domingo, 15 de março de 2020

Todas as noites, antes de dormir, eu leio de três a cinco poemas de Bukowski. Há noites, porém, que estou muito cansada e leio somente um. As noites mais frias são aquelas que estou extremamente cansada e só abraço o livro e durmo, com vontade de ter lido um ao menos. Já estou acostumada com ele, com a maneira que ele fala, que ele usa e aloca as palavras, não quero que chegue ao fim de modo breve. Acho que Bukowski é realmente aquele tipo de homem canalha que a gente se apaixona perdidamente, e luta para esquecer. E acho que não vou esquecer Bukowski, ele veio em um momento do qual eu estava frágil e insegura, e assumo toda a culpa de ter dado abertura para ele se aproveitar de mim, pois eu queria, eu queria que fosse um imbecil, um escroto, um asno, mas que falasse a verdade, totalmente a verdade, por mais que doesse,  eu queria que fosse Bukowski.

- Roberta Laíne.

quinta-feira, 12 de março de 2020

O livro dela, que é do Bukowski

Nós brigamos e prometemos nunca mais ficar uma com a outra, isso nunca tinha acontecido e agora vou ter que terminar a merda do livro que ela me emprestou, é que o livro é do Bukowski, e o título é a minha cara. Nós nunca fomos nada, sempre vivemos no "se", "se" a gente se encontrar, "se" eu for para aquela festa", "se" der, "se" eu lembrar. Eu não a amo, ela também não sente coisa importante por mim, mas eu também não desgosto, não consigo olhar para ela e não sentir nada, há um magnetismo que está fora do meu entendimento e controle que diz: fique próxima a ela. A gente tem uma conexão tipo Gogh e o amarelo, tipo Dalí e os meus sonhos mais loucos, ou tipo Bukowski e a solidão. Mas, que fique claro, eu não a amo, só nos dávamos bem com o lance do olhar, toda vez que nos olhávamos sabíamos pôr o universo de cabeça para baixo... Engraçado, nunca nos tocamos, mas conheço por inteiro o corpo dela, sei como beijá-la, como abraçá-la, e como olhá-la, como se a vida fosse um dia de sábado ensolarado e estivéssemos indo à praia. Eu não sei de muita coisa sobre a vida, e não entendo muito sobre as pessoas, mas sei que ela era como ir à praia, num dia potencialmente ensolarado.

  A verdade é que nunca entendi nossa conexão, somos duas pessoas totalmente diferentes, mas que compartilham a mesma inquietude... Solidão, independentemente de com quem estejamos, somos as pessoas mais solitárias do universo. Só que quando eu olhava para ela eu via um feixe de luz vindo diretamente de outro planeta, talvez ela fosse a lua e eu uma astronauta perdida no universo, tentando encontrar a terra, guiada por seus olhos que eram luz.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

quinta-feira, 5 de março de 2020

O poema mais urgente que já fiz em toda a minha vida: tu.

- Roberta Laíne.

domingo, 1 de março de 2020

Mesmo sem fome o poeta sempre come o pão que o diabo amassou.

- Roberta Laíne.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Depois que eu escrevi, meu coração começou a bater mais devagar, livre... eu estava livre dos demônios que me amedrontavam. Escrever para mim sempre foi um ato de liberdade, mesmo que eu sempre tenha parado para me perguntar se liberdade existe de fato. De qualquer forma, ou por qualquer motivo, eu sentia a palavra vibrar em mim, conseguia sentir todas as letras, o L, o I, o B, o E... liberdade, eu estava livre daquilo que fazia meu corpo agonizar, se retorcer e rolar de um lado para o outro na cama, eu estava livre, pois escrever para mim sempre foi um ato de alívio, de candura, é como acordar depois de uma profunda e tranquila noite de sono, abrir as janelas e deixar os raios do sol incidir sobre sua pele, atravessando o coração e tocando a alma. Escrever para mim é atravessar o coração e tocar a alma, tênue e silenciosamente, como o raio de sol. E depois sentir-se milagrosamente livre, porque escrever foi a única maneira que encontrei de sobre(viver).

- Roberta Laíne.
Eu sinto meu corpo desmoronar, como quando alguém fala alguma coisa muito ofensiva a nós e não contemos as lágrimas. Eu sinto que estou perdida no meu próprio universo particular, no qual não existe absolutamente nada nem ninguém, apenas eu. Eu sinto que perdi a capacidade de sentir, não sinto pouco, não sinto muito, apenas não sinto nada. E, talvez isso seja a depressão falando essas coisas. De qualquer maneira, ela ou não, isso tudo é o que há de mais genuíno em mim. E o mais intrigante, sem dúvida, é essa minha capacidade de nem me matar por completo, nem viver plenamente. Eu estou exatamente entremeios, e esse equilíbrio, por mais paradoxal que seja, não representa o equilíbrio de absolutamente nada. Eu não sou segura, eu não estou segura, não há segurança alguma quando o assunto sou eu.

Com carinho,

- Roberta Laíne.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

O perfume dela lembra a última pessoa que senti algo verdadeiro, ela tinha câncer e eu também. Mas o dela era no corpo, o meu na alma. Ela ficou curada, eu não.

Engraçado, eu nunca senti o perfume dela. Foda-se, eu imaginava...

- Roberta Laíne.