domingo, 24 de novembro de 2024

— Mas foi assim, acredite, numa bela manhã acordei e disse: 

A partir de hoje não quero mais ser a pessoa que magoa!

— Então agora você é a pessoa que é magoada?

— Também não.

— Ora, então você é o quê?

— Bem, agora, eu sou a pessoa que fica atenta à porta, analisando com cuidado quem eu deixo entrar na minha vida.

Com carinho, 

- Roberta Laíne.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Querido diário, trago dúvidas.

Dentre todas as coisas que escrevi por aqui, desde a crise aguda que entrei, a que redigirei agora é a mais delicada: 

eu não quero mais. 

Não estou falando de viver.

Calma, senta, vou te explicar direito…

Bem, das poucas certezas que tenho na vida, uma delas foi a que escolhi como profissão. Ser professora é, de longe, o que eu mais amo e tenho habilidade para exercer. Contudo, ultimamente, não consigo mais me imaginar dentro de uma sala de aula. Não consigo mais visualizar a professora Roberta. E isso é bem estranho e perturbador. Eu estou morrendo de saudades dos meus alunos, não sei nem mensurar o tamanho desta falta. Os detalhes, os benditos detalhes… Porém, eu não quero mais voltar para a sala de aula. E acho que no fundo eu já sabia que se eu parasse… Dói tanto, sabe? Dói porque é um amor. Dói porque envolve pessoas & sentimentos. Dói porque era uma das minhas poucas certezas. Dói devido aos malditos detalhes. Queria dormir e acordar sendo a professora Roberta novamente, a que eu deixei no meio do caminho, perdida, abandonada. Queria dormir e acordar lá, sendo o que eu sempre amei ser. Queria me ter de volta, mas tudo o carrego são incertezas e dúvidas. E o desejo de que Deus tenha misericórdia de minhas falhas.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Querido diário, ontem foi meu retorno ao psiquiatra e depois que ele perguntou como eu estava, em uma escala de 0 a 10 e eu respondi entre 6,5 e 7,0, ele mudou a minha medicação. Claro que visualizei isso com péssimos olhos, principalmente por eu tomar o Cymbi há 9 anos. Enfim, após a consulta, quando retornei para casa, surtei. Acho que ontem tive a pior crise de todas, e de 0 a 10, agora sim eu daria um super 10! Um magnífico 10!, pois foi simplesmente horrível, eu me desconectei de mim e me visualizei muito distante, a ponto de me perder de verdade. Depois de muitos transtornos, aceitei ir à farmácia com minha tia e minha mãe, para comprar o meu novo medicamento, que não é tão novo assim, pois já tomei ele, por um prazo curto de tempo, antes do Cymbi. Agora minhas tias estão se revezando quem vem dormir comigo, pois a troca de medicamento é muito dolorosa e arriscada, as chances de nos matarmos aumenta muito, até a substância se estabilizar e começar a nos fazer bem. Bem, entre lágrimas e crises continuo a rezar o meu terço, permaneço viva mesmo cansada, e ainda acredito na minha cura. Meu Deus, como eu sou forte. Esse texto tinha tudo para acabar mal, mas, caramba, eu tenho muito orgulho de mim. E por mais que algumas pessoas achem que sou fraca, pois não estou vencendo a depressão, eu me daria um 10, um magnífico 10! Um puta 10 bem redondo, em cheio, 10!

Com carinho,

- Roberta Laíne.

domingo, 10 de novembro de 2024

Querido leitor, eu permaneço viva. 

Às vezes as crises aparecem fortes; noutras, mais fracas. Há noites em que eu durmo bem; noutras, nem tanto. E assim vou vivendo. Ultimamente, já estou aceitando mais o fato de tomar mais dois medicamentos além dos que eu tomava, já não acho mais um absurdo, e estou tentando ser amiga deles. No fundo, sei que eles só foram inseridos para me ajudar e preciso aceitá-los para não atrapalhar o meu tratamento. Esses dias eu tive uma crise horrível, minha mãe acha que ela foi a pior de todas, mas não quero reportar os detalhes, já passou, transpus. Continuo a rezar o meu terço todas as noites e é a minha hora favorita do dia, principalmente por eu perceber o quão sou forte e determinada. Meu peito? Meu peito é só luz, Jesus e Nossas Senhora (todas elas). Meus olhos agora enxergam com mais exatidão os meus objetivos. Não estou perdida. Tenho feito minha terapia todas as segundas, e eu amo a minha terapeuta, confio muito nela, desde sempre. Isso ajuda bastante.

Agora vamos para uma coisa inusitada. Você concorda que a pessoa que tem depressão, em geral, se sente muito sozinha e incompreendida, principalmente porque ela mesma afasta todo mundo, certo? Errado, no meu caso. Por mais que, no decorrer da minha vida, eu tenha afastado, de fato, muitas pessoas, é absurdo o quão me sinto protegida, acolhida e amada, sobretudo amada. Minha família eu não tenho nem comentários a tecer, mudaram muito em relação a minha doença e estão lidando de modo muito diferente. São empáticos, respeitosos, preocupados e acolhedores. Quase enlouqueceram junto comigo e é por mim e por eles que busco não desistir. 

Esses dias fiquei super feliz, pois ganhei uma viagem do meu tio, com tudo pago. Porém, tive que deixá-la em stand by, pois ainda não estou totalmente estável e segura para encarar um avião pela primeira vez. Outra mensagem protetora que recebi de minha família foi da minha prima, que se ofereceu para pagar o meu plano de saúde por dois meses, uma vez que não estou trabalhando e o Inss demora a nos pagar, mas também deixei em stand by, pois não estou precisando de dinheiro no momento, e acho que seria muito ganancioso de minha parte aceitar sem precisar. Eu fiz alguns cortes e estou usando a minha reserva para custear consultar, remédios, exames e etc. e se ela acabar, Deus há de me ajudar, não tenho medo. No geral, tenho recebido demonstrações de afeito que dinheiro nenhum paga, mensagens e áudios de alguns professores e alunos, e de pessoas que estão ao meu redor e gostam muito de mim, nem eu sabia o quão era amada. Já ganhei bolo, chocolate, planta, açaí, lanche, blusas, uma coisa mais divertida que a outra. Essas coisas me fortificam muito, e fazem eu abrir um sorrisão largo cheio de luz, coisas que a depressão havia pegado para ela e me deixado sem. Tenho ganhado muitos abraços também. Outro dia vi em algum lugar que abraçar era demorar-se em alguém. Então as pessoas têm se demorado mais em mim, isso é fofo, não é? 

Querido leitor, não sei como agradecer as pessoas, todas essas demonstrações de afeto, então eu rezo, pois acredito que não há no mundo nada mais lindo do que rezar por alguém. 

Com carinho,

Roberta Laíne.

sábado, 2 de novembro de 2024

Querido leitor, depois que passei a rezar um terço todas as noites, antes de dormir, parei de sentir medo da morte. Meu coração está mais sereno em relação a ela, não acho mais que seja o fim do mundo…

Ternamente,

- Roberta Laíne.

domingo, 27 de outubro de 2024

Querido leitor, nem sei como começar esse texto. Talvez eu deva iniciá-lo dizendo que sumi porque precisei. Pois não tinha forças para narrar o inenarrável. Minhas crises simplesmente eram horrendas, perversas e desumanas. Então preferi deixar para vir aqui quando estivesse mais estável e a cá estou. Bem, a primeira coisa que essa reviravolta fez em minha vida, entre tantas, foi conectar-me ainda mais com Deus. Não que eu fosse desconectada dele, mas meu laço estava fraco e precisava ser nutrido. Agora, todas as noites, antes de dormir, rezo um terço e, ao rezá-lo, sinto-me extremamente bem, como se eu fosse transportada desse mundo a uma outra dimensão, onde meu coração está em paz e minha mente tranquila e organizada. É simplesmente incrível! Também voltei a frequentar as missas aos sábados e tenho prestado muita atenção nas leituras e no evangelho. 

Ainda continuo um pouco frustrada por precisar tomar dois medicamentos a mais dos que eu já tomava. Um deles é o Lítio, um medicamento que eu sempre tive muito preconceito em relação a ele. Para tu veres como a vida é, ela vai lá e te faz precisar daquilo. Mas aos poucos estou me convencendo que é para o meu bem, e que assim que eu estiver totalmente estável e bem, meu psiquiatra fará a retirada. Também voltei à terapia, e ela tem sido outro ponto chave em meu auxilio, principalmente nos quesitos: não me cobrar tanto, ser mais gentil comigo mesma e a compreender que eu ajo de acordo com a inteligência emocional e ferramentas que possuo. 

Outro ponto chave tem sido as minhas caminhadas, agora estou indo todos os dias. No primeiro dia, fui morrendo de medo; no segundo, já estava com menos; no terceiro, havia apenas uma pequena insegurança e assim sucessivamente. A impressão que tenho é a de que estou reaprendendo coisas que eu já sabia/fazia com naturalidade. E está tudo bem. Eu gosto de aprender mesmo, reaprender também é legal. Também tenho a sensação de que eu estou mudando muito. Mas mudando para melhor. Estou me tornando uma pessoa mais pacífica, ponderada e resiliente. Estou buscando ressignificar mais as coisas e sinto-me muito mais serena. Há muitas coisas que antes eu não entendia e que agora compreendo.

Sei que é cedo, mas arrisco em dizer que tudo isso aconteceu para que eu me tornasse uma pessoa melhor, para dar mais valor a vida e para que eu pudesse perceber, com ainda mais clareza, que nós não somos absolutamente nada. Que hoje podemos estar bem, mas amanhã podemos estar no fundo do poço e vice-versa. Acredito que eu esteja aprendendo a me amar mais, a amar o ser divino que sou e o quanto mereço ser feliz e que Deus não me quer triste, angustiada e remoendo o passado. Ao contrário, ele quer me ver feliz, radiante, perdoando minhas falhas do passado, e vivendo plenamente o presente, agradecendo a cada dia único que me é dado. 

Essa reviravolta tem feito eu regar, todos os dias, uma parte do meu coração que era árida, cheio de rachaduras e sem nenhuma flor. E é assim que eu estou me curando dos outros e também de mim mesma.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Quero ver o mundo, porque o medo eu já conheço. É tipo Lispector, só que ao contrário.

Com carinho, 

Roberta Laíne.