Estou a ponto de mais um fracasso em mais um relacionamento, tudo isso pelo sempre simples motivo: eu sou parada. Paradona, não saio, não me movo, pareço um móvel velho, não gosto de festas, de bagunça. Odeio o carnaval e isso me custou caro, brigas, lágrimas, e mais um término, de mais um relacionamento, sempre pelo mesmo motivo:
EU SOU DE OUTRO PLANETA.
Aos terráquios,
Roberta.
Deixe suas roupas a cá, pendure-as ali, e leia de fato, o que tanto falo, que faltas me faltam, que verbos me embalam, eis os meus Poemas de Quarto... (Roberta Laíne)
domingo, 17 de janeiro de 2016
sábado, 16 de janeiro de 2016
As mulheres me decepcionaram...
Outra vez, vi uma menina solitária sentada num banco surrado da praça de Belém, e, percebi que a tristeza em sua forma e cor gris abrasava aquela moça - tentei imaginar o que havia acontecido com ela e a resposta logo veio em forma de tatuagens e piercings queimando a ponta de um cigarro do outro lado - numa escada com outras tatuagens e outros piercings e uma garrafa de vodca. Ora, aquela menina de jaqueta preta ferrou com a vida da metaforicamente tristeza de vestido. Foi fácil perceber que as mulheres a decepcionaram, e assertivamente os homens também! Bem que poderia ter ficado em casa pensei alto com uma das frases de mamãe... As mulheres...! Acho justo um homem não entender por que uma mulher o troca por outra, ora, é complexo demais para que um homem entenda, pois no final da noite, só uma mulher, a mãe, a prima, a tia, a melhor amiga, pode entender a outra! É tipo um pedido de desculpas e um abraço, essa coisa mexe com a gente, o problema é que andamos pedindo desculpas demais para tudo e não se desculpando de verdade. Fico imaginando se uma daquelas tatuagens do braço da menina poderia ser para aquela pobre tristeza, ora, uma mulher sabe muito bem despistar a outra! Nunca se esqueça, você nunca, em situações aceitáveis da vida, conseguirá enganar uma mulher! E acho equivocado darem o sexo frágil pro lado mais forte do pêndulo; nunca entendi essas convenções sociais. Mas já estava feito, a outra tinha umas 10 tatuagens então socialmente ela era a mais forte, e obviamente a tristeza em forma de vestido devia ter na bolsa um batom suave e um espelho a sua espera. A ficha só cai depois que alguém do outro lado atende a chamada... Só uma mulher sabe como de fato ferir gravemente outra. Se uma mulher disser que te ama, pode ser por pena, pode até não existir amor, mas nunca será uma mentira. Se aquela moça de vestido levantasse daquele banco e fosse até sua namorada de jaqueta preta e dissesse que não aguenta mais vê-la traindo, bebendo, e a tratando mal, como se nunca fosse a perdoar por algo que ela nunca fez... Se ela se levantasse... Não sei ao certo o poder de uma mulher, mas sei que é bem maior que o dos homens e até mesmo dos animais. Você não pode esquecer desse poder, ele atua em todas as áreas do pensamento, do corpo, da alma, do dizer, e infelizmente a moça que chorava no banco resolveu ir pra casa, chorar em casa, possivelmente no outro dia ela receberia uma mensagem de texto ou ligação pedindo desculpas e tudo ficaria normal, tudo ficaria bem, até a próxima praça, o próximo gole, e as próximas mentiras, quem sabe até uma tatuagem em sua homenagem... Só uma mulher sabe enganar a outra, e alguma delas me decepcionam... Enfim, a água do meu café já ferveu e as mulheres, algumas delas, me decepcionaram...
- roberta laíne.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Me acalma
Me bagunça
Me atrapalha
Me joga
Me atira nessa vidraça
Mas te digo
Bem baixinho
Bem no pé do ouvido
Me acalma com tua alma...
- roberta laíne.
Me bagunça
Me atrapalha
Me joga
Me atira nessa vidraça
Mas te digo
Bem baixinho
Bem no pé do ouvido
Me acalma com tua alma...
- roberta laíne.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Essa coisa de espírito anda mexendo comigo, ando lembrando de pessoas que nunca vi, ouvindo lembranças que não são minhas, memórias que nunca registrei, fotografias de sorrisos que nunca dei e de abraços que nunca abracei. Gente grande, gente pequena, gente. Gente que eu nunca vi. Músicas minhas misturadas com músicas de outrem, não entendo a sinfonia, não consigo harmonizar uma nota. São muitos pensamentos, pensamentos anteriores a 1992 quando eu ainda nem era um fato, quanto mais um feto. Apago a luz e deito-me, tenho muito para escrever, mas nada se organiza sintaticamente em minha cabeça. Tudo gira, não alcanço as palavras, um suor foragido banha meus cabelos, desce em meu peito e se perde entre a blusa e minha pele. Um cigarro. Sempre almejo um cigarro, mas há tempos parei de fumar. Não sei mais manusear, minhas mãos tremem, a direita dança sobre as coisas, perdi um pouco de movimento depois de tantos remédios, tantos desaforos, tantos "até logo" que viraram "nunca mais", tantas despedidas, e eu tão perdida tendo que lidar com a morte, eu nunca soube lidar com a morte, sempre a vi, mas viro o olhar... Prefiro as flores! Por que desde pequena é assim? Sempre me sentindo estranha, sozinha, negativamente diferente! Por que eu? Por que essas percepções tomam conta de mim? Eu não poderia apenas olhar uma montanha russa e sentir vontade imensa de andar? Por que eu tenho medo dos trilhos partirem e ela seguir o rumo lacrimoso da vida? Por que essa vontade absurda de me conectar com a natureza, de entrar dentro de capelas e ficar olhando as imagens e subtrair tudo em luz e música? Por que eu sempre vou embora? Por que não tenho amigos? Por que tenho tantas sensações e por ora me sinto vazia? O que faz de minha mente esse assassinato de minha infância e juventude? Por que meus pais me deram? Por que eu odeio o natal? A vida é colorida lá fora, mas minha retina reproduz tudo de cabeça pra baixo e cinzento. Rosa é cinza, azul é cinza, branco é mais cinza ainda, e preto é preto. Preto não é cinza. Minha mente consegue atribuir duas cores triste para os contornos e preenchimentos de tudo o que vejo, então o céu é cinza e as nuvens são mais, bem mais cinza ainda.
- roberta laíne.
Não sabe receber afeto,
Não sabe dar afeto,
Não sabe porra nenhuma sobre afeto,
Mas afeta todo dia alguém na vida.
- roberta laíne.
Não sabe dar afeto,
Não sabe porra nenhuma sobre afeto,
Mas afeta todo dia alguém na vida.
- roberta laíne.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Gosto do cheiro de natal... Cheiro suave, terno, doce e por vezes triste como a chuva que cai. Mas vale a ressalva de que todo lugar tem seu cheiro específico de natal. Tem lugar ao qual já fui que cheirava todo e completamente a vinho; já passei por um lugar que o natal só cheirava a chuva, terra molhada e cheiro de barro e casinha alagada no ar; uma vez vi na tv que havia um lugar que o natal só cheirava a panetone, acho que era aí pra fora dos Brasil. Bonito mesmo é o cheiro do natal das crianças, cheira a vermelho, laço, embrulho de presente e papai noel.
Teve um natal em minha vida que eu me lembro que só cheirava a fogos de artifício, parecia mais até cheiro de ano novo, e não de natal. Teve um natal, quando eu era pequena, que cheirava a inocência, lembro-me perfeitamente que, ao acordar, senti o cheiro de café da manhã que se espremia no coador, saí da cama como um foguete rumo a lua quando esbarrei em mamãe e perguntei se ela tinha visto papai noel entrar, mamãe disse que sim coando o café e mandou-me ir olhar de baixo de minha cama. Nesse momento, o mesmo foguete rumo a lua que se chocou com o asteroide mamãe, fez uma curva arriscada e manobrou de volta ao meu quarto, pernas finas dobradas, cabelos cacheados cobrindo meus grandes olhos, estava lá, o presente de papai noel... Se a memória trouxesse exatamente sentimentos que nos inundam em determinadas ocasiões, esse, eu não ousaria pôr em palavras.
São tantos cheiros de natal, cada lugar tem seu cheiro específico, e espero que o meu esse ano tenha cheiro de pipoca e filme, acompanhado de uma boa xícara de chocolate e algumas risadas, com cheiro de pause, pois cheiros como esses dificilmente gostaríamos de deixar evadir, cheiro de pause, pra nunca mais passar e se perder de vista.
- roberta laíne.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Estou há muito tempo sem escrever, e isso me parece um nó na garganta; o problema é que não consigo, quando penso em escrever sinto um mal-estar absurdo, acometo-me de uma grande náusea que parece sem fim, acho que porque fui embora, estou morando em Belém, fugi. É, me tornei aquele final de filme que ninguém nunca espera ou imagina, sabe o mocinho ou a mocinha morrer no final? Ou quem sabe descobrirmos que o príncipe é uma farsa? É, tipo isso, ninguém esperava de mim que, ao passo dos 23 anos, eu resolvesse arriscar e voar do ninho. Claro que fora um choque para mim também, eu não me esperava tomar uma atitudes dessas, mas tomei, tomei de um gole só. O problema maior é que não consigo escrever...
Recentemente comprei quatro livros, “Poliana Moça” (que já havia lido), “Getúlio uma História Oral”, “Atlântida Civilização Desaparecida” e “Morro das Ilusões”. Os livros não foram comprados aleatoriamente, ou por imbecilmente achar a capa bonita, tampouco por chutar no escuro da sinopse, foram comprados porque me olharam, esses livros me olharam primeiro, bem antes de eu os olhar, então os olhei de volta, sem disfarce, os olhei. E o fato de tê-los é simples: “Poliana Moça” pela tentativa de ser feliz, o jogo do contente, para quem conhece-o, é a base de nossa vida, e até hoje me pergunto como H. Porter conseguiu esse slogan, esse mandamento de necessidade base da vida. Já “Getúlio uma História...” é devido uma grande paixão - mesmo odiando política - por Getúlio, acho que ele saiu da vida e entrou pro meu coração. E, "Atlântida...", como vivemos na realidade, sempre achei que precisamos, vez ou outra, de uma dose de cólica cética, de uma pitada de dúvida para nos empurrar pra frente, nada melhor que um mito, nada melhor que todo uma civilização. Por fim, para completar o ciclo da vida, “Morro das Ilusões”, de Zíbia Gasparetto... Não sei se sou espírita, ou se só amo as histórias da Zíbia, contudo, a alma para mim é um algodão molhado de porquês, que, ao invés de encontrarmos respostas na religiosidade, encontramos no espírito, na alma. A religião muita vezes complica e termina em reticência, o espírito te diz, de maneira suave, e bem paragrafada.
Os quatro livros não foram escolhidos aleatoriamente, além de trocarmos olhares, são os pilares para uma vida singela e crítica: Alegria, Política, Mito e Espírito. No fim das contas só queria dizer que não estou conseguindo escrever, mas estou lendo, voltei a ler... o que me dá vida ou tira pedaço dela, voltei a folhear páginas e empilhar livros, talvez consiga hora ou outra entender essa cidade, esses vizinhos estranhos, esses prédios que não dizem nada, e aí, talvez, eu volte a escrever.
Recentemente comprei quatro livros, “Poliana Moça” (que já havia lido), “Getúlio uma História Oral”, “Atlântida Civilização Desaparecida” e “Morro das Ilusões”. Os livros não foram comprados aleatoriamente, ou por imbecilmente achar a capa bonita, tampouco por chutar no escuro da sinopse, foram comprados porque me olharam, esses livros me olharam primeiro, bem antes de eu os olhar, então os olhei de volta, sem disfarce, os olhei. E o fato de tê-los é simples: “Poliana Moça” pela tentativa de ser feliz, o jogo do contente, para quem conhece-o, é a base de nossa vida, e até hoje me pergunto como H. Porter conseguiu esse slogan, esse mandamento de necessidade base da vida. Já “Getúlio uma História...” é devido uma grande paixão - mesmo odiando política - por Getúlio, acho que ele saiu da vida e entrou pro meu coração. E, "Atlântida...", como vivemos na realidade, sempre achei que precisamos, vez ou outra, de uma dose de cólica cética, de uma pitada de dúvida para nos empurrar pra frente, nada melhor que um mito, nada melhor que todo uma civilização. Por fim, para completar o ciclo da vida, “Morro das Ilusões”, de Zíbia Gasparetto... Não sei se sou espírita, ou se só amo as histórias da Zíbia, contudo, a alma para mim é um algodão molhado de porquês, que, ao invés de encontrarmos respostas na religiosidade, encontramos no espírito, na alma. A religião muita vezes complica e termina em reticência, o espírito te diz, de maneira suave, e bem paragrafada.
Os quatro livros não foram escolhidos aleatoriamente, além de trocarmos olhares, são os pilares para uma vida singela e crítica: Alegria, Política, Mito e Espírito. No fim das contas só queria dizer que não estou conseguindo escrever, mas estou lendo, voltei a ler... o que me dá vida ou tira pedaço dela, voltei a folhear páginas e empilhar livros, talvez consiga hora ou outra entender essa cidade, esses vizinhos estranhos, esses prédios que não dizem nada, e aí, talvez, eu volte a escrever.
Condescendentemente
- roberta laíne.
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