quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Querido diário, 


Estou feliz.


Nesses últimos tempos, tenho me ajudado muito a ser uma pessoa melhor. Tenho cuidado de mim, acalentando-me e aceitando-me como sou. Tenho dado o primeiro passo para coisas que antes nunca havia conseguido realizar, pois sempre criava uma barreira intransponível, a qual fazia com que eu visualizasse o meu objetivo muito longe. Caminhar é uma delas. Agora, tenho colocado o meu corpo em movimento e percebendo que ele é capaz de conseguir, mesmo que no início eu tivesse sido aterrorizada pela fobia social, pânico e ansiedade, por estar iniciando coisas que me fariam bem. A depressão não quer que iniciemos coisas que possam nos fazer bem. Porém, agora não tenho mais sentido todo esse arsenal que ela ergueu para me deter. Só a fobia social que, às vezes, consegue me achar, mas tudo bem, afinal, passei longa data negando a minha participação fora de um mundo que não fosse o que eu criei, dentro do meu quarto. Bem, ultimamente também tenho dito mais “sim” do que “não” para as coisas, e estou pondo os pés para fora do meu mundo, mesmo que vez ou outra eu volte correndo assombrada. Às vezes é caótica; noutras, é bonita a paisagem fora da ilha. Sei que ainda falta muito para que eu consiga, mas ultimamente tenho estado mais na Terra do que na Lua.


Com carinho, 


- Roberta  Laíne.

sábado, 5 de agosto de 2023

Meu bem, você não imagina o quão somos poucos, quase nada. O orgulho, a raiva, o rancor e a mágoa não são nada, meu bem, porque de repente a gente acaba, e aí, eu lhe pergunto, para onde é que vai o ódio e todas as coisas que você não foram ditas? Para onde vão nossas vontades depois que tudo isso acaba? Não se assuste, mas, não somos nada. Nem eu & nem você. Nada. 

Que minhas miseráveis palavras nunca te façam falta.

- Roberta Laíne. 

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Às vezes tenho vergonha da maneira como sinto as coisas, de modo absurdamente intensificado. Quando eu me apaixono, sinto como se houvesse inúmeras explosões dentro do meu corpo. Quando amo, sinto cada átomo. É por isso que quando tenho muitas coisas a dizer acabo não falando nada. Eu me calo, e apenas sinto & sinto. Sinto tanto que chega a doer o peito, dá-me calafrios & náuseas, como se eu fosse um barco à deriva em alto-mar. Eu queria pedir desculpas ao mundo por sentir tanto.


Com carinho,


- Roberta Laíne.

domingo, 23 de julho de 2023

Queria me apaixonar como as outras pessoas se apaixonam e não como os poetas, as putas e os alcoólatras.

Você me dar náuseas, baby. 


- Roberta Laíne. 

segunda-feira, 10 de julho de 2023

De tudo o que já abri,

Portas

Latas

Caixas

Pernas


A mais foda de todas 


foram Livros.


- Roberta Laíne. 

quarta-feira, 5 de julho de 2023

O Breno? 

Faz tempo.

Sempre nos desencontramos, por todos os motivos do mundo, dos mais frívolos aos mais severos. 

Mas ele sempre me procura, não como o caçador busca a caça, mas como o céu busca as nuvens. 


E eu não sei explicar, mas sei que sinto algo por ele, o que é bem raro. 


E também sei que dos poucos homens com os quais eu já me envolvi, ele seria o único para o qual eu abriria minhas pernas novamente, para que ele entrasse em mim, porque eu gosto da maneira com que ele entra em mim. 


não como o caçador busca a caça, mas como o céu busca as nuvens. 


- Roberta Laíne.

sábado, 1 de julho de 2023

— E Eugênia?

— Você não soube? Eugênia... (contorceu-se na cadeira), bem... (pigarreou), Eugênia morreu...

— Meu Deus! E do que ela morreu, Carlos?

— De poesia.

— De poesia? (perguntou espantada) 

— Sim, de poesia.

— E como foi isso? (altamente intrigada)

— Não sei muitos detalhes. Você sabe, desde nova ela lia aqueles livros estranhos, “Lira dos vinte anos”, “Livro de mágoas”, era apaixonada por um tal de Álvares de Azevedo e por aquela Florbela Espanca. E aí foi se agarrando a um tal de Schopenhauer e depois Nietzsche e no final não deu outra. Não suportou. Disseram-me que ela foi achada, já sem vida, com um papel em que estava impresso o poema "Ismália", do Alphonsus de Guimaraens. E eu vi com os meus próprios olhos, estava lá escrito, em seu atestado de óbito, Eugênia havia morrido de poesia.

Com carinho,

Roberta Laíne.