domingo, 27 de outubro de 2024

Querido leitor, nem sei como começar esse texto. Talvez eu deva iniciá-lo dizendo que sumi porque precisei. Pois não tinha forças para narrar o inenarrável. Minhas crises simplesmente eram horrendas, perversas e desumanas. Então preferi deixar para vir aqui quando estivesse mais estável e a cá estou. Bem, a primeira coisa que essa reviravolta fez em minha vida, entre tantas, foi conectar-me ainda mais com Deus. Não que eu fosse desconectada dele, mas meu laço estava fraco e precisava ser nutrido. Agora, todas as noites, antes de dormir, rezo um terço e, ao rezá-lo, sinto-me extremamente bem, como se eu fosse transportada desse mundo a uma outra dimensão, onde meu coração está em paz e minha mente tranquila e organizada. É simplesmente incrível! Também voltei a frequentar as missas aos sábados e tenho prestado muita atenção nas leituras e no evangelho. 

Ainda continuo um pouco frustrada por precisar tomar dois medicamentos a mais dos que eu já tomava. Um deles é o Lítio, um medicamento que eu sempre tive muito preconceito em relação a ele. Para tu veres como a vida é, ela vai lá e te faz precisar daquilo. Mas aos poucos estou me convencendo que é para o meu bem, e que assim que eu estiver totalmente estável e bem, meu psiquiatra fará a retirada. Também voltei à terapia, e ela tem sido outro ponto chave em meu auxilio, principalmente nos quesitos: não me cobrar tanto, ser mais gentil comigo mesma e a compreender que eu ajo de acordo com a inteligência emocional e ferramentas que possuo. 

Outro ponto chave tem sido as minhas caminhadas, agora estou indo todos os dias. No primeiro dia, fui morrendo de medo; no segundo, já estava com menos; no terceiro, havia apenas uma pequena insegurança e assim sucessivamente. A impressão que tenho é a de que estou reaprendendo coisas que eu já sabia/fazia com naturalidade. E está tudo bem. Eu gosto de aprender mesmo, reaprender também é legal. Também tenho a sensação de que eu estou mudando muito. Mas mudando para melhor. Estou me tornando uma pessoa mais pacífica, ponderada e resiliente. Estou buscando ressignificar mais as coisas e sinto-me muito mais serena. Há muitas coisas que antes eu não entendia e que agora compreendo.

Sei que é cedo, mas arrisco em dizer que tudo isso aconteceu para que eu me tornasse uma pessoa melhor, para dar mais valor a vida e para que eu pudesse perceber, com ainda mais clareza, que nós não somos absolutamente nada. Que hoje podemos estar bem, mas amanhã podemos estar no fundo do poço e vice-versa. Acredito que eu esteja aprendendo a me amar mais, a amar o ser divino que sou e o quanto mereço ser feliz e que Deus não me quer triste, angustiada e remoendo o passado. Ao contrário, ele quer me ver feliz, radiante, perdoando minhas falhas do passado, e vivendo plenamente o presente, agradecendo a cada dia único que me é dado. 

Essa reviravolta tem feito eu regar, todos os dias, uma parte do meu coração que era árida, cheio de rachaduras e sem nenhuma flor. E é assim que eu estou me curando dos outros e também de mim mesma.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Quero ver o mundo, porque o medo eu já conheço. É tipo Lispector, só que ao contrário.

Com carinho, 

Roberta Laíne.


domingo, 29 de setembro de 2024

Querido leitor, nem acredito que estou viva e consigo vir aqui escrever este texto.

Desde o domingo passado (22), comecei a me sentir muito mal e a ter várias crises de ansiedade e pânico e, tentando precisá-las, em uma escala de zero a mil, elas estavam em 1 milhão. Foi absurdamente perturbador, algo que nem sob uma óptica desumana, eu teria coragem de desejar a alguém. Faziam muitos anos que eu não tinha esse tipo de crise, e isso só me fez lembrar o início da minha depressão. E assim foi... Eu perambulei pela Unidade de Pronto Atendimento Médico da cidade, fui dopada, tive ideais suicídas, confusão mental e uma série de outras coisas, deixando todos da minha família em estado de alerta. O pior eram/são as crises de madrugada, as quais me fizeram ligar para as pessoas que confio e, mesmo morrendo de vergonha e me sentindo um lixo, eu acordava-nas para pedir ajuda. E assim tem sido, tenho vivido dias muito nublados, marcados pelo medo, dor, sofrimento e pela angústia. Minha mãe biológica está tendo que vir dormir comigo, no mesmo quarto, em vigília, pois fui à psiquiatra na sexta-feira e ela aumentou a dosagem do meu medicamento, para ver se consigo sair da crise aguda. As duas últimas noites em que ela dormiu comigo, eu só consegui cochilar um pouco, depois que ela se agarrou a mim e começou a rezar um terço, pedindo para que eu a acompanhasse. Ontem dormi um pouco melhor, mas acordei passando muito mal, e demos início a mais um terço…
Mas uma coisa boa sempre hemos de tirar da dor. Por exemplo, eu não sabia que haviam/há tantas pessoas preocupadas comigo, alguns vizinhos e a minha família. Eu não sabia que era importante e amada, mas parece que sou, pois as pessoas estão me dando muita força e ao falarem comigo se emocionam, então acho que sou uma pessoa boa. E, bem, eu não tenho vergonha de escrever nada disso, pois é o que estou passando, e não se pode ter vergonha de nossas fraquezas, elas também fazem parte de nós. Infelizmente, recebi um laudo médico para afastar-me da escola, pois a minha psiquiatra entendeu que eu preciso parar. Eu preciso parar de ter crises, eu preciso parar de me preocupar em excesso. Eu preciso parar de ter medo de decepcionar as pessoas. Eu preciso parar tanta coisa, e acho que foi por isso que parei, colapsando.
Hoje doeu quando a diretora da escola veio buscar meus livros, os trabalhos dos alunos que não dei conta e as listas e anotações de tudo o que eu já havia feito. Doeu olhar para a minha mesa e enxergar o vazio. O vazio de alguns dos gatilhos que eu tinha, ao olhar para as pilhas de trabalhos. E aqueles pensamentos intrusivos dizendo: “Você decepcionou a escola, seus alunos e a sua família”... Bem, quebrada do jeito que estou, nem sei quanto de efeito esses pensamentos tem sobre mim, mas já estou sentindo falta dos meus livros, do material que eu usava para trocar conhecimento e fazer o que sei com os meus alunos, já estou sentindo falta do abraço e sorrisos deles…

Querido leitor, descobri que é necessário pararmos antes que seja tarde demais.

antes que seja tarde demais.

Com carinho,

Roberta Laíne.

domingo, 8 de setembro de 2024

Querido leitor, 


quem lhe falou que o amor tudo suporta estava mentindo. 


Provavelmente, só estavam querendo lhe vender mais uma dessas ilusões que consumimos nas redes sociais (e também em lugares que eu prefiro não citar). Reitero, onde tiveres que tudo suportar, duvide muito que seja amor. Digo isso com muita tranquilidade na fala, mas também com muita preocupação. A preocupação fica por conta de observar muita gente que se diz amando outra pessoa, quando, na verdade, está, todos os dias, tentando sobreviver a um relacionamento abusivo e altamente tóxico. É importante analisarmos se estamos com o outro por que precisamos ou por que sentimos. É importante certificarmo-nos de que não temos medo da nossa própria companhia. É importante que esse “amor” não esmague as nossas individualidades e flua como um rio, com a agitação por vezes necessária, mas também, e sobretudo, com a calmaria que faz as água se renovarem, num devir constante. Mas se, ao contrário, tudo tenhas que suportar, eu lhes garanto, não há amor.


Com carinho, 


- Roberta Laíne.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

04 de setembro, dia internacional da Maria Cecília. Vida, mesmo na correria, eu não iria deixar de vir aqui deixar registrado o nosso amor. Quando sua irmã nasceu, eu tive a prova de que Deus me amava e de que Ele nunca me deixaria sozinha. Mas, pouco tempo depois, você veio ao mundo, foi quando eu descobri que ele me amava MUITO e que eu realmente NUNCA MAIS me sentiria sozinha. Você é, de longe, o meu mais lindo milagre, e eu sou tão, mas tão agradecida a Deus, que, às vezes, olho para cima e digo: “Obrigada por tanto. Obrigada por dá-me o melhor presente que um ser humano poderia receber: o amor.”. Cecília, o teu abraço cura todas as feridas que já foram abertas em mim. O teu sorriso, que é luz, salva-me de qualquer escuridão que eu possa estar presa. As tuas palavras e brincadeiras resgatam a minha vontade de sorrir e permanecer viva, para estar aqui, com você. Obrigada por se importar comigo e me incluir nos teus pequenos planos. Obrigada por correr para me abraçar toda vez que você chega em Capanema. Obrigada por ser o meu maior incentivo diário. Obrigada pelas nossas vídeo chamadas e pelas lágrimas que você derrama toda vez que eu preciso desligá-las (fico de coração partido). Obrigada por você ter o seu cantinho em mim, toda vez que vamos assistir “Hotel Transilvânia” (Eu não aguento mais assisti-lo). Por fim, obrigada por sentir de volta tudo o que eu sinto e por me amar de volta tudo o que eu te amo.

Feliz 5 aninhos, minha flor de tangerina.

Amo cada átomo seu.

Com carinho,

Bebé.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Meu bem, vai perdoando pela intensidade, é que o menos, aqui, não cabe.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Querido diário, trago notícias boas.

Semana passada, vivi dias festivos na escola, pois estávamos na semana dos jogos, e é sempre um período muito animador. Eu, em particular, e por ser uma colecionadora de coisas raras, abracei muito os meus alunos e me diverti bastante com eles. Em segredo, confesso que sou apaixonada em vê-los felizes. Cada sorriso, cada pulo de alegria, cada gesto de euforia. Não sei explicar muito bem, mas é como se uma onda gigante tomasse conta de mim e eu me afogasse em um mar de sentimentos bons, submersa na felicidade deles. Eles não sabem, mas cada abraço que dou, demoro alguns segundos a mais, que é para que a sensação fique por mais tempo em mim. Quando decidi me tornar uma colecionadora de coisas raras, não sabia que estava envolta de tanto afeto e que deixar guardado os sorrisos, os pulos, os abraços e os gritos festivos dos meus alunos me faria alguém absurdamente rica. Sou simplesmente uma milionária de tudo aquilo que o dinheiro não compra, o mundo não corrompe, e o mal não destrói.

Com muito carinho,

Roberta Laíne.