terça-feira, 13 de novembro de 2018

Existem muitas incongruências entre o fio de cabelo que separa a vida e a morte. Ontem eu estava pensando nisso e em outras questões sutis... E é estranho o que direi daqui para frente, mas sempre me achei especial, do tipo muito especial, e é estranho eu sei, e sei também que todos nós somos especiais, independentemente se você é Hitler ou Gandhi, de Deus ao Diabo, você sabe, no fundo, que é especial, pois você faz parte da coisa toda... da coisa toda!
No entanto, sempre me achei um pouquinho mais especial, tipo, sempre pareceu, para mim, que eu iria descobrir alguma coisa, tipo a porta que abrimos para sair da terra e entrar noutro planeta, ou quem sabe desvendar um enigma que salvasse toda a raça humana, porém, a única porta que eu consegui abrir, até hoje, foi a porta do meu quarto, exceção do dia que perdi minhas chaves...
Bem, eu sei que é bem estranho se achar especial, e muito mais ainda, se achar mais especial que os demais, e sei que soa como narcisista, petulante, e impertinente, mas, eu sinto que em algum momento, lugar, espaço, tempo, haverá uma porta, não sei se grande ou miúda, mas haverá, ela estará lá, todos tentarão abrir, oito bilhões de possibilidades, mas, somente eu, somente eu terei a chave, e salvarei todo o universo...

Roberta Laíne.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Às vezes, ou todas as vezes, eu acho a esperança um dos sentimentos mais covardes do universo, não que eu conheça o universo, mas talvez o universo seja o quintal de minha casa. Hoje, por exemplo, senti uma esperança danada de escrever sobre esperança, mas, olha só, olha ela se findando por aqui, se esvaindo em poucas palavras. 
Engraçado, toda vez que alguém fala de esperança lembro-me de causo particular, de um moço que sempre falava esperançosamente, e eu achando tudo aquilo muito monótono, abstrato demais para o meu gosto... Respirava fundo, por não conseguir estabelecer relação alguma entre significante e significado, e o brilho dos olhos das pessoas. 
Outra vez, quando dei por mim, estava toda esperançosa... Odiei aquilo, esperança sempre incomodou-me; mas, por bem da humanidade, consenti em aceitar aquele "estado de espírito"... Porém, olhando-a sempre de canto de olho, tipo um suspeito,  pois sempre pensei: você não me engana... O fato é que, ao terminar estas palavras, estou incomodada, é um rasgo dizer, mas já estou cheia de esperança, outra vez.

Roberta Laíne.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Querida Vitória, recibe suas cartas e estou muito contente em dizer que todas chegaram até mim de modo intacto. Prossiga em dizer que, todos chamaram-me atenção, no entanto, sempre tem uma em especial e, essa, você terá que descobrir. Parece-me que você anda namorando a possibilidade de haver vida em outras dimensões, pois bem essa esperança também é minha e espero que você continue a compartilhar esses pedaços de estrelas comigo.
Você ficou sabendo da novidade? Plutão deixou de ser planeta, mas você sabe e eu também sei, não para nós, para nós ele nunca deixaria... Acho que você também concorda que o heliocentrismo também não está correto, mas não entremos, por ora, em assuntos tão obscuros, ou melhor, que perturbam a raça humana.

Que os astros te protejam,

Com carinho, R.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Minha depressão diz: você não merece ser feliz, e você sabe, a última voz sempre será a minha.

Fecho o livro, cruzo as pernas, olho para o nada, e digo: pois bem, você venceu, você venceu...

Roberta Laíne.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

É uma espécie de falsa liberdade, parece mais com um precipício, uma liberdade manchada, presa, enclausurada, solitária e incongruente. Você sabe, eu sei, todos nós sabemos, mas ninguém quer falar, ninguém quer pronunciar, ninguém quer dizer a verdade para não causar enxames, ou maiores perturbações à raça humana, mas é fato e fatídico: a liberdade não existe... e não falo isso como se fosse fácil falar, não é fácil, não é, mas todos nós, no fundo, sabemos. Por que lá está ela, no auge da exaustão, no ponto cego da vida, lá está ela, na sua mais pura e doce forma de não estar, de não existir, de sumir diante dos olhos, ouvido, boca, alma.
A pior parte é você saber, e, não poder fazer absolutamente nada. Porque você não pode fazer nada, eu não posso fazer nada, nós não podemos. Fazemos apenas parte do grupo dos inteiros que não podem... E não adianta negar, não adianta se fazer de surdo, cego, mudo, e muito menos fazer essa cara de indignação, assim também como não adianta sair correndo atrás de um dicionário e apontar o dedo pra palavra e dizer: aqui, tá aqui, liberdade existe, olha! Não adianta... pois você sabe, eu sei, e todos nós sabemos, a liberdade não existe, não aqui, não ali, não ainda, não por nós ou por vós, não pelos humanos, a liberdade não existe, não, não ainda.

- Roberta Laíne.

domingo, 9 de setembro de 2018

Por que eu defendo tanto o movimento LGBT? Simplesmente porque são pessoas, acima de qualquer coisa são pessoas, e mais especificamente são pessoas boas, que não carregam ou destilam discursos de ódio, segregação ou de exclusão social. Muito pelo contrário, são pessoas boas que morrem, e morrem em excesso, morrem em exagero, simplesmente por não se vestirem como o padrão social impôs. Simplesmente por não pensarem, ou agirem como o padrão dita - no manual de instruções que recebemos ao nascermos - sobre "viver em sociedade".
A que ponto chegamos? Matamos a bondade por conta de uma roupa, um acessório, uma matéria, um padrão que, sabe-se lá quem escolheu como adequado. Matamos pessoas boas só por que elas não se comportam como a normatividade manda. 
Será que não se comportar "como o padrão dita" faz dessas pessoas ruins? NÃO! Isso não desvia em nada o caráter de um indivíduo, uma roupa, a orientação sexual, não desviam em nada um semelhante de dotar-se de bondade, honestidade e amor... SEMELHANTE! Aprendam a interpretar, a ler,  aprendam a língua, a linguística, até a gramática, são semelhantes e não iguais.
Matamos por ódio, burrice, ignorância e egoísmo nú e cru. Matamos por não sabermos ler, não sabermos interpretar, não sabermos sentir, e desconhecemos do nosso dicionário palavras importantíssimas como empatia. A cada dia que passa, estamos desaprendendo a ler, estamos retornando à idade da pedra, estamos regredindo com tanta força que, a cada 3 dias um travesti é morto no Brasil. 
Por fim, sem sabermos ler, sem sabermos nos comunicar, sem usar a língua, voltamos a ser predadores, voltamos a ter sede de vingança, sede de poder, sede de liderança, estamos desaprendendo a ler apenas para duas finalidades: matar e morrer.

Roberta Laíne.