domingo, 6 de julho de 2014




Caro leitor,
Eis uma história que tenho para lhes contar, que, de início você achará o título meio estranho, mas achegando-se para o final, como todo e velha história você entenderá, trata-se da ...


"A história do peixe de ouro"

Era uma vez,
Não não espera, não ERA uma vez, essa história foi inventada, desse modo não era uma vez, nunca fora, nem em uma vez nem em vez nenhum,
mas prossigamos, pois era nenhuma vez, Pedro, um jovem pescador que sonhava grandiosamente em capturar o tão famoso, sonhado e almejado: peixe de ouro, que nadava nas entranhas do rio ao qual banhava Pedro e o povo de sua longínqua ilha.
Capturar o peixe de ouro nada mais era que conquistar além de, grande fama em ser o pescador dos pescadores, como também torna-se o pescador mais rico e poderoso da ilha...
Certo dia, ou melhor era noite, então, certa noite, Pedro resolveu lançar-se na negra e achocolatada noite que fazia na ilha, iluminado apenas por uma pálida lua e um céu recheado de estrelas que pareciam brincar de pira. Pedro, tranquilamente guiava seu barco em pontos possivelmente já traçado em seu velho mapa amarelado que o próprio havia criado e escrito no título com letras mal desenhadas: rotas para se chegar ao peixe de ouro... Com o mapa em mãos, acompanhado de uma noite tranquila que cheirava a jasmim de primavera, a isca de Pedro sempre posta em ação e um brilho em seus olhos confundido-se com o fulgor acendente e apagante dos vaga-lumes que ali estavam... Tudo parecia transcorrer naturalmente como há anos em repetidas noites na busca ao peixe de ouro; porém, quando, de repente, Pedro sentiu sua isca mover-se, apoiando-se rapidamente no barco viu brilhar abaixo das escuras águas um enorme peixe, um pouco maior que Pedro, que reluzia um amarelo ouro desde os olhos até a última ponta de suas nadadeiras. Pedro ficara em estado de choque ao ver, pela primeira vez, o tão sonhado PEIXE DE OURO.
Pedro não mediu esforços, lançou-se até a extremidade de seu pequenino barco para certificar-se de que o peixe realmente estaria preso na isca, e bingo! O peixe de ouro circundava seu barco por está com o lado esquerdo da boca cortada por um grande S de ferro cor de branco neve preso num anzol. Pedro, começara a puxar o anzol num trabalho braçal supra-humano, de mover montanhas, parecia coisa de super-herói de desenho animado, mas Pedro era real, pequeno e machucável e o peixe de ouro também. De ouro na verdade.
O peixe começara a se aproximar da borda do barco, enquanto Pedro bravamente o puxava com toda sua força de super-herói humanizado, o brilho de seus olhos que antes era confundido com vaga-lumes, agora superava o das estrelas, que pararam de brincar de pira e se concentraram todas num amontoado só, para assistir nervosamente a conquista de Pedro.
Quando, após mais uma gota frenética de seu suor escorrendo pelo rosto, o brilho dos olhos do peixe de ouro cintilavam a borda do pequenino barco de Pedro, e ali estava ele, um pouco desajeitado, mas com um amarelo caramelado de peixe de ouro.
No entanto, o S que friamente pressionava a boca do peixe de ouro estava sendo banhado por um sangue mais vermelho que marte, deixando o peixe totalmente triste e arrebatado.
O brilho dos olhos de Pedro que ora foram confundidos com vaga-lumes, ora superado com o das estrelas, agora se camuflava de negro achocolatado como a noite, Pedro acabava de realizar seu grande sonho, porém percebeu que o seu sonho estava implicando nas lágrimas cor de sangue do grandão agora pequenino peixe de ouro, e, sem pensar Pedro rapidamente pôs para dentro do barco o peixe, retirando de sua boca o S que o machucava. Naquele momento Pedro pela primeira vez em toda sua vida percebeu que nossos sonhos só são totalmente realizados quando há brilho nos olhos do sonho e do sonhado, o que não havia nos olhos do peixe dourado no momento de sua captura ...
Inesperadamente Pedro lançou-se ao rio fisgando em sua boca o S que machucara o peixe de ouro deixando que a corrente de água o levasse...
Caro leitor, nesse exato momento você entrará numa dimensão surREAL onde o peixe de ouro se inclina e com uma de suas nadadeiras puxa o anzol que agora segurava Pedro de ouro, e trazendo-o até a borda do barco, Pedro com últimas formas de super-herói humanizado se põe deitado ao lado do peixe, que já sem oxigênio inclina uma de suas nadadeiras para tocar as mãos de Pedro, ambos ali, deitados no pequeno barco, com um corte nos lábios feito por um S de ferro cor de branco neve, olhando para todas as estrelas que começaram a brincar de pira novamente e uma lua pálida que moveu-se para debaixo do barco, onde, morria o sonhador com o sonhado, Pedro e o Peixe de ouro, ou como queira, dourado.

Att,

- roberta laíne.

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