terça-feira, 30 de outubro de 2018

Querida Vitória, recibe suas cartas e estou muito contente em dizer que todas chegaram até mim de modo intacto. Prossiga em dizer que, todos chamaram-me atenção, no entanto, sempre tem uma em especial e, essa, você terá que descobrir. Parece-me que você anda namorando a possibilidade de haver vida em outras dimensões, pois bem essa esperança também é minha e espero que você continue a compartilhar esses pedaços de estrelas comigo.
Você ficou sabendo da novidade? Plutão deixou de ser planeta, mas você sabe e eu também sei, não para nós, para nós ele nunca deixaria... Acho que você também concorda que o heliocentrismo também não está correto, mas não entremos, por ora, em assuntos tão obscuros, ou melhor, que perturbam a raça humana.

Que os astros te protejam,

Com carinho, R.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Minha depressão diz: você não merece ser feliz, e você sabe, a última voz sempre será a minha.

Fecho o livro, cruzo as pernas, olho para o nada, e digo: pois bem, você venceu, você venceu...

Roberta Laíne.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

É uma espécie de falsa liberdade, parece mais com um precipício, uma liberdade manchada, presa, enclausurada, solitária e incongruente. Você sabe, eu sei, todos nós sabemos, mas ninguém quer falar, ninguém quer pronunciar, ninguém quer dizer a verdade para não causar enxames, ou maiores perturbações à raça humana, mas é fato e fatídico: a liberdade não existe... e não falo isso como se fosse fácil falar, não é fácil, não é, mas todos nós, no fundo, sabemos. Por que lá está ela, no auge da exaustão, no ponto cego da vida, lá está ela, na sua mais pura e doce forma de não estar, de não existir, de sumir diante dos olhos, ouvido, boca, alma.
A pior parte é você saber, e, não poder fazer absolutamente nada. Porque você não pode fazer nada, eu não posso fazer nada, nós não podemos. Fazemos apenas parte do grupo dos inteiros que não podem... E não adianta negar, não adianta se fazer de surdo, cego, mudo, e muito menos fazer essa cara de indignação, assim também como não adianta sair correndo atrás de um dicionário e apontar o dedo pra palavra e dizer: aqui, tá aqui, liberdade existe, olha! Não adianta... pois você sabe, eu sei, e todos nós sabemos, a liberdade não existe, não aqui, não ali, não ainda, não por nós ou por vós, não pelos humanos, a liberdade não existe, não, não ainda.

- Roberta Laíne.

domingo, 9 de setembro de 2018

Por que eu defendo tanto o movimento LGBT? Simplesmente porque são pessoas, acima de qualquer coisa são pessoas, e mais especificamente são pessoas boas, que não carregam ou destilam discursos de ódio, segregação ou de exclusão social. Muito pelo contrário, são pessoas boas que morrem, e morrem em excesso, morrem em exagero, simplesmente por não se vestirem como o padrão social impôs. Simplesmente por não pensarem, ou agirem como o padrão dita - no manual de instruções que recebemos ao nascermos - sobre "viver em sociedade".
A que ponto chegamos? Matamos a bondade por conta de uma roupa, um acessório, uma matéria, um padrão que, sabe-se lá quem escolheu como adequado. Matamos pessoas boas só por que elas não se comportam como a normatividade manda. 
Será que não se comportar "como o padrão dita" faz dessas pessoas ruins? NÃO! Isso não desvia em nada o caráter de um indivíduo, uma roupa, a orientação sexual, não desviam em nada um semelhante de dotar-se de bondade, honestidade e amor... SEMELHANTE! Aprendam a interpretar, a ler,  aprendam a língua, a linguística, até a gramática, são semelhantes e não iguais.
Matamos por ódio, burrice, ignorância e egoísmo nú e cru. Matamos por não sabermos ler, não sabermos interpretar, não sabermos sentir, e desconhecemos do nosso dicionário palavras importantíssimas como empatia. A cada dia que passa, estamos desaprendendo a ler, estamos retornando à idade da pedra, estamos regredindo com tanta força que, a cada 3 dias um travesti é morto no Brasil. 
Por fim, sem sabermos ler, sem sabermos nos comunicar, sem usar a língua, voltamos a ser predadores, voltamos a ter sede de vingança, sede de poder, sede de liderança, estamos desaprendendo a ler apenas para duas finalidades: matar e morrer.

Roberta Laíne.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Todos sabem que sou poeta de rua, louca pela lua.

- Roberta Laíne.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O causo do meu eu perdido

Houve um dia em que eu me perdi de mim mesma, mesmo estando em meu quarto. Foi estranho, eu estava ali, parada, deitada em minha cama, quando dei por meu sumiço. Eu realmente não sabia dizer onde o meu outro eu estava, fiquei horas, dias e semanas a fio procurando-me incansavelmente. 
Achei um absurdo de minha parte, perder-me de mim, o auge do descuido!
O fato é que, eu não sabia, mas precisava, mesmo que vez ou outra, reparar-me. 
Então comecei uma busca incessante por mim, rememorei meus últimos passos, elenquei minhas últimas atitudes, e repensei meus milhares de últimos pensamentos. No entanto... Nada! Eu não achei nenhum rastro de mim... Onde diabos eu havia me metido? Onde será que eu estava? Por que eu não fazia ideia do meu paradeiro?
Passaram-se meses, e minha busca continuava irresoluta. 
Sentada em minha cama, comecei a folhear (sem muito ânimo) um livro que acabara de retirar das entranhas de minha velha cômoda, não sei como ele foi parar ali, não lembro de tê-lo deixado cair, no entanto, tampouco importa-me, estava irritada, pois começava a espirrar, o livro estava coberto de poeira, então comecei a sacudi-lo e a driblar algumas teias de aranha; o cheiro de passado banhou o meu quarto, quando, de repente, topei em uma velha passagem de ônibus, era de um trajeto que eu sempre fazia, o bilhete estava sendo utilizado como marcador. Página 98, havia um soneto e, no verso, uma anotação que dizia: 
“A dor se consolida lentamente nos olhos de um poeta, e, cai, por meio de lágrimas”. 
Parei, e fiquei martelando de onde eu havia retirado aquela frase, afinal, reconheci que a letra era minha. 
Nesse momento, uma onda quente e alaranjada de pensamentos rodearam meu corpo, senti uma leve ânsia de vomitar, passei a mão sobre um acúmulo de suor que se formava em minha testa, pisei com as mãos naquelas gotas de sal que saíam... 
Achei! Ou melhor, me achei! Eu estava ali, eu acabara de me reencontrar, aquelas palavras eram minhas, ou melhor, aquelas palavras era eu!          
Rapidamente retirei-me daquele livro e sorri dizendo: que esperteza minha! Eu havia me escondido ali, havia me abrigado no verso de uma folha... saí de um corpo deteriorado para fazer morada em um livro esquecido de baixo de minha velha cômoda... 
Limpei meu suor na blusa e refleti... No final das contas, perder-me não fora de todo ruim, passar um tempo sem mim foi importante para procurar-me, do contrário, eu jamais teria ido atrás de mim, jamais saberia o quanto eu fazia falta para mim mesma!
Apaguei a luz, deitei em minha cama, e abracei-me bem forte; sonhei que estava em uma praça, lendo esta história para um pequeno aglomerado de pessoas, as quais sonhavam com a lua, astros, estrelas e poesia...


Roberta Laíne.