quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Eduarda?

Das três bocas que beijei
Nenhuma era de Eduarda.
Na hora foi bom, confesso tal graça.
Mas depois me perguntei:
Onde será que está Eduarda?

Das três bocas que beijei
Enquanto as línguas se entrelaçavam,
O mar parecia vibrante.
Mas depois que a onda passou me indaguei:
Por que Eduarda está tão distante?

Das três bocas que beijei,
Uma delas transei.
Na hora, as células se movimentavam até o gozo vir.
Mas depois que gozei, cai para o lado, acendi um cigarro e protestei:
Por que Eduarda não está aqui?

Das três bocas que beijei, do corpo que transei, das trocas que tive, em todas eu lembrei: Eduarda foi o que nunca tive ou o que sempre sonhei?

Roberta Laíne.







quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Fazia uma semana que eu queria escrever esse texto

Catarina talvez tenha voltado porque, há 3 anos, esquecera um molho de chaves sobre a cômoda, que ficava ao lado da cama, daquele quarto de hotel barato. 
Quando vim embora de sua cidade, trouxe comigo o molho de chaves como a prova mais insegura de que um dia vivemos algo, naquele quarto de hotel. Catarina tinha 15 anos na época, e minha alma denunciava uns 130. Não sei se Cataria se apaixonou por mim a primeira vista, comigo pelo menos não foi assim, na verdade, eu nem tinha notado sua existência, não fosse ela me mandar mensagem puxando assunto. Palavras, foi naquele momento em que me apaixonei. As palavras de Catarina eram muito convidativas, não por que ela dava em cima de mim, e sim porque eu sabia que de alguma maneira ali havia muito mais, dali, daquela fonte, onde a imaturidade escorria solta, flashes de inteligência me puxavam para perto. Havia muito mais.
Se eu soubesse que perceber sua existência me causaria tanta confusão e dor... É óbvio que nunca daríamos certo, ela tinha somente 15 anos e muitas reticências na cabeça. Ávida de vida que sou, sofri por ter que entender que naquele momento não teríamos o nosso próprio tempo. Fui embora daquela cidade com uma dor de Catarina, uma mágoa, um azedume da vida.
Mas, como toda boa e velha história, o tempo passou me fazendo esquecer tudo o que houve, mesmo que vez ou outra eu abrisse as minhas redes sociais, digitasse o nome dela, e visse um pouco de nada. A existência de Catarina me incomodava, saber que ela respirava era um misto de alívio e solidão, mas não havia mais nada a ser feito, o fim do que nem havia começado foi certeiro e frio.
Semana passada, quando já se completavam alguns anos do fim do que não teve começo, acordei no meio da noite e havia uma solicitação de Catarina em uma de minhas redes sociais, e, na hora, meio dormindo, meio acordada, só pensei: eu estava te aguardando... E voltei a dormir. Catarina mandou-me mensagem mas ignorei, ou pelo menos tentei, mandou-me outra e persisti no meu posicionamento, inclusive um posicionamento muito contraditório por sinal, afinal se eu estava aguardando-a então por que o silêncio? Todavia, passado algumas horas, o meu próprio silêncio começou a me incomodar, minhas células começaram a vibrar irrequietas com aquilo, foi então que decidi respondê-la, pedindo que me falasse o que queria com a reaproximação. Catarina disse que estava carregada de boas intenções e foi muito gentil comigo, no entanto, fui clara na recusa, sem titubear. Deixei Catarina falar o que sentia necessidade e depois falei, falamos o que foi necessário e guardado pelo tempo. Depois disso, pedi para que ela retornasse ao seu mundo e não mexesse com o meu e assim ela fez. De qualquer forma, foi bom terminar o que nem existiu, foi bom pôr um fim ao que nunca teve um começo, foi necessário, pois. E eu não acho que Catarina tenha aparecido no momento errado, muito pelo contrário, acho que ela apareceu no momento certo, de pronto ao movimento em que o universo se alinhou a esse momento... No entanto eu não estava mais lá, naquela história, com aquele amor, com aquelas palavras. Eu já não existia, porque eu tenho essa mania brutal e categórica de que, se você não consegue lidar conosco no momento da história, então nunca volte, nunca volte depois que o filme acaba e a tela fica preta, pois eu não estarei. Eu nunca fico... A não ser onde tu me deixastes, em 2018, é lá que eu estou, e é de lá que nunca mais irei voltar.

Com amor,

Roberta Laíne.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Nestes meus 28 anos, dessa estadia vária na terra, já andei em diversos grupos, trocando energia com uma porção de pessoas e almas dispersas, mas nenhuma chegou aos pés das prostitutas, dos drogados, e dos poetas... Somente eles sabiam falar de amor, com eloquência e sem pressa. 

- Roberta Laíne. 

domingo, 27 de dezembro de 2020


    Vou contar um pouquinho da nossa história. Maria Pietra nasceu como um feixe de luz, e, como todos nós, ela veio com várias missões na terra. No entanto, uma dessas missões foi bastante peculiar: salvar a minha vida...
    Eu estava em um dos momentos mais obscuros da minha existência, Cássia havia se matado e o desligamento precoce de sua vida pairou sobre a minha como uma onda densa de escuridão. Eu não comia, não dormia, passava mal quase que 24 horas por dia, e chorava copiosamente, eu não via saída a não ser me entregar a tudo aquilo. Tenho certeza que minha família também achava que eu iria morrer, não do mesmo modo, mas sim aos poucos, como eu já estava adentrando no processo. Para completar, não tinha aquela desculpa de se agarrar com Deus, pois sempre fui agarrada a Ele, e a Nossa Senhora também. Desse modo, o único jeito era esperar, esperar que um milagre acontecesse.
    Lembro quando colocavam Maria no meu colo para ela dormir, pois, com 2 meses, era só o que ela fazia, ou pelo menos o que nós conseguíamos ver, e assim eu me embalava com ela e chorava perguntando infinitas vezes: Por que? Inclusive, se você perdeu alguém muito importante, independente do modo, você há de se perguntar infinidas vezes o porquê, o motivo pelo qual. Bem, a resposta nunca vem, e nem virá, mas comecei a perceber que Maria não dormia apenas, ela também me escutava, ela me sentia, e respirava para me ajudar a suportar tamanha dor. E assim minhas lágrimas e dor foram se misturando aos primeiros sons de Maria; os espinhos cravados em meu peito foram diminuindo de tamanho conforme os dentinhos de Maria cresciam, e as lágrimas que desciam nas maçãs de meu rosto foram se misturando aos primeiros sorrisos e gritinhos dela. Seus cabelos foram tomando forma, seus olhos a cada dia mais graúdos e singelos, e suas primeiras sílabas, como um ato mais sólido de comunicação, foram: bebé. Bebé passou a ser para mim o som silábico mais lindo que os meus ouvidos puderam escutar, Bebé, que é uma tentativa de dizer Roberta, passou a ser o chamado mais próximo do divino que já pude receber. Bebé, que sou eu, passei a entender que eu não precisava de respostas, e sim de amor, eu só precisava de amor. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Paradoxo inesperado: 

a era digital que nos deixou cada vez mais conectados, é a que também nos deixa mais distantes. 

Eu nunca tinha visto tanta gente solitária na história da humanidade. Estamos nos perdendo de vista, "era um sonho dantesco...".

- Roberta Laíne.  

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Proposta indecente

Se eu tirar minha roupa tu despe a minha alma?

- Roberta Laíne.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

É incrível, toda pessoa que me despe, na hora do sexo/do amor, olhar-me de cima a baixo e diz o quão sou linda, no entanto eu nunca acredito. Nessa hora sempre dou um meio sorriso e viro meu rosto para o lado, achando as palavras um magnífico absurdo. A beleza não vem do corpo, é o que engulo à seco, enquanto meu corpo se agita com a ideia de ser belo, mas eu não acredito, minha alma rejeita. Em comunhão a isso, também já me deparei com pessoas que me olharam no fundo dos olhos e disseram: quanta beleza! Infelizmente também não acredito, a beleza não vem do corpo, é o que engulo à seco. Certa vez, não me olharam no corpo, nem no rosto, muito menos nos olhos, só sentiram, sentiram, mas não o corpo, não a pele que habito, nem os olhos que se sobressaltam, apenas ouviram minha voz e disseram: quanta tristeza! Essa foi a primeira vez que acreditei na beleza do corpo, no retrato que minha voz fez da minha alma, na folha seca que caiu no chão pela vontade de Deus, meu Deus, eu acreditei, eu acreditei! Mesmo julgando que a beleza não vem do corpo, eu acreditei que a minha voz revelou um feche da magnitude de minha alma, eu acreditei. Uma folha seca não cai, eu acreditei, se não for pela vontade de Deus, eu acreditei. 

- Roberta Laíne.