Como em quase todo Natal, tranquei a porta do meu quarto, apaguei a luz e chorei.
Eu sempre precisei ser punida.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
Deixe suas roupas a cá, pendure-as ali, e leia de fato, o que tanto falo, que faltas me faltam, que verbos me embalam, eis os meus Poemas de Quarto... (Roberta Laíne)
Como em quase todo Natal, tranquei a porta do meu quarto, apaguei a luz e chorei.
Eu sempre precisei ser punida.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
Querido leitor, não sei exatamente o que está acontecendo comigo, é só que absolutamente nada está fazendo sentido… Devem ser os meus medicamentos, os mais de 13 anos sendo escrava dessa montanha fodida de substâncias. Estou sendo dominada por um milhão de pensamentos negativos a meu respeito.
Um milhão por segundo.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
Querido leitor, a depressão é sorrateira. Você está bem, se alimentando nos horários corretos, dormindo bem, saindo, sorrindo, conversando, até que, em um determinado momento, você escuta um zumbido no ouvido, o mundo começa a girar ao seu redor e você larga as maçãs que estava escolhendo no supermercado. Em seguida, sente uma vontade absurda de sair correndo, suas mãos começam a tremer e seu corpo fica recoberto de suor; em uma fração de segundos, sua boca fica seca e as vozes das pessoas começam a ficar distantes... As luzes te agoniam muito, e seu olhar muda, pois você começa a enxergar o mundo com lentes cinza. Tudo fica lento, muito lento. Você vai perdendo as suas forças, e tudo o que deseja é uma cama, em um quarto, de preferência trancado e escuro, bem escuro. Nesse momento, ela já te abraçou pelas costas, você não sabe mais quem é você e quem é ela, vocês são uma só. Seu olhar fica distante, está tudo em preto e branco. Sua respiração fica fraca. Você foi tomado pela depressão. Você foi atingido pela maior predadora do mundo moderno em sua temporada de caça. Você é a presa mais ridícula que ela já capturou em todos esses anos.
Com carinho,
- Roberta Laíne.
Será que aos domingos as pessoas procuram mais por poesias?
Será por dor ou por alegria?
É por prazer ou agonia?
- Roberta Laíne.
Querido leitor, esses últimos tempos consegui um feito inusitado: parei de tomar a quetiapina para dormir. E tudo começou numa bela noite em que eu estava com muito sono e acabei adormecendo sem tomá-la. Isso já estava acontecendo há algum tempo, digo, o fato de eu sentir muito sono antes de tomar o mediacamento. Mas, sempre acabava tomando-o, pois não me sentia segura para suspendê-lo. Em uma consulta, há algum tempo atrás, meu psiquiatra disse que eu poderia tentar tirá-la e assim fiz. Porém, a resposta não foi muito positiva, pois tudo o que consegui foi passar noites em claro. Enfim, voltei a tomar o medimcamento e me distanciei da ideia retirá-lo. [Voltando ao presente]. No dia seguinte de ter dormido sem o comprimido, pensei: "Que tal tentar dormir todas as noites assim?". E foi dessa maneira que eu iniciei a saga de mais uma vez tentar dormir sem a quetiapina. Os primeiros cinco dias foram bem ruins, marcados por noites conturbadas e de grande inquietação. Eu "acordava" no outro dia bem destruída, pois não conseguia adormecer. Contudo, dessa vez, havia alguma coisa diferente, uma espécie de força-voz em mim que dizia: "Não toma, aguenta, só mais hoje". Confesso que os meus dias estavam ficando bem perturbadores, sentia que minha imunidade estava baixando, que eu estava muito mal-humorada e que a minha memória e cognição estavam ficando prejudicadas, afinal, dormir é essencial para que o nosso corpo funcione bem. Enfim, continuei seguindo a voz... Nas minhas orações, durantes os terços, eu pedia mais forças a Deus e foi assim que, sem perceber o dia exato, eu voltei a dormir sem precisar tomar o medicamento. Sendo bem sincera, eu estou muito feliz. Tipo quando nós aprendemos a andar de bicicleta sem as rodinhas de apoio. É como soltar a mão de nossa mãe para atravessarmos a rua. Não sabemos ao certo quando os nossos pais deixam de segurar as nossas mãos e passamos a atraversar sozinhos, mas, esse momento acontece, para todos. Eu soltei a mão da quetiapina e não sei se precisarei segurá-la novamente. Todavia, por enquanto, quero gozar desse momento de liberdade, de sentir minhas mãos livres, ou melhor, Deus as segurou, para que eu conseguisse andar pela tempestade sem afundar. Querido leitor, independentemente do que seja, passe a ouvir mais a voz que há dentro de ti, SE ELA TE FALAR COISAS BOAS, e solte as mãos do que te escraviza, suporte a escuridão, pois os teus olhos vão se acostumar e a luz surgirá. Sabe, somos muito maiores, somos muito mais fortes do que imaginamos. Com ou sem a quetiapina, pois caso eu precise voltar a tomar o medicamento, isso não fará de mim uma pessoa menos incrível...
Com carinho,
Roberta Laíne.
Sofria calada
Depois…
Pegava todas as palavras que engolia
e fazia poesia.
Não sou eu, eu juro.
Roberta Laíne.
Aos meus queridos alunos do cursinho.
Redijo esta carta no
dia 07 de novembro de 2025, está fazendo uma linda manhã de sol e tudo o que
pretendo emanar por meio dela é luz. Na noite de terça-feira, no final da minha
aula, contei aos meus alunos um pouco sobre as minhas lutas e tudo o que venho
enfrentando. Em resumo: no final do ano de 2024, entrei em um grande deserto,
pois os meus medicamentos contra depressão e ansiedade, doenças que enfrento há
mais de 10 anos, pararam de fazer efeito e a partir de então foram longos dias,
semanas e meses de profunda escuridão. Minha vida virou de cabeça para baixo, fui
afastada da escola que trabalhava, não saía, não comia, não dormia, passava
basicamente o dia inteiro sob crises de pânico e ansiedade, foi quando o medo e
o desespero se instalaram em minha vida e eu não tinha mais perspectivas. No
início deste ano, as coisas ficaram ainda mais obscuras, pois descobri duas
doenças no meu intestino, as quais começaram a me maltratar ainda mais. O poço
que já era fundo ficou muito abaixo do solo, era difícil, para quem estava na
superfície, conseguir me enxergar. E assim os meus dias foram recobertos de
várias consultas, exames, diagnósticos, medicamentos, sessões de terapia e
dieta. Perdi 10 quilos, a vontade de viver, e me perdi. Certo dia, enquanto
estava na sala de espera para uma consulta, uma vizinha começou a conversar
comigo e pediu o meu número, disse que queria me apresentar um missionário da
igreja católica que vem ajudando muitas pessoas a se reerguerem, por meio de
suas lives. Passei o contato e pouco tempo depois ela me enviou alguns links.
Cliquei, por curiosidade, mas não esperava grande coisa. No início, eu não
entendia muito bem como funcionava e achava que passávamos muito tempo rezando na
frente da TV, pois ele entrava quatro vezes ao dia, mas passei a fazer. Havia
dias em que eu não conseguia rezar direito, pois estava sob fortes crises;
noutros, eu chorava muito. Contudo, os dias foram passando e eu não conseguia
mais parar de assistir as lives. Os terços a São Miguel Arcanjo e ao Sagrado
Coração de Jesus foram preenchendo o meu dia e foi assim que os meus novos medicamentos
começaram a fazer efeito... Eu já conseguia dormir, havia voltado a comer,
mesmo que pouco, ensaiava as minhas primeiras saídas de casa, e foi aí que
percebi que eu estava começando a escalar o fundo do poço do qual me encontrava.
Nesse período, uma amiga veio me visitar e perguntou como eu estava. Como ainda
era incipiente a minha melhora, respondi que estava, aos poucos, ficando bem.
Foi quando ela questionou se eu não tinha interesse em dar aula em um cursinho,
para que eu pudesse retornar aos poucos à sala de aula. A minha resposta foi
forte e vibrante: NÃO. Eu não quero. Pouco tempo depois estava eu, em uma
sexta-feira à noite, pela primeira vez, dentro da sala de aula que eu disse que
não entraria. Mas, antes, tive longas conversas com Deus, e sempre dizia a ele:
Mas, Senhor, eu não vou conseguir, olha como eu estou. Magra, triste, abatida,
fraca. Porém, Ele sempre respondia: “Dê o passo que eu dou o jeito”. Confesso
que ficava chateada, queria mesmo era ficar no meu quarto, curtindo a minha
dor. Mas, como a palavra final é sempre a Dele, voltei a estudar, voltei a
acessar os arquivos no meu notebook com as minhas aulas, e comecei a lembrar de
todos os lugares que já passei, de todas as aulas já que preparei e ministrei,
de todos os dias de muitas pesquisas, leituras, estudos... Foi quando comecei a
ir me reconhecendo naquelas apostilas, slides, documentos do Word, vídeo-aulas,
e assim fui mergulhando novamente naquilo que eu mais amava fazer: dar aula. Depois
de conhecer a turma, senti uma necessidade ainda maior de dar o meu melhor,
então passei a atualizar os meus materiais e a estudar mais, e entregar o meu
máximo, mesmo, às vezes, sob fortes crises. Não sei explicar ao certo, mas
quanto mais eu conhecia a turma, mais eu era convencida do quanto eles
precisavam e mereciam o meu melhor e assim fiz. Cada sexta-feira era uma grande
oportunidade de conhecê-los mais e mais e de me resgatar também... E foi assim
que a turma se tornou a segunda melhor coisa que aconteceu no meu ano de 2025.
A primeira, vocês devam imaginar, foi o missionário Geraldinho Correia, o das
lives de todos os dias. Ele me reapresentou Deus. E, graças a Ele, aqui
estamos. Essa carta só existe porque, mesmo com medo, eu disse sim a Deus. Eu
disse sim a missão que ele havia me encarregado. Essa carta só é possível
porque vocês existem e me mostraram, sem perceber, que viver é incrível, mesmo
com todos os percalços e dificuldades. Lembro-me que eu clamava a Deus, em
lágrimas, para que ele me desse um motivo para continuar lutando pela minha
vida e ele me deu uma turma inteira. UMA TURMA INTEIRA. É Incrível, mas Deus
nunca faz pelo menos, ele sempre faz pelo mais. E encerro está carta te dizendo
que sim, você foi chamado para viver grandes coisas e você as viverá! Todos
somos um projeto lindo de Deus para dar certo. E eu sei que vocês estão com
muito medo desta prova, mas coragem! Quando Deus está no barco não importa o
tamanho das ondas. Não olhem para a tempestade, olhem para Deus.
“Sede fortes e corajosos; não temais, nem vos atemorizeis; porque o Senhor vosso Deus é quem vai convosco. Não vos deixará, nem vos desamparará.” Deuteronômio 31:6
Com profunda gratidão e carinho,
Professora Roberta
Laíne.