quarta-feira, 30 de março de 2011

O triste desabafo de uma lua que insiste em conjugar o verbo amar.


    
 Engraçado, eu nem te conhecia e já te esperava, todas as noites que eu triste ficava na parte mais escura a brilhar me pegava te imaginando, às vezes eu até chorava, pois você estava me custando tanto a chegar, mas não podia abandonar minha esperança de um dia lhe encontrar, ah SOL, se soubesses o quanto lhe esperei, e as estrelas que conheci, os astros que deixei, os cometas que me magoaram e eu em resposta os magoei, sem contar o eu te amo que sempre lhe guardei, ah sol se soubesse.
  Eu apenas te via ao longe, nada poderia fala, sabe sol, eu sempre me senti consternada e estranha, nunca alguém de seu brilho iria me notar. Mas certo dia você confessou a uma estrela que do estranho gostava,  o normal não lhe servia, não encaixava, não acalmava, e ela contou-me, não sabes o júbilo que senti, não sabes o quão iluminei essa noite e desde então em meus sonhos você se pôs a perpetuar.
  O tempo foi passando e começamos a conversar, foi tão efêmero, em curtíssimo tempo te mostrei meus versos que compunha em minhas tristes noites, e sem você ao menos me pedir lhe descrevi, descrevi por completo, plenamente, por inteiro, não sabes disso não é sol? Ah se soubesse, foi tão mágico e inebriante te descrever para de ti lembrar, te descrevi como a fluidez do vento, teus olhos me inebriam sem parar.
  Ah sol, não me contive de admiração e comecei a te esperar, era tão lindo quando lhe via em crepúsculo vespertino, bem na hora em que me preparava para a noite brilhar. Ah sol, como és sublime, brilho intenso e aconchegante, deixe-me ao menos uma vez te tocar? Tremo todas às vezes em que aproxima-se a hora de você se pôr e eu mais perto de ti estar, um perto tão longe; ah sol aproxime-se, não farei outra coisa a não ser te amar. Você sempre tão educado, exalando sutileza e compreensão, ah sol você não sabe, mas és exatamente como eu imaginava e descrevia-o em meus versos, singelo como o ar.
  Não posso mais tardar em lhe confessar que eu estou completamente apaixonada por você, oh sol, foi o seu brilho ou talvez seu mistério, estou confusa, pois só consigo em ti pensar. Sei que não há de demorar e em mim a tristeza instalar-se, pois a mim não há de amar como eu te amo sol. Minhas mãos são pequenas, pois hoje sou lua minguante, mas se fosse para lhe tocar desejaria que fossem menores, morro de medo de você machucar ou alterar essa estrutura tão perfeita. Ah sol, não consigo mais hesitar em pedir que me deixe acompanhar-te, pois pedir-te acompanhe-me seria muito, mas deixe-me acompanhar-te para minhas noites tristes você alegrar, mas entendo que não queiras sol, sou lua pobre em relação ao teu brilho perene que tens a ostentar.
  Sei que todos os astros e estrelas, galáxias e cometas querem você, e eu pobre lua, como poderei ter? Mas conformo-me sol, não te culpo não me culpo, não tenho a quem culpar por esse amor. Só te suplico que não me esqueças, é o que peço incessantemente às estrelas que façam lembrar-te de mim, e agora me resta cumprir a árdua promessa que meu coração em pedaços suplica-me, para mim te esperar, já tentei convencê-lo que não há mais jeito, mas ele não quer nada de acordo, então te esperarei mesmo sabendo que é coisa do impossível você junto de mim sol estar.
  Não tenho mais como omitir, EU TE AMO SOL, consegues ao menos me ouvir? Você invade meus versos, desestruturas meus pilares, quando não te vejo aumenta a intensidade de minhas crateras, tira a baixa gravidade que aqui tenho, oh sol de brilho ininterrupto conforta o coração dessa pobre lua, que recoberta de solidão só almeja te olhar, te afagar, te por em minhas costas e contigo voar, te cantar minha músicas favoritas com minha rouca voz de lua triste, acalma essa pobre lua que só pensa em contigo, estar e estar, Ah sol se soubesse...

Roberta Laíne.



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