quarta-feira, 10 de março de 2021

"É o fim do mundo todo dia da semana"

Volto aqui, porque não posso me distanciar daquilo que mantém viva. Mesmo inanimada, sem um pingo de vontade de escrever, de viver, de ser... Deixo minha confissão de que só estou de pé por pura obrigação, estou no automático e fazendo as coisas de supetão, estou absurdamente perdida de mim. Desde que a Zot morreu, e foi acrescida na lista das mortes mais absurdas da minha vida, eu tento encontrar uma fresta, um feixe de luz, mas tudo o que encontro é o reflexo do meu próprio retrato no espelho, a sombra de alguém que está tão perdido quanto uma agulha em um palheiro, alguém que não tem mais paixão nas coisas da vida. Toda a intensidade que me mantinha de pé, resvala agora em lugar algum, todo o vigor incontestável que me aprumava na vida, está se transformando em pesadelos que tenho à tarde, quando vou cochilar ou dormir. Tudo o que sou agora é cinzas, pareço um dia de feriado, um cortejo fúnebre em dia de chuva, um salmo triste da missa do domingo. Eu olho para as pessoas e sinto uma vontade imensa de correr para dentro do meu quarto, esconder-me debaixo do meu cobertor, e fechar os olhos bem fortes, sentindo-me segura e longe de toda sensação urgente de ser. Eu desaprendi a ser, não sei mais como que é estar, porque eu não estou mais, eu não existo mais aqui.

Com carinho, 

Roberta Laíne. 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Imagina só se nós déssemos ouvidos às pessoas que passam por nossas vidas e que deixam uma mensagem poeticamente canalha, digo, aquele tipo de comentário, por exemplo, a um estudante de enfermagem, dando-lhe a dica de que ele deveria estudar um pouco mais e se formar em medicina, pois ele seria bem mais reconhecido e prestigiado socialmente e ganharia muito mais dinheiro. Imagina só se não tivéssemos enfermeiros? Cujo papel é imprescindível e magnífico no processo de assistência ao paciente. Quem faria isso por nós? Imagina só se déssemos ouvidos aos comentários canalhas que fazem para aqueles que pensam em se tornar professores, quem iria embasar os filhos da nação no Ensino Infantil? Quem asseguraria essa continuidade no Ensino Fundamental e Médio? Existiriam faculdades?. Esses comentários canalhas nos cercam a todo momento e em qualquer lugar, seja menosprezando o padeiro, que poderia ser um chefe de cozinha, seja subalternizando o pedreiro, que deveria ser um engenheiro ou arquiteto, seja desdenhando a costureira, que deveria ser uma estilista. Os comentários canalhas são tão baixos, que vociferam a crença de que dançarino, músico, cantor, compositor, pintor, escultor, poeta são vagabundos, como se conseguíssemos viver sem a Arte, como se fosse possível suportar a vida dessa maneira, pois até os homens das cavernas buscaram na arte uma forma de sobreviverem. Esses comentários canalhas são sinônimos de pobreza, e quero que você entenda, estenda, e rasgue a palavra no seu nível mais profundo, porque só a pobreza explica tamanha canalisse. Termino essa prosa dizendo-vos, não dá nem para imaginar como seria o mundo no qual todos déssemos ouvidos e/ou formas a esses comentários canalhas... Amém.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Eu nunca tive medo quando um cachorro de rua avançava ou se aproximava de mim, meu medo sempre foi quando algum ser humano chegava perto. 

"Os seres humanos me assombram"

- Roberta Laíne.

domingo, 31 de janeiro de 2021

O terceiro dia mais triste da minha vida.

Zot, se eu soubesse que hoje seria o teu último dia de vida, teria parado mais os meus olhos em ti, e te observado mais, só pra eu deixar ainda mais registrado, em meus olhos, o teu amor, o nosso amor. Teria te dado aquele banho que venho enrolando desde a semana passada, teria te enchido de versos e poesia e canções que falassem sobre amizade/amor. Se eu soubesse que hoje seria o teu último dia, sem dúvidas, teria te feito mais carinho, dado mais beijos e abraços, todos bem mais demorados. Teria te dado mais comida no almoço e te embrulhado um pouco mais na hora da chuva. Ah, Zot, se eu soubesse! Se eu soubesse teria feito tudo um pouco mais, não por que faltou, mas porque você sempre mereceu um pouco mais. Ah, Zot, se eu soubesse! Eu pularia o dia de hoje mil vezes! Mas como nada sabemos, eu te entrego meu pranto e o meu muito obrigada. Obrigada por esses 13 anos, obrigada por me amar tanto, e por se deixar ser tão amada. Foram nos momentos mais difíceis de minha vida, de depressão, de pânico e de ansiedade, que tu encostavas teu corpo em mim como quem dizia: eu tô aqui, ok? Fostes tu que acompanhastes incontáveis fases da minha vida: escola, cursinho, faculdade, emprego, namoros, frustração, perdas irreparáveis e alegrias sorrateiras, foste tu, foste tu, ah, Zot, se eu soubesse.
Fica bem, tá, vida? Obrigada pela oportunidade do amor genuíno, perdoa qualquer coisa, pelo exagero, pela porção de carinho, por te amar sem medida.
Nos veremos em breve... Te amo, vida.

Roberta Laíne.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Eduarda?

Das três bocas que beijei
Nenhuma era de Eduarda.
Na hora foi bom, confesso tal graça.
Mas depois me perguntei:
Onde será que está Eduarda?

Das três bocas que beijei
Enquanto as línguas se entrelaçavam,
O mar parecia vibrante.
Mas depois que a onda passou me indaguei:
Por que Eduarda está tão distante?

Das três bocas que beijei,
Uma delas transei.
Na hora, as células se movimentavam até o gozo vir.
Mas depois que gozei, cai para o lado, acendi um cigarro e protestei:
Por que Eduarda não está aqui?

Das três bocas que beijei, do corpo que transei, das trocas que tive, em todas eu lembrei: Eduarda foi o que nunca tive ou o que sempre sonhei?

Roberta Laíne.







quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Fazia uma semana que eu queria escrever esse texto

Catarina talvez tenha voltado porque, há 3 anos, esquecera um molho de chaves sobre a cômoda, que ficava ao lado da cama, daquele quarto de hotel barato. 
Quando vim embora de sua cidade, trouxe comigo o molho de chaves como a prova mais insegura de que um dia vivemos algo, naquele quarto de hotel. Catarina tinha 15 anos na época, e minha alma denunciava uns 130. Não sei se Cataria se apaixonou por mim a primeira vista, comigo pelo menos não foi assim, na verdade, eu nem tinha notado sua existência, não fosse ela me mandar mensagem puxando assunto. Palavras, foi naquele momento em que me apaixonei. As palavras de Catarina eram muito convidativas, não por que ela dava em cima de mim, e sim porque eu sabia que de alguma maneira ali havia muito mais, dali, daquela fonte, onde a imaturidade escorria solta, flashes de inteligência me puxavam para perto. Havia muito mais.
Se eu soubesse que perceber sua existência me causaria tanta confusão e dor... É óbvio que nunca daríamos certo, ela tinha somente 15 anos e muitas reticências na cabeça. Ávida de vida que sou, sofri por ter que entender que naquele momento não teríamos o nosso próprio tempo. Fui embora daquela cidade com uma dor de Catarina, uma mágoa, um azedume da vida.
Mas, como toda boa e velha história, o tempo passou me fazendo esquecer tudo o que houve, mesmo que vez ou outra eu abrisse as minhas redes sociais, digitasse o nome dela, e visse um pouco de nada. A existência de Catarina me incomodava, saber que ela respirava era um misto de alívio e solidão, mas não havia mais nada a ser feito, o fim do que nem havia começado foi certeiro e frio.
Semana passada, quando já se completavam alguns anos do fim do que não teve começo, acordei no meio da noite e havia uma solicitação de Catarina em uma de minhas redes sociais, e, na hora, meio dormindo, meio acordada, só pensei: eu estava te aguardando... E voltei a dormir. Catarina mandou-me mensagem mas ignorei, ou pelo menos tentei, mandou-me outra e persisti no meu posicionamento, inclusive um posicionamento muito contraditório por sinal, afinal se eu estava aguardando-a então por que o silêncio? Todavia, passado algumas horas, o meu próprio silêncio começou a me incomodar, minhas células começaram a vibrar irrequietas com aquilo, foi então que decidi respondê-la, pedindo que me falasse o que queria com a reaproximação. Catarina disse que estava carregada de boas intenções e foi muito gentil comigo, no entanto, fui clara na recusa, sem titubear. Deixei Catarina falar o que sentia necessidade e depois falei, falamos o que foi necessário e guardado pelo tempo. Depois disso, pedi para que ela retornasse ao seu mundo e não mexesse com o meu e assim ela fez. De qualquer forma, foi bom terminar o que nem existiu, foi bom pôr um fim ao que nunca teve um começo, foi necessário, pois. E eu não acho que Catarina tenha aparecido no momento errado, muito pelo contrário, acho que ela apareceu no momento certo, de pronto ao movimento em que o universo se alinhou a esse momento... No entanto eu não estava mais lá, naquela história, com aquele amor, com aquelas palavras. Eu já não existia, porque eu tenho essa mania brutal e categórica de que, se você não consegue lidar conosco no momento da história, então nunca volte, nunca volte depois que o filme acaba e a tela fica preta, pois eu não estarei. Eu nunca fico... A não ser onde tu me deixastes, em 2018, é lá que eu estou, e é de lá que nunca mais irei voltar.

Com amor,

Roberta Laíne.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Nestes meus 28 anos, dessa estadia vária na terra, já andei em diversos grupos, trocando energia com uma porção de pessoas e almas dispersas, mas nenhuma chegou aos pés das prostitutas, dos drogados, e dos poetas... Somente eles sabiam falar de amor, com eloquência e sem pressa. 

- Roberta Laíne.