessem, talvez nem juntos estariam. Viver com o outro requer muita paciência e obstinação. Estar de frente com as faltas e falhas de outra pessoa e até mesmo com as nossas, pode ser exaustivo e, por isso, e por mais um milhão de outros motivos, está tudo bem ir embora. Teobaldo, primo de Julieta, não precisava ter matado Mercúcio, amigo de Romeu. E Romeu, por sua vez, não precisava ter matado Teobaldo. Ninguém precisava ter matado ninguém, muito menos terem se matado, se Romeu e Julieta tivessem tempo de se conhecerem. Para a neurociência, a paixão é um estado de demência temporária, desse modo, nossas atitudes, no momento em que estamos apaixonados, perdem filtros importantes para que possamos racionalizar as coisas. Lembro-me que a primeira vez que me apaixonei foi assim, foi como Romeu e Julieta, pois, ao meu ver, não havia razão de estar em um mundo no qual a pessoa que eu amava não estivesse (comigo), só que, antes de alguém morrer e ninguém morreu, felizmente, o tempo passou e eu comecei a enxergar claramente quem era a pessoa que eu dizia amar unicamente, e tenho quase certeza que se, Julieta tivesse tempo para conhecer Romeu (ou vice-versa) ela iria era querer matá-lo ao invés de se matar. Ultimamente, observo muitos casais Romeu e Julieta, e fico me questionamento a respeito da atemporalidade da obra. É engraçado como conceito de amor líquido de Bauman se cruza aqui com o exagero de Shakespeare e o resultado é esse boom de relacionamentos intensamente vazios ou vaziamente intensos. Sei que soa extremamente paradoxal, mas sinto que há, nesses relacionamentos, uma real intensidade, acompanhada de um enorme vazio. Enfim, eu só escrevi esse texto para avisar ao Romeu e a Julieta, ou a qualquer Maria, João ou Roberta, que não precisa se matar não, no final das contas talvez o Romeu fosse um escroto, e a Julieta? A julieta mais ainda...
- Roberta Laíne.
sábado, 20 de novembro de 2021
Sexualmente falando, eu tenho a necessidade de ser dominadora. De comprimir a pessoa entre espaço e tempo e dizer: "Quem manda aqui sou eu!". E em meus braços, eu preciso que você me diga que te faço mulher, que te faço se sentir uma parte surreal da galáxia. "Quem vai te foder sou eu!". Eu preciso que você precise sentir a necessidade inexplicável de que eu te foda. "Porque eu vou te foder!". O mais interessante disso tudo é o que eu vou te contar daqui para frente, pois, o fato de eu me sentir dominadora, e comandar a coisa toda, em nenhum momento faz com que eu me sinta superior. Muito pelo contrário! Se eu te domino, se eu comando a ordem das coisas, significa que eu estou absolutamente entregue, vulnerável e escrava de ti. É interessante observar a palavra "domínio" ou a sentença "Quem manda aqui sou eu" e achá-las narcisistas, mas, no final das contas, eu é quem estou sendo dominada, eu é quem estou sob o teu efeito e tuas vontades, eu é que me doei. Eu sei que isso é muito paradoxal, e eu não espero que você me compreenda, caro leitor(a), na verdade, eu só queria expurgar o que sinto e me livrar destas palavras que me perturbam até formarem uma frase, um texto, um todo significativo. Talvez eu realmente não queira nada ou talvez eu queira sim, tudo, e te faças, ao me ler, com que tu se abras a mim, sinta um pouco do meu ardor e queira que eu te foda, te foda lentamente, por meio destas e de outras tantas palavras e sentenças, e sabe-se lá o que, nem o porquê, como muito na vida.
- Roberta Laíne.
terça-feira, 16 de novembro de 2021
Se eu escrevo, é por que há murmúrios dentro de mim.
- Roberta Laíne.
