sexta-feira, 22 de julho de 2022

Queria conseguir desligar minha mente e não pensar em nada, absolutamente nada, apenas para saber como que é ter a mente sã. Deve ser bonito, deve ser muito bonito, como o pôr do sol, como o teu sorriso.

- Roberta Laíne.

sábado, 16 de julho de 2022

Você é decepcionante, baby, decepcionante…

- Roberta Laíne.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

"Fim"."!"/"?"

Eu sei que o título desse texto parece um código para ser usado no prompt de comando do windows, mas é que realmente acabamos assim, nas entrelinhas, omissas. Demos um tempo para decidirmos se realmente terminaríamos, no entanto, afastamo-nos sem ter anunciado, com palavras, nosso fim. Ivane não teve coragem de terminar comigo, e eu também não tive coragem de terminar com ela, e assim está sendo, não dissemos adeus, mas também não continuamos, e acho que está tudo bem. Confesso que esse foi o término mais estranho da minha vida, mas sei que nada acontece por acaso, então permito que ele exista, para que tudo possa tomar o lugar que deveria. Há momentos em que tenho a sensação de que deveríamos conversar mais uma vez e, a partir daí, terminarmos, de fato. No entanto, às vezes penso que isso seria apenas um pretexto para nos vermos novamente, pois não há mais nada a ser dito, já sabemos que chegou ao fim, então não há a necessidade de validar o que já é real. Enfim, mais uma vez estou sozinha comigo mesma, e eu não acho a minha companhia insuportável, eu até gosto, por mais incrível que isso possa parecer, o único problema é que eu já estava acostumada a ter a companhia da Ivane, e sei que vai demorar um pouco até eu aprender a estar totalmente bem comigo apenas, a única coisa que desejo é que eu possa ser lembrada por algo bom que eu possa ter feito, sem jamais se cegar aos meus erros, porque eles foram muitos, mas era tudo o que eu podia oferecer, fizeram parte de mim, e sei que me esforcei muito para termos tido tempo de, em algum momento, sermos para sempre.


Eu sei que eu falhei muito, mas também sei que o universo há de recompensar tudo.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

terça-feira, 12 de julho de 2022

É bastante difícil para uma pessoa como eu, digo, inconsistente, volúvel, inoperante em diversas situações e, por vezes, patética, conseguir ficar por muito tempo em uma relação, seja ela amistosa, amorosa, ou qualquer que seja envolvendo pessoas. Eu tenho sérios problemas com pessoas na vida real. Há, em mim, dificuldades absurdas com a lida, mesmo me esforçando bastante para modificar isso. Não sei explicar muito bem o que acontece, eu só acho que ninguém me compreende e, que, por dentro, as pessoas riem de mim, então uma fúria sem precedentes me envolve e tudo o que desejo, naquele momento, é puni-las, para que possam sentir o mesmo que eu sinto. Eu também não consigo entender o porquê de que quando as coisas não saem como eu planejo, sou extremamente afetada, simplesmente me transformo em um monstro e um turbilhão de pensamentos e sentimentos embaraçam a minha cabeça, dominando o meu corpo e envergando a minha alma, fico atordoada sem entender de onde saem tantas emoções-e-pensamentos-e-sensações. Às vezes tenho um pouco de vergonha de mim, do monstro, e me recolho para não causar mais danos, pois não sei controlá-lo e, quando me recolho, e fico alheia a qualquer tipo de envolvimento com pessoas, sinto-me mais aliviada, pois sei que não estou magoando ninguém e não há ninguém para me incompreender e, logo depois, rir de mim.


Obs.: a palavra “incompreender” não existe.

- Roberta Laíne.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Desde o dia em que Ivane entrou na minha vida eu tenho sido uma pessoa mais feliz. Ivane cuida de mim como ninguém, e me ensina todos os dias, a visualizar a vida com mais leveza e a procurar saídas e não prisões para os meus problemas. Ao seu lado eu me sinto segura e mais forte, pois sei que ela não me deixaria sozinha e nem desistiria de mim. Ela não tem medo da minha depressão, ansiedade, pânico ou das paranoias de minha cabeça, muito pelo contrário, ela enfrenta todas elas junto comigo e me dá forças para não desistir e continuar. Há dias em que tudo está de cabeça para baixo em minha vida, então penso nela, penso que a tenho, ou melhor, que temos uma a outra, e que posso sair correndo de onde quer que eu esteja para o seu colo, abraço-abrigo-e-casa, então uma sensação de alívio invade o meu corpo e perpassa suavemente a minha alma. Inclusive, é por mim, por ela, e por sua crença absurda em nós, que tenho me esforçado todo os dias, que tenho ido à terapia em busca de remexer em meus vazios e prisões para achar saídas. Eu nunca conheci alguém tão resiliente quanto Ivane, nunca havia visto tanta bondade, generosidade e luz, sair somente de um ser, e sei que nada do que eu escreva conseguirá transmitir a gratidão que sinto por tê-la em minha vida. Espero somente que ela seja feliz, porque quando a gente ama alguém de modo genuíno, queremos verdadeiramente que essa pessoa desfrute da felicidade, em doses grandes, em excesso, em demasia, porque é isso o que pessoas boas devem receber do universo. Obrigada por tanto, por se esforçar tanto, obrigada por tudo, obrigada por ser você.

Eu te amo, ontem, hoje, amanhã e em todas as outras dimensões em que eu esteja, sob um coração bobo que a ti emana amor.

Com ternura,

Roberta Laíne.

domingo, 8 de maio de 2022

A recompensa...

Depois da avalanche que passei no dia anterior, ontem foi um dia mais ameno, com menos crises de ansiedade e pânico, menos pensamentos intrusivos, e com toda aquela agonia vibrando em uma frequência mais baixa, sem me perturbar tanto. Então, pela parte da tarde, resolvi ir à missa com a mamãe, inclusive, fui movida por três motivos: 1. sempre sinto a necessidade de ir à igreja. 2. porque gosto de agradá-la e sei que ela fica muito feliz quando vou. 3. hoje é dia das mães e senti a necessidade de acompanhá-la e, por meio de orações, agradecer por sua vida. No final das contas gostei muito de ter ido à missa, fez bem à minha alma inquieta. Um dos primeiros sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior. Bem, há alguns dias, eu havia prometido à Ivane que iria tentar dormir em sua casa, no sábado, para assistirmos a algum filme, comermos, e dormirmos juntas. Assim, logo pela manhã, havia dito à mamãe que não iria dormir em casa, pois sairia e só voltaria na manhã do dia seguinte, nesse momento me surpreendi muito com a sua resposta, pois, ao invés de ficar chateada e/ou fazer algum tipo de comentário do qual ela achasse que me atingiria, mamãe simplesmente disse que seria bom, pois iria aproveitar para lavar as coisas da minha cama. Confesso que fiquei bem espantada com a sua resposta, e mais surpresa ainda por saber que ela não falou aquilo forçado, ela simplesmente disse, e ficou tranquila com aquilo. Um dos segundos sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior. À noite, já na casa de Ivane, eu estava serena; pedimos um lanche que eu queria que ela experimentasse e, após comermos, fomos olhar a lua; ficamos de mãos dadas olhando-a, enquanto comíamos fini e eu bebia coca-cola, ouvindo algumas músicas que selecionei; eu estava em paz, estava terna e amena. Um dos terceiros sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior. Eu não sabia que poderia ser recompensada pelo dia anterior de merda que tive, eu não lembrava como era almejar a vida, pois sem a depressão, o pânico e a ansiedade, meu corpo e minha mente conseguiam conversar, sem o meu coração fazendo barulhos assombrosos, era possível viver e gostar de estar viva, era possível continuar e ter a consciência disso foi um dos quartos sinais de recompensa por ter aguentado o dia anterior.

- Roberta Laíne.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Essa semana tem sido preenchida de dias muito difíceis para mim. Eu estou cansada, estou muito cansada. Na verdade, estou exausta! Exausta de adoecer, de ir ao hospital, e de ser a fraca, desde criança. Um dos meus maiores cansaços é o dos meus remédios e das minhas idas ao hospital. Quando você luta contra a depressão e ansiedade há 10 anos, chega um momento em que você fica exausta de tudo, de absolutamente tudo e todos, da sua família, de médicos, de psiquiatras, de terapeutas, diagnósticos, enfermeiros, exames, remédios, clínicas, hospitais. Você começa a ir a esses lugares se sentindo uma fracassada, um lixo, um barco cheio de buracos. Inclusive, é assim que me sinto em grande parte da minha vida, um barco cheia de buracos, que está enchendo de água a cada dia que passa, naufragando dia após dia. 

Eu estou mudando muito nestes últimos tempos, mudando para pior. Estou a cada dia mais irritadiça, estressada, ansiosa, oscilando de humor com muita facilidade e, sobretudo, deixando a ideia de suicídio entrar em minha mente como uma real possibilidade, e isso me assusta, pois eu nunca pensei em suicídio, mesmo depois de uma grande amiga ter se matado na adolescência; mesmo depois de minha namorada ter tirado a própria vida na idade adulta; mesmo depois de assistir a inúmeros outros suicídios; eu nunca quis, nunca me imaginei, porém, ultimamente, as coisas têm mudado muito em minha cabeça e tudo tem ficado confuso e desorganizado. É engraçado, nessas horas eu nunca consigo pensar em ninguém, são momentos de puro egoísmo, em que eu só consigo pensar em minha dor e não meço a dos outros, a dos que iriam ficar. Logo em seguida, minha visão fica turva, tudo fica lento, e a morte com seu hálito metálico começa a baforar em meus ouvidos convites tentadores, é incrível, é incrível como tenho ficado inebriada e cega. Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo dessa vez, não sei o que está conseguindo me atordoar tanto, não sei por que estou regredindo absurdamente e numa velocidade espantosa, logo agora que tenho trabalho, tenho a Maria, tenho namorada, e voltei desde o final do ano passado à terapia, mas nada está surtindo efeito, eu não sei o que falta. O que falta? Que vazio é esse? Ele tem nome? Por que eu estou tão exausta? Por que está tudo tão escuro? Quem esqueceu de ligar as luzes? Dá para ligá-las novamente?. Em seu leito de morte Goethe disse: “Luz, mais luz!” e agora eu imploro: Luz, mais luz, mais luz, por favor!

- Roberta Laíne.