quarta-feira, 7 de maio de 2014



[...]

Depois de uma noite de amor,
Capitu tivera as costas totalmente rabiscada.
No dorso, a palavra em latim "Libertas" significando liberdade. 
Ao seu lado esquerdo, mirando pro peito, a palavra "Anima" que significa Alma; 
Na direita, Capitu fora riscada com a palavra "Carmina" do latim poesia...
De cá para lá Capitu trazia um enigma em latim, lido como 
 A poesia liberta a alma.
As costas de Capitu estavam recoberta por outras palavras que formavam uma frase que parecia mais com um pedaço de poesia:
O sol que se esconde é da cor da minha lua bailarina.
Capitu já estava com as costas totalmente rabiscadas, não havia espaço para mais nada -
Quando as palavras não se couberam em Capitu, uma ferida em seu lado esquerdo fora aberta, palavras começara a correr de si, terminando em poesia: 
Que a depressão externa do mundo não atinja o topo de meu muro e em lá bemol eu possa me defender. 
- roberta laíne.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Cansada das críticas nunca retrucadas, abaixei meus óculos e ajustei o cruzamento das pernas. Resolvi convocar todas as sombras das pessoas que me criticam por eu levar em consideração o seu passado, pois, lembrei-me que elas nunca pararam para me perguntar o porquê que eu o levo em consideração. Então convoquei-as e delicadamente pedi licença para falar:

Queridas sombras,
Vejam bem,
Se eu esquecer o passado de vocês e olha-las a partir de agora,
Que nome vocês se dariam?

[todas as sobras começaram a entrar em alvoroço e zombar de mim] 

Vejam bem, por favor, estipulem seu começo, vocês são como uma página em branco novamente, então ponham como título o seu nome...

[as sombras se entreolharam com ar de desdem, porém, atenciosas]

Apercebam que, esquecido ou apagado o passado, eu não sei nada sobre vocês,
não sei seus nomes,
suas primeiras falas ainda não foram balbuciadas,
apagado o passado vocês ainda não falaram nada! 

[as sombras unissonante disseram: Que loucura Roberta!] 

Roberta?
Como vocês sabem meu nome?
Se nem têm os seus ainda?
Já nos fomos apresentados? 

[incrédulas, as sombras atentamente me observavam]

É impossível apagar o passado de uma pessoa, o presente por si só é fálido nele mesmo, acaba no momento em que se inicia. Contem, por exemplo, de 1 a 10... Antes de chegarem no 5 o 1 já é passado. Na verdade, o que muitas pessoas querem apagar são certos momentos aos quais consideram como conturbados e não apagar o passado.
Apagar o passado é apagar a sua vinda a cá na terra, é apagar as fotografias da infância, os sorrisos dos aniversários, o primeiro beijo mal dado, acompanhado de nojo por não ser como na TV. É esquecer o jeito certo de encaixar a gaveta quebrada do antigo armário... Mas, as sombras que, um dia conseguirem apagar seus passados, por favor me procurem e digam: 

muito prazer eu me chamo, Otário. 

(com letra maiúscula, pois é nome de pessoa)

Com carinho, 
- roberta laíne.

domingo, 4 de maio de 2014

Triste dos pobres olhos 
Que tristes têm medo do medo mais triste 
Que os olhos triste se desbotam: 
o amor...
- roberta laíne.

sábado, 3 de maio de 2014

Meu mundo se aproximou do Teu, procure-me, se necessário... 

11:25

-roberta laíne.
Lembro-me apenas de ter  jogado pelos ares a revista que estava lendo quando esbravejei enfurecidamente: 

EU NÃO PERMITO APAIXONAR-ME NOVAMENTE!

Ora essa! Será mesmo que nunca aprendemos?
Apaixonar-se...
Essa tal de paixão é uma sínica que nos penetra deseducadamente.
Não pergunta se queremos, se estamos apto a isso...
Apto a isso? Quanta besteira minha! Desde quando paixão pergunta se estamos apto a isso? 
Mal educada... muito mal educada, isso sim! E digo mais, intrometida!
E você deve estar achando que estou apaixonada não é?
É. Estou sim e essa mal educada nunca me pergunta se estou apta a ela.
Quanta falta de educação! Ora essa de paixão...

- roberta laíne.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

*nota de rodapé: é um absurdo chamar de saudade.

- roberta laíne.
Não temos muita coisa - apenas - nos olhamos... Sempre que podemos nos olhamos. Teus olhos entrecortando os meus... Uma pausa, nenhuma palavra, não ousamos dizer nada, absolutamente nada, apenas nos olhamos.
Nos olhamos diariamente, e, às vezes,  percebo você sorrir sem mover os lábios, noutras chora sem derramar uma lágrima... Nunca vi com exatidão qualquer outra parte do teu corpo, apenas os olhos.

Nos olhamos,
A troco de escondidas palavras.

-roberta laíne.