Enquanto assistíamos a “Grizzy”, deitadas em uma rede, Cecília me abraçou forte e disse: “Vamos ficar assim para sempre?” Chocada por ela estar sentindo o mesmo que eu, abracei-a ainda mais forte e respondi: “Por favor!”
Com carinho,
Bebé.
Deixe suas roupas a cá, pendure-as ali, e leia de fato, o que tanto falo, que faltas me faltam, que verbos me embalam, eis os meus Poemas de Quarto... (Roberta Laíne)
Enquanto assistíamos a “Grizzy”, deitadas em uma rede, Cecília me abraçou forte e disse: “Vamos ficar assim para sempre?” Chocada por ela estar sentindo o mesmo que eu, abracei-a ainda mais forte e respondi: “Por favor!”
Com carinho,
Bebé.
Oi, pai. Como o senhor está? Faz certo tempo desde a última carta que te escrevi. Estou com saudades. Muitas. Por aqui está tudo tranquilo, até o presente momento. Nenhuma mudança drástica ou trágica. Eu só queria te escrever para me sentir, não sei, um pouco mais perto de ti e protegida & amada, como o senhor sempre fez eu me sentir. E, sinceramente, não tenho nada para falar sobre o ano que está acabando. Eu apenas o vivi e ponto. E, sim, tem toda aquela coisa de gratidão e superação e mais uma série destas palavras que são bastante usadas neste período, mas eu não vim aqui para fazer uma retrospectiva, eu vim apenas para ter a sua companhia. A gente nem precisa conversar, eu só quero ficar aqui, tá bom? E não se preocupe, eu não estou mal ou coisa do tipo, só estou com muitas saudades suas, e também da Cássia e da Zot, porque... eu amei tanto vocês aqui na terra que, caramba, às vezes sufoca não tê-los mais de modo palpável. Acho que estou chorando, mas não é por que eu esteja mal, pai, é só que às vezes doi pra caramba, sabe? E não dá para fazer muita coisa a respeito. A não ser deixar-me aqui. A não ser fechar os meus olhos e sentir que vocês estão me abraçando enquanto eu sufoco a Zot. A não ser chorar e esperar que as minhas lágrimas deságuem no oceano e se transformem em ondas. Eu só quero ficar aqui, tá? Não precisa falar nada, e me desculpa se eu atrapalhei o que o senhor estava fazendo aí no outro plano, eu só precisava vir aqui e ficar um pouco, prometo não demorar. Ah, pai, o senhor poderia me dar um abraço? Não necessariamente apertado, basta ser seu...
Com carinho,
- Peteca.
Querido leitor, este escrito se faz necessário para que eu possa demarcar, não precisamente, um divisor de águas em minha vida...
Demorei um tempo para perceber que minha jornada aqui na terra não é sobre conhecer alguém que mudará a minha vida, mas sim sobre conhecer a mim mesma, e é isso o que tenho feito, buscado a mim. Inclusive, equivocadamente eu achava que me conhecia, que sabia tudo ao meu respeito, os meus limites, as minhas fantatias e desejos, o meu caos. Entretanto, estive completamente enganada, pois a verdade é quase nada sei sobre mim e, procurar-me, achar o que sou, por que sou, não tem sido uma tarefa fácil. Mas sei que preciso, mais do que nunca, despedi-me da Roberta que desconheço, para abrir espaço ao que possa ser eu, ao que jamais fui, mas que agora preciso ser.
Roberta Laíne.
Meu bem,
você não imagina a porção de coisas que mora no meu silêncio,
engatadas na minha garganta,
sufocadas
de tudo aquilo que eu sinto,
mas não digo.
- Roberta Laíne.